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Biodiversidade enfrenta avanços insuficientes, apontam países na COP17

Fonte: cenariomt.com.br | Data: 30/10/2026 16:19:55

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A 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) chega ao fim nesta sexta-feira (30), em Yerevan, na Armênia, com uma avaliação preocupante sobre os resultados das iniciativas internacionais para conter a perda da biodiversidade.

Uma versão preliminar do documento final, divulgado pelo secretariado da convenção, aponta que os esforços apresentados pelos países ainda são insuficientes para alcançar os compromissos ambientais estabelecidos até 2030. O texto reúne avaliações da primeira revisão do Marco Global de Kunming-Montreal (GBF), tratado internacional voltado à proteção da diversidade biológica.

Os relatórios nacionais apresentados pelos 192 países signatários revelaram falhas importantes na coleta de dados e na capacidade de monitoramento das políticas ambientais. O balanço dos indicadores relacionados às 23 metas globais de proteção da biodiversidade também apresentou resultados negativos.

Segundo o documento, menos da metade das metas nacionais vinculadas a cada objetivo global está no caminho necessário para ser cumprida.

Avanços na conservação ambiental

Apesar das dificuldades, os países identificaram progressos em algumas frentes de atuação. Entre elas estão iniciativas para impedir a extinção de espécies, melhorar o manejo sustentável de animais silvestres e reduzir os efeitos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas.

As chamadas Soluções Baseadas na Natureza também aparecem entre as estratégias que receberam atenção dos governos. Essas iniciativas buscam utilizar a conservação e a recuperação dos ecossistemas para enfrentar problemas ambientais e climáticos.

Outro ponto positivo foi a ampliação de práticas sustentáveis em setores produtivos, como agricultura, pesca, aquicultura e silvicultura. As medidas procuram conciliar as atividades econômicas com a preservação da biodiversidade e a recuperação das funções naturais dos ecossistemas.

O documento também reconhece avanços, embora desiguais entre os países, no financiamento público, na criação de incentivos positivos, na capacitação técnica, no acesso à tecnologia e na cooperação científica internacional.

Metas ambientais ainda enfrentam obstáculos

Entre os principais desafios identificados estão o controle de espécies exóticas invasoras e a mudança dos padrões de consumo. Os países ainda encontram dificuldades para incentivar escolhas sustentáveis, reduzir o desperdício de alimentos e diminuir a geração de resíduos.

A conexão entre áreas protegidas terrestres, de água doce e marinhas também aparece entre os objetivos com menor evolução. A proposta envolve a criação de corredores ecológicos verdes e azuis, tema que recebeu contribuições do Brasil durante os debates realizados na Armênia.

Outra dificuldade envolve a transparência de grandes empresas e instituições financeiras. A meta prevê a divulgação dos impactos e riscos de suas atividades sobre a biodiversidade, mas a implementação ainda apresenta resultados limitados.

Os países também demonstraram pouco avanço na revisão e eliminação de subsídios considerados prejudiciais à natureza.

O documento aponta limitações na mobilização de recursos e no acompanhamento dos incentivos financeiros do setor privado, além da redução de benefícios econômicos que prejudicam a diversidade biológica.

Falta de financiamento preocupa países

A disponibilidade de recursos financeiros e técnicos foi apontada como um dos principais entraves ao cumprimento das metas. O problema aparece com maior intensidade nos países menos desenvolvidos e nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento.

Os relatórios também registraram dificuldades de financiamento entre grupos e organizações que participam das ações de conservação, incluindo povos indígenas, comunidades locais, mulheres, jovens e pessoas com deficiência.

Para Caroline Rocha, diretora executiva da organização social LACLIMA, o sucesso da COP17 dependerá não apenas dos avanços nas negociações sobre a repartição dos benefícios da biodiversidade, mas também da capacidade de transformar os compromissos financeiros em recursos efetivamente acessíveis a quem atua na proteção ambiental.

O Marco Global de Kunming-Montreal estabelece a meta de mobilizar US$ 200 bilhões por ano até 2030, considerando todas as fontes de financiamento. Desse total, US$ 30 bilhões devem vir de financiamento público internacional.

Segundo Caroline, as estimativas para 2025 indicam que o financiamento global destinado à biodiversidade varia entre US$ 7,9 bilhões e US$ 92,4 bilhões anuais, demonstrando a dimensão da diferença entre os recursos disponíveis e as necessidades estabelecidas.

Durante a conferência na Armênia, foram anunciados US$ 60 milhões para o Fundo Global para a Biodiversidade (GBFF) e novos compromissos de aproximadamente US$ 4,4 milhões relacionados ao nono ciclo do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

Na avaliação da diretora da LACLIMA, os valores ainda são modestos diante dos desafios. Ela defende a ampliação do grupo de países doadores, incluindo a possibilidade de participação de nações como a China, além da diversificação dos mecanismos de financiamento.

Caroline também destacou que a redução da distância entre os recursos disponíveis e as necessidades de conservação depende de alternativas que ultrapassem os fundos internacionais tradicionais, envolvendo financiamento multilateral, investimentos privados e recursos públicos.

O próprio Marco Global prevê que parte expressiva do esforço financeiro venha da revisão de incentivos econômicos prejudiciais à natureza, com a proposta de redirecionar US$ 500 bilhões em subsídios nocivos à biodiversidade.

Com informações da Agência Brasil.

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