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Democratas cobram explicações de Trump sobre jato usado na fuga de Flávio Bolsonaro

Fonte: brasil247.com | Data: 30/10/2026 09:05:40

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247 – Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, exigindo esclarecimentos sobre a possível participação do governo de Donald Trump na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, para território americano. Os parlamentares querem saber se recursos diplomáticos e mecanismos de imigração foram utilizados para facilitar a saída do político brasileiro, que deixou o país após uma determinação judicial para entregar seus passaportes.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (30), a iniciativa ocorreu após o New York Times revelar que Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca e aliado da família Bolsonaro, teria organizado o jato particular utilizado pelo senador para viajar da Argentina aos Estados Unidos, com escala no Equador. Flávio desembarcou em Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das filhas.

A carta, obtida inicialmente pelo site americano Politico, foi encaminhada a Rubio na noite de quinta-feira (29). Entre os signatários estão integrantes de destaque da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. A iniciativa foi liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada.

Os congressistas exigem informações sobre a atuação do Departamento de Estado na concessão do visto de Flávio Bolsonaro, os contatos mantidos com outras agências federais e o eventual conhecimento das autoridades americanas sobre as investigações criminais em andamento contra o senador no Brasil.

“O povo americano e o Congresso têm um legítimo interesse em compreender se os recursos diplomáticos e de imigração dos EUA foram usados ​​para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, afirmaram os parlamentares no documento.

Em outro trecho, os democratas ressaltaram as possíveis implicações diplomáticas do episódio para as relações entre Brasil e Estados Unidos.

“A transparência é particularmente importante quando os eventos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas diplomáticas e de imigração dos EUA”, acrescentaram.

Até a publicação da reportagem original, o Departamento de Estado americano não havia respondido aos questionamentos da imprensa sobre a carta.

Aliado de Trump teria organizado avião para Flávio Bolsonaro

A suspeita de envolvimento de integrantes do governo americano ganhou força após a reportagem do New York Times, publicada na quinta-feira (29), detalhar a participação de Jason Miller na organização da viagem.

De acordo com o jornal, Eduardo Bolsonaro entrou em contato com Miller assim que seu irmão foi intimado a entregar os passaportes. A determinação havia sido expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no domingo (25), em meio às investigações sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O plano para retirar Flávio Bolsonaro do Brasil teria sido colocado em prática na segunda-feira (26), depois que o senador tomou conhecimento da obrigação de entregar os documentos.

A aeronave particular utilizada na etapa internacional da viagem partiu da Argentina, fez uma escala no Equador e seguiu para os Estados Unidos. A participação de Miller na organização do voo é um dos elementos que ampliaram os questionamentos sobre o eventual auxílio da administração Trump.

Além das circunstâncias da viagem, autoridades americanas também estariam considerando a possibilidade de conceder residência permanente ao senador brasileiro.

Uma fonte do governo dos Estados Unidos informou ao New York Times que Flávio Bolsonaro deverá solicitar o chamado green card, documento que permite a residência permanente no país. Segundo esse funcionário, o pedido poderia receber tramitação acelerada, em condições semelhantes às concedidas a Eduardo Bolsonaro.

A concessão do benefício, contudo, ainda não foi confirmada oficialmente.

Polícia Federal investiga rota de fuga e possível ajuda de empresários

No Brasil, a Polícia Federal procura reconstruir o trajeto utilizado por Flávio Bolsonaro para deixar o território nacional após sua derrota na eleição presidencial de domingo (25).

Os investigadores buscam esclarecer como o senador saiu de Brasília e chegou à região de Foz do Iguaçu, no Paraná, na fronteira com a Argentina. Embora o percurso internacional seja conhecido, ainda existem lacunas sobre os deslocamentos realizados antes da chegada ao país vizinho.

Uma das hipóteses examinadas pela PF é que Flávio tenha percorrido por terra o trajeto entre Brasília e Foz do Iguaçu, viagem que levaria aproximadamente 20 horas.

Outra possibilidade envolve a utilização de uma aeronave particular que teria decolado de um aeródromo ou de uma pista localizada em propriedade rural no Distrito Federal ou em seu entorno. Os investigadores também consideram a hipótese de o senador ter combinado deslocamentos terrestres e aéreos.

Um dos elementos analisados é a movimentação do comboio habitualmente utilizado por Flávio Bolsonaro em Brasília. Na segunda-feira (26), por volta das 19h50, os veículos deixaram o condomínio onde o senador reside. Até o momento relatado pela reportagem, não havia confirmação sobre quem estava nos automóveis.

A Polícia Federal também investiga se empresários e aliados políticos da família Bolsonaro forneceram apoio financeiro ou logístico para viabilizar a saída do senador.

Outra linha de apuração considera a possível participação de integrantes do governo argentino, comandado pelo presidente Javier Milei. Essa hipótese ainda está sob investigação e não representa uma conclusão sobre o envolvimento das autoridades do país vizinho.

Flávio descumpriu determinação do STF

A saída de Flávio Bolsonaro ocorreu em meio a um inquérito da Polícia Federal que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, amigo da família Bolsonaro que está nos Estados Unidos desde agosto.

A determinação de Alexandre de Moraes para a entrega dos passaportes havia sido adotada como medida cautelar no âmbito das investigações. Apesar da ordem judicial, o senador deixou o Brasil e chegou a Miami na quarta-feira.

A Polícia Federal apura as circunstâncias da viagem justamente porque Flávio saiu do país sem cumprir a determinação de entregar os documentos.

O senador, entretanto, permanece na condição de investigado e não é formalmente tratado pela polícia como foragido.

Trump critica eleição brasileira e admite contato com Lula

A controvérsia envolvendo a chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorre em um momento de tensão política após a eleição presidencial brasileira.

Questionado por jornalistas sobre o resultado da disputa, o presidente americano Donald Trump criticou o processo eleitoral brasileiro, embora tenha afirmado que não tomou partido na votação.

“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu”, declarou Trump antes de viajar para um comício eleitoral.

O presidente dos Estados Unidos também afirmou que não havia apoiado nenhum candidato a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar das críticas à eleição, Trump respondeu afirmativamente quando questionado se procuraria Lula para parabenizá-lo pela vitória.