Esquerda no Senado planeja alianças contra bancada do PL
Fonte: spacemoney.com.br | Data: 30/10/2026 00:28:31
Senadores de PT, PSB e PDT começaram a desenhar como vão atuar a partir de 2027 diante da maior bancada do PL na história recente do Senado, segundo o g1. Eleitos e reeleitos ouvidos pelo portal apontam acordos em temas pontuais, conversa com opositores e pressão da sociedade como caminhos para tentar barrar perdas de direitos.
O PL, legenda de Jair Bolsonaro, conquistou 19 cadeiras no pleito de domingo (4) e deve chegar a 28 dos 81 assentos — mais de um terço da Casa. Se os números se mantiverem até a posse, em fevereiro, será a maior bancada de uma sigla na abertura de uma legislatura desde 1988. O recorde anterior era do PMDB, com 27 senadores em 1999. Nunca antes, desde a Constituição, um partido havia elegido 19 senadores em uma única eleição; o máximo eram 14.
PT, PSB, Rede e PDT devem somar 15 cadeiras. O restante se divide por MDB, PP, União Brasil, PSD, Republicanos, Novo, Podemos e PSDB, além de um senador sem partido. A composição ainda pode mudar até fevereiro, já que eleitos e atuais senadores podem trocar de sigla ou assumir cargos no Executivo.
Alianças pontuais e diálogo
As estreantes Marília Arraes (PDT-PE), Samanda de Lula (PT-RN) e Marília Campos (PT-MG) dizem que vão buscar acordos caso a caso, ouvir quem pensa diferente e usar a mobilização social como contrapeso. Marília Arraes defende conversa com setores que não se identificam com a esquerda para tratar de segurança, emprego, renda, saúde e oportunidades. Samanda fala em organização, firmeza e articulação, sem ceder em direitos trabalhistas, sociais, democráticos e de grupos vulneráveis.
Marília Campos, que foi prefeita de Contagem (MG), pretende usar a experiência de negociação com governos de diferentes orientações para construir maiorias em torno de pautas municipais. Ela afirma que firmeza em direitos não é negociável, mas que voto se conquista com relação. “Não tem negociação”, diz, sobre retrocessos.
Os reeleitos Cid Gomes (PSB-CE) e Humberto Costa (PT-PE) esperam avanço de pautas de costumes, entre elas restrições ao aborto. Hoje a lei autoriza o procedimento em três situações: gravidez resultante de violência sexual, risco à vida da gestante e feto anencéfalo.
Costa, eleito para o terceiro mandato, avalia que os novos senadores têm perfil mais radical e agressivo e que o diálogo tende a ficar mais difícil. Ainda assim, prevê maioria para alguns projetos já acertados, como o fim da escala 6×1, e aposta que segurança pública dominará os debates. Cid, que renova o mandato, minimiza o crescimento da direita: diz que 28 senadores bastam para pedir CPI, mas não para formar maioria. Para ele, a Casa ficará dividida entre um terço à direita, uma fatia menor progressista e um grupo que tende a apoiar o governo.
Sucessão no comando
Na disputa pela presidência do Senado, em fevereiro de 2027, Costa admite apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), desde que não haja concessões à oposição em temas que considera inegociáveis, como a anistia aos condenados de 8 de janeiro de 2023. Cid vê Alcolumbre em melhor posição para costurar maioria e aposta que divergências internas da direita dificultam uma candidatura única. Ele cita Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) como interessados.
As três senadoras pretendem combinar trabalho em comissões, apresentação de projetos e discursos no plenário para dar visibilidade a temas prioritários. Samanda diz que a tribuna servirá de canal com a sociedade, mas que a atuação não pode se limitar a reagir às propostas da direita. Marília Arraes quer centralizar a defesa dos direitos das mulheres e levar demandas do Nordeste ao debate nacional. Marília Campos aposta que comissões, relatorias e conversas de gabinete pesam tanto quanto os pronunciamentos.