Contingente de empregados e empregadores bate recorde no 3º trimestre, indica IBGE
Fonte: brasil247.com | Data: 30/10/2026 09:56:06
247 – O mercado de trabalho no Brasil registrou uma marca inédita no contingente de trabalhadores ocupados e de empregadores durante o terceiro trimestre deste ano. A taxa de desocupação no país recuou para 5,2%, atingindo o menor patamar para o período em toda a série histórica iniciada em 2012, após registrar 5,4% no segundo trimestre e 5,6% no terceiro trimestre de 2025, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A população ocupada do país alcançou o pico de 103,6 milhões de pessoas, acumulando uma elevação de 0,6% na comparação com o trimestre anterior (ganho de 581 mil trabalhadores) e um crescimento de 1,2% em 12 meses (mais 1,2 milhão de ocupados). O avanço da ocupação foi impulsionado pelo dinamismo da construção civil, segmento que registrou alta de 2,8% no trimestre e somou 210 mil trabalhadores ao mercado.
“Entre as atividades com alta na ocupação, destaca-se o crescimento no setor da Construção, que subiu 2,8% no trimestre, com mais 210 mil pessoas ocupadas”, diz o analista da pesquisa, William Kratochwill.
A expansão do empreendedorismo também se sobressaiu na pesquisa do IBGE, com o total de empregadores chegando ao número recorde de 4,5 milhões de pessoas. O grupo cresceu 4,3% frente ao trimestre imediatamente anterior (mais 184 mil empregadores) e 6,4% na comparação anual (alta de 272 mil pessoas).
“Empregadores são multiplicadores de trabalho, visto que o fruto do seu empreendimento gera novas oportunidades. Esses, que por muitas vezes foram trabalhadores por conta-própria, conseguiram crescer e ampliar o número de pessoas ocupadas, logo contribuindo também para a redução da desocupação”, analisa William.
Com a melhora nos indicadores, o total de desocupados caiu para 5,6 milhões de brasileiros. A retração foi de 4,0% em relação ao trimestre encerrado em junho (menos 234 mil pessoas) e de 6,9% no confronto com o mesmo período do ano passado (menos 417 mil indivíduos).
No funcionalismo público, a ocupação estabeleceu outro recorde ao atingir 13,2 milhões de trabalhadores. O contingente ficou estável no trimestre, mas apresentou alta de 2,5% na comparação anual, representando um acréscimo de 317 mil pessoas.
“O contingente de pessoas trabalhando no setor público com carteira foi consequência do aumento de ocupados na educação como professores, de ensino pré-escolar, fundamental e médio, acrescentando cerca de 45 mil pessoas”, analisa William. Ele diz ainda que a atividade da administração pública e regulação da política econômica e social municipal também contribuiu ao contratar cerca de 30 mil pessoas como escriturários gerais, analistas de sistemas e recepcionistas em geral, entre outros. “Ou seja, a atividade municipal apresentou a maior contribuição do setor público”, sintetiza.
Enquanto isso, os empregados no setor privado com carteira assinada (sem incluir o serviço doméstico) totalizaram 39,4 milhões, mantendo estabilidade no trimestre e no ano. O mesmo cenário de estabilidade trimestral e anual foi verificado entre os empregados sem carteira no setor privado (13,7 milhões), trabalhadores por conta própria (26,1 milhões) e trabalhadores domésticos (5,4 milhões).
“Essas estabilidades podem indicar que o mercado de trabalho aguardava as possíveis mudanças do pleito eleitoral. Logo, seu rumo será mais bem percebido nas próximas divulgações”, diz o analista da pesquisa.
Quadro de subutilização, desalento e renda
A taxa de subutilização ficou em 13,0%, mostrando estabilidade perante o trimestre anterior (12,9%) e recuo de 0,9 ponto percentual no confronto anual (13,9%). A população subutilizada — composta por desocupados, subocupados por insuficiência de horas e pela força de trabalho potencial — somou 14,8 milhões de pessoas, com estabilidade trimestral e queda de 6,1% no ano (menos 957 mil pessoas).
Dentre esse grupo, os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas somaram 4,3 milhões, alta de 5,2% no trimestre (mais 214 mil) e redução de 5,4% no ano (menos 247 mil). O contingente de pessoas fora da força de trabalho foi de 66,5 milhões, estável no trimestre e com avanço de 0,8% no ano (mais 530 mil).
Já o total de desalentados alcançou 2,5 milhões de pessoas (2,2% da força de trabalho). O número representa uma elevação de 7,5% em relação ao trimestre anterior (mais 171 mil pessoas), porém registra uma queda de 6,8% frente ao mesmo trimestre do ano anterior (menos 178 mil pessoas).
“Sobre o desalento, a redução em relação ao ano anterior é reflexo da melhoria quantitativa das contratações que temos verificado nos últimos trimestres. Todavia, verificamos aumento em relação ao trimestre encerrado em junho. A pesquisa aponta a dificuldade de as pessoas encontrarem trabalho que entendam ser adequado a ela, e isso se deu principalmente entre aqueles com 40 anos ou mais”, explica William.
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores permaneceu estável no trimestre ao marcar R$ 3.790, registrando ganho de 3,6% na comparação anual (mais R$ 131). Já a massa de rendimento real habitual atingiu o ápice da série histórica ao chegar a R$ 387,5 bilhões, com crescimento de 1,5% frente ao trimestre anterior (mais R$ 5,6 bilhões) e de 4,7% no ano (mais R$ 17,5 bilhões).