Funcionário da Casa Branca teria organizado jato usado por Flávio Bolsonaro para chegar aos EUA, diz jornal
Fonte: annaruthdantas.com.br | Data: 30/10/2026 06:43:00
Segundo o The New York Times, Jason Miller articulou o transporte do senador após a derrota eleitoral; Polícia Federal investiga possível ajuda de empresários e aliados na saída do Brasil

A viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, teria contado com o apoio de um integrante do governo de Donald Trump. Segundo o jornal americano The New York Times, Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca, foi responsável por organizar o uso do jato particular que transportou o parlamentar e sua família até Miami.
De acordo com a publicação, a articulação começou na segunda-feira (26), depois que Flávio foi informado de que deveria entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Eduardo Bolsonaro teria procurado Miller após o irmão receber a intimação judicial.
O senador deixou o território brasileiro pela fronteira com a Argentina e, na noite de terça-feira (27), embarcou em uma aeronave particular com destino ao Equador, onde houve uma parada para reabastecimento. Em seguida, o avião seguiu para Miami, nos Estados Unidos.
O jornal americano também informou, com base em uma fonte do governo Trump, que Flávio deverá solicitar residência permanente nos Estados Unidos, por meio do chamado green card. Segundo essa fonte, o pedido poderá receber tramitação acelerada, semelhante à concedida a Eduardo Bolsonaro.
Trump critica eleição brasileira
Nesta quinta-feira (29), o presidente americano Donald Trump classificou as eleições presidenciais brasileiras como uma “vergonha“. A declaração foi feita durante uma conversa com jornalistas, antes de sua participação em um comício eleitoral.
“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu”, declarou.
Apesar das críticas, Trump afirmou que pretende entrar em contato com Lula para parabenizá-lo pela vitória. O presidente americano também declarou que não apoiou nenhum candidato durante a disputa, atendendo, segundo ele, a um pedido do próprio Lula.
Polícia Federal investiga rota e possível apoio à saída do Brasil
Enquanto isso, a Polícia Federal tenta esclarecer como Flávio Bolsonaro deixou Brasília e chegou a Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de atravessar a fronteira com a Argentina.
Os investigadores trabalham com diferentes hipóteses para reconstruir o deslocamento. Uma delas é que o senador tenha percorrido todo o trajeto por terra, em uma viagem estimada em aproximadamente 20 horas. Outra possibilidade é o uso de uma aeronave particular que teria decolado de algum aeródromo ou pista localizada em propriedades rurais de Brasília ou do entorno. A PF também considera a hipótese de uma viagem combinando trechos terrestres e aéreos.
Um dos pontos analisados é a saída de um comboio utilizado pelo parlamentar de seu condomínio em Brasília, por volta das 19h50 de segunda-feira. Até o momento, não há confirmação sobre quem estava nos veículos.
A investigação busca identificar ainda se empresários e aliados políticos da família Bolsonaro ofereceram apoio financeiro ou logístico para a viagem. A PF também apura uma possível participação do governo argentino, comandado pelo presidente Javier Milei.
Flávio é investigado em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que também envolve o advogado Willer Tomaz, amigo do senador que está nos Estados Unidos desde agosto.
Embora tenha deixado o país sem cumprir a determinação judicial de entregar seus passaportes, Flávio Bolsonaro não é formalmente considerado foragido pela Polícia Federal. A apuração sobre sua saída do Brasil está relacionada ao possível descumprimento da medida imposta pelo STF.