Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Boeing tirou os passageiros e colocou nove toneladas de batatas em um avião para resolver um problema do Wi-Fi

Fonte: acordacidade.com.br | Data: 30/10/2026 07:01:10

🔗 Ler matéria original

Em 2012, engenheiros da Boeing enfrentaram um desafio tecnológico inusitado: melhorar a conexão Wi-Fi dentro de seus aviões comerciais. A solução encontrada foi tão criativa quanto surpreendente: substituir os passageiros por toneladas de batatas durante os testes de sinal.

A qualidade do Wi-Fi em uma aeronave pode variar de acordo com o assento, a quantidade de viajantes e seus movimentos dentro da cabine. Isso acontece porque o corpo humano absorve e reflete ondas eletromagnéticas, criando áreas com sinais mais fortes e outras com cobertura deficiente.

Por que as batatas funcionaram

Foto: Divulgação/Boeing

Para estudar o problema, a Boeing precisaria ocupar um avião com pessoas e mantê-las imóveis durante longos períodos, enquanto os engenheiros realizavam as medições. O processo exigiria a contratação de voluntários, a utilização de uma aeronave e a repetição de diversos testes para identificar os pontos com pior cobertura.

Os pesquisadores começaram, então, a buscar materiais capazes de reproduzir a maneira como o corpo humano interage com sinais sem fio. Foi assim que chegaram às batatas. Com cerca de 80% de água em sua composição e propriedades dielétricas semelhantes às do organismo humano, elas conseguiam absorver e refletir as ondas de maneira adequada para a simulação.

O experimento que virou história

O projeto recebeu o nome SPUDS, sigla para Synthetic Personnel Using Dielectric Substitution, uma brincadeira com o termo informal em inglês para batatas. A Boeing colocou a ideia em prática utilizando um avião fora de serviço, com os assentos ocupados por sacos que continham aproximadamente 9.072 quilos do alimento.

Com esse substituto inesperado, os engenheiros podiam realizar medições durante horas sem se preocupar com o cansaço ou a movimentação de voluntários. Assim, conseguiram observar como as ondas se distribuíam por toda a cabine. Os resultados também foram comparados com medições feitas com pessoas reais para verificar a precisão do método, conforme informações divulgadas pela própria Boeing em dezembro de 2012.

Redução drástica de tempo e custos

O procedimento transformou a realização dos testes. Uma atividade que poderia exigir mais de duas semanas de trabalho passou a ser concluída em aproximadamente dez horas. Com as medições, os engenheiros conseguiram identificar regiões com cobertura deficiente e avaliar ajustes para melhorar a distribuição do sinal.

O método também tornou o processo mais simples e econômico, já que dispensava a necessidade de reunir voluntários e manter uma aeronave ocupada durante longos períodos. As informações obtidas ajudaram a compreender melhor o comportamento da conexão em uma cabine cheia.

Como as batatas reproduzem o comportamento das ondas eletromagnéticas

O corpo humano absorve e reflete ondas de rádio devido, entre outros fatores, à grande quantidade de água presente em sua composição. As batatas funcionaram como substitutas porque também são formadas majoritariamente por água e apresentam propriedades dielétricas semelhantes às do organismo humano.

Quando uma onda eletromagnética encontra uma batata, sua interação pode reproduzir, de maneira aproximada, o que aconteceria diante de uma pessoa. Ao distribuir dezenas de sacos pelos assentos, os engenheiros conseguiram simular a presença de passageiros e mapear como o sinal se comportava em diferentes pontos da cabine.

Por que testes como o das batatas importam para sua segurança em voos

Foto: Pexels

A qualidade da conexão Wi-Fi é apenas uma parte dos cuidados tecnológicos envolvidos na operação de uma aeronave. Os equipamentos de comunicação precisam funcionar de acordo com requisitos técnicos que evitem interferências em sistemas essenciais, como os utilizados para navegação e aproximação durante o pouso.

O experimento SPUDS, especificamente, tinha como objetivo analisar a propagação do sinal dentro de uma cabine ocupada. Esse tipo de estudo ajuda a compreender como os passageiros e os elementos internos da aeronave influenciam a cobertura da conexão, mas não substitui os testes específicos de compatibilidade eletromagnética e segurança dos equipamentos.

Reunir dezenas de voluntários, mantê-los imóveis durante longos períodos dentro de um avião e repetir as medições seria caro e pouco prático. Além disso, as pessoas precisam se movimentar, fazer pausas e mudar de posição, o que pode interferir nos resultados.

As batatas, por outro lado, permanecem exatamente onde são colocadas e permitem que os testes sejam realizados de forma contínua e controlada. Dessa maneira, a Boeing encontrou uma alternativa simples para reduzir o tempo de trabalho e facilitar as medições, transformando um alimento comum em uma ferramenta inesperada de engenharia.