Em depoimento à PF, Vorcaro diz que agiu de boa-fé e questiona investigação sobre fraude no Banco Master
Fonte: bandab.com.br | Data: 29/10/2026 19:47:11
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou ter cometido irregularidades na negociação envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Em depoimento à Polícia Federal (PF), prestado em 15 de outubro, ele afirmou que agiu de boa-fé e pediu o arquivamento da investigação. Também solicitou para responder ao processo fora da prisão e pediu um “voto de confiança” à delegada responsável pelo caso.

A oitiva ocorreu antes de a PF indiciar Vorcaro e outros 14 investigados, na quarta-feira (28), no inquérito que apura suspeitas de fraude nas operações do Banco Master. A investigação integra a primeira fase da Operação Compliance Zero.
Durante o depoimento à delegada Janaína Palazzo, o ex-banqueiro questionou a existência de provas de fraude e defendeu a realização de uma perícia independente para verificar se houve prejuízo nas negociações.
“Arquive esse processo, porque não tem prova nenhuma, não tem prova de fraude, porque não tem prejuízo. Faça-se uma perícia. Vamos contratar uma perícia de fora para saber se os ativos foram vendidos. Se não tiver tido prejuízo, o que eu fiz?”,
questionou.
Vorcaro afirmou que sua atuação se limitou a resolver um problema relacionado à troca de ativos da Tirreno. Segundo a PF, a empresa era de fachada e teria sido utilizada para transferir créditos fictícios ao BRB.
“Aonde que eu fiz alguma coisa de errado neste processo para estar há um ano preso. A minha família toda destruída, com tudo acabado. Fui resolver um problema, de boa-fé”,
declarou.
Ex-banqueiro pede liberdade durante depoimento
Preso desde março de 2026, Vorcaro está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal. Durante a oitiva, ele pediu para deixar a prisão enquanto a investigação avança.
“Não dá para fazer uma análise sem ver o filme todo. Vamos fazer uma perícia. Me solta, primeiro, para não ficar esperando, deixa eu esperar em casa. Vamos fazer isso para que não se cometa injustiça”,
ressaltou.
Ao final do depoimento, que durou cerca de duas horas, Vorcaro voltou a negar irregularidades e dirigiu um pedido à delegada.
“Eu até te elogiei quando a gente chegou aqui. A senhora está trabalhando muito nesse negócio. Estou pedindo um voto de confiança”,
completou.
Defesa nega prejuízo ao BRB
Após o indiciamento, os advogados de Vorcaro afirmaram que as operações entre o Banco Master e o BRB envolvendo a Tirreno não provocaram prejuízo à instituição pública.
A defesa sustenta que a negociação das carteiras de crédito não foi concluída como inicialmente prevista. Segundo os advogados, os ativos foram substituídos por outros e a troca teria produzido resultados positivos para o Banco de Brasília.
“O negócio envolvendo as carteiras da Tirreno não foi concluído. As carteiras foram substituídas por outros ativos, e a troca realizada demonstra que os negócios entre o Banco Master e o BRB geraram resultados positivos para o Banco de Brasília. Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo”,
afirmou a defesa.
Os advogados também criticaram o andamento do inquérito. Na avaliação deles, após um ano de investigação, a PF estaria repetindo a mesma versão dos fatos sem apresentar avanços.
PF aponta Vorcaro como principal beneficiário das operações
A conclusão da Polícia Federal contrasta com a versão apresentada pelo ex-banqueiro. No relatório de indiciamento, os investigadores afirmam que Vorcaro teve participação direta e recorrente nas operações com carteiras de crédito irregulares do Banco Master.
Segundo a PF, ele ocupava o centro das decisões por ser controlador da instituição e seria o principal beneficiário econômico das operações realizadas para obter recursos para o banco.
“Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição”,
Vorcaro e os outros 14 investigados foram indiciados por gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
concluiu a Polícia Federal.
Investigação aponta perdas de R$ 2,7 bilhões
A Polícia Federal estima que as operações investigadas tenham provocado prejuízo de aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Parte das perdas estaria relacionada a carteiras de crédito inexistentes registradas em nome da Tirreno.
No relatório, os investigadores afirmam que os valores já foram formalizados e reconhecidos, e não representam apenas uma projeção de possíveis perdas.
“Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual”,
afirmou a PF.
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