Benzadeus – Dengo projeta fase de crescimento da banda e a conexão com a Bahia
Fonte: anotabahia.com | Data: 31/10/2026 07:49:18
O Benzadeus é um dos principais nomes da nova geração do pagode brasileiro. Natural de Brasília, o grupo ganhou projeção nacional com sucessos como “Papel de Otário”, “Assume” e “Erro Calculado”, além de projetos como “Na Rota do Benza no Pelô”, gravado diante de mais de 10 mil pessoas em Salvador, e a label “Deu Benza”, que se consolidou como um dos maiores eventos de pagode do Distrito Federal.
Vencedor do Prêmio Multishow, a banda também vem se destacando por grandes encontros musicais, como a participação no projeto “Sorriso Eu Gosto no Pagode – Lado B”, ao lado de Sorriso Maroto e Ferrugem. Reconhecido por artistas como Péricles, Thiaguinho, Ferrugem e Bruno Cardoso, o grupo vive uma fase de expansão nacional, levando o pagode brasiliense para os principais palcos do país.
Em entrevista ao Anota Bahia, Vini, mais conhecido como Dengo, relembrou os caminhos que levaram ao reconhecimento nacional, a relação afetiva e musical com a Bahia, as experiências dos audiovisuais gravados no Pelourinho e em Itacimirim. No comando do reco e dos vocais, o artista também comentou a escolha do repertório, entre releituras de grandes clássicos e composições autorais, a importância das parcerias com artistas como Ivete Sangalo e Escandurras e como o intercâmbio entre diferentes ritmos contribui para enriquecer a música brasileira.
O bate-papo também aborda os desafios de conquistar novos públicos, sem perder a identidade musical, e os planos para o verão e o Carnaval baiano. Em plena expansão, o Benzadeus revela como a valorização das próprias raízes, a gratidão e a aposta na música feita com o coração têm sido fundamentais para escrever os próximos capítulos de sua história. O grupo também é formado por Magrão, Das Sortes, Neném e Pedigree.
O Benzadeus vive uma fase de expansão nacional, marcada pelo Prêmio Multishow e por grandes parcerias. O que mudou na carreira de vocês desde essa conquista?
É importante falar que, desde o início do Benzadeus, a gente vem com uma mentalidade de que a gente precisa dar o nosso melhor sempre para que a oportunidade chegue. Acho que muita gente acaba pensando o contrário. Espera a oportunidade chegar para daí se preparar.
A gente buscou fazer o justamente o contrário: se preparar com os melhores músicos, tentando colocar a melhor estrutura que se podia, na época. Eu lembro que quando a gente começou o grupo, nós escrevemos algumas metas. E uma delas lá era ‘em até 10 anos conseguir ganhar um Prêmio Multishow’. Por vontade divina, digamos assim, a gente acabou recebendo esse prêmio em 5 anos, o que deixou a gente muito feliz.
E com certeza essa premiação, essa marca na vida do Benzadeus, ela vem como um carimbo de validade. E junto a isso, veio muitos elogios dos grandes artistas. Então, com certeza a gente vai continuar com essa mentalidade de fazer o melhor. Cada vez mais ir subindo os degraus da nossa carreira, tentando sempre dar o nosso melhor. É uma validação artística onde as pessoas vão olhar: ‘nossa, quem são esses meninos aí que fazem uma música legal, um show legal?’. É o Benzadeus.
Essa validação era algo que vocês almejavam ou algo que vocês acham que precisava para enxergarem onde vocês já estavam alcançando?
A gente acredita muito na nossa música, né? As músicas do Benzadeus a gente costuma dizer que elas saem do coração. A própria formação do Benzadeus, ela vem desse lugar da música da alma, da música com o coração. O grupo é novo e a gente sempre procurou fazer essa música com o coração. A gente sabe que quando a gente faz a coisa com o coração, a gente não precisa muito de validação, nem dos outros e nem das coisas. O que todo mundo entende como validação tem a ver com o que vem do outro. Tem a ver com a comparação. Então o Benzadeus nunca se preocupou muito com esse lugar assim, sabe?
Mas, de fato, é o que eu falei. Esse carimbo de qualidade que veio com o Prêmio Multishow, é como se fosse um carimbo musical. Então as pessoas olham: ‘caramba, os meninos já fazem parte de uma gravadora, que é Som Livre, tem escritório, tem o Prêmio Multishow’. Eu acho que o prêmio vem com essa validação, assim como, as parcerias com os artistas que a gente já faz amizade. Então acho que caminha tudo junto.
Vocês já gravaram no Pelourinho e agora lançam um audiovisual registrado em Itacimirim. O que explica essa conexão tão forte com a Bahia?
O samba tem os seus batuques, assim como, Salvador tem os seus tambores. Então eu acho que a nossa música já começa daí. Todo mundo entende que Salvador, e a Bahia como um todo, é um dos corações do Brasil. Quando a gente fala de Brasil, naturalmente vai se falar Bahia, vai se falar Rio de Janeiro, São Paulo, então são os nomes que vêm assim de pronto. Aí quando a gente é quis gravar o DVD em Salvador, a gente não teve dúvida que seria um sucesso.
A gente sabia que ia ser bom, porque os artistas do Benzadeus todos tem um quê de baiano. A gente nem sabia disso, e a gente acabou escutando isso de vocês. E a gente percebeu que o povo baiano encontrou no Benzadeus uma certa baianidade, uma certa alegria e um olhar sobre a vida, sobre irmandade, sobre parceria. E a gente e a gente tem muito isso aqui em Brasília também, né? E o Benzadeus acabou exportando de Brasília para Salvador esse nosso pagode, e por surpresa, a gente viu que Salvador abraçou a gente. E a gente entendeu que era sim pelos motivos de levar uma música boa, de querer fazer a música de verdade, com qualidade.
A gente levou a melhor equipe para Salvador para fazer essa gravação do DVD ‘Na Rota do Pelô’ e contratamos os melhores profissionais também de Salvador, aqueles referência. Então a gente acabou fazendo um trabalho legal e deu match. E o Pelourinho, que a gente entende que se não for um dos corações, é o coração ali de Salvador. A gente ficou super feliz. Estávamos esperando no dia da gravação 1.000 pessoas, no máximo 800, a gente entendeu que ia ser algo menor. Quando a gente viu, estava fechando as vias do Pelourinho. A contagem aí do governo, da polícia, da secretaria de Cultura, trouxe pra gente um número de mais de 10 mil pessoas. Foi super legal. Não teve ocorrência nenhuma de roubo, de briga, de furtos, de nada. Foi só alegria, pagode e energia Benzadeus.
E agora no dia 8 de novembro temos o nosso evento aí que é o Deu Benza, que é um projeto que a gente tem feito muito aqui em Brasília. E essa primeira edição fora não poderia ser diferente e será em Salvador. Aí vai ser pagode, Benzadeus a vontade, fazendo essas releituras de músicas que a gente regravou nos nossos trabalhos, coisas que a gente gosta e vai botar no repertório e também as nossas músicas autorais, que a galera tanto pede.
Em “Benzadeus Ao Vivo”, vocês apostam em releituras de sucessos, em vez de músicas inéditas. Como surgiu essa ideia?
A gente sabe que o pagode e o samba têm muita música boa, são grandes clássicos, são grandes artistas que vieram aí construindo a história da música popular. A gente tem um amor pela Bahia. A gente tem uma relação muito legal com Salvador, propriamente falando. A gente gravou um primeiro DVD aí ao vivo no Pelourinho, e agora a gente gravou esse ao vivo em Itacimirim, que já vem com uma proposta de roda de samba, onde a gente gosta demais.
Acho que o Benzadeus tem várias propostas de performance de show. Tem o que a gente chama de palco italiano, que é todo mundo ali em pé no palco, e tem a roda de samba que a gente gosta demais assim. Receber um grande amigo que é o Farias, que é o que ajuda a carregar, juntamente com o Benzadeus, esse novo projeto ao vivo em Itacimirim. E a gente acabou escolhendo músicas que a gente não tinha gravado ainda e acabamos fazendo algumas releituras.
A gente percebeu que nas plataformas de streamings o nosso público gostava muito [das releituras], a exemplo do bloco ‘Amor Gigante’, que Magrão está cantando sozinho em uma formação, e na desse o Farias está cantando junto com a gente. Então, tem relação com essa curadoria da gente escolher músicas e também tem o lance do feeling, que a gente viu que o público do dia estava muito caloroso perto da gente. E daí a gente vai cantando o que vem no coração também, o que a gente sabe que acaba se conectando com o coração das outras pessoas. E acabou saindo esse resultado maravilhoso que é Benzadeus ao vivo em Itacimirim.
O grupo vem se aproximando de artistas baianos e promovendo encontros entre diferentes ritmos. Que trocas vocês desejam construir com a música da Bahia?
Primeiro é preciso dizer que a gente fica fingindo normalidade, né? Não é normal a gente estar perto de Ivete Sangalo, na casa do Léo Santana, ter proximidade ali com Márcio Victor. Como a gente mora fora, então a gente acaba vendo essas pessoas muito pela televisão e pelo YouTube, agora com advento da internet. Eu estava até vendo o Rock In Rio que teve a Ivete, e aquele espetáculo que ela apresentou, eu fiquei olhando assim a televisão e de repente veio na mente: ‘cara, a gente gravou um projeto com essa mulher, com Ivete Sangalo’. E eu sou muito fã da música da de Salvador.
Eu aqui em Brasília, quando os meninos me convidaram pra fazer parte do Benzadeus, eu fazia parte de grupos de pagode, mas sempre fiz o meu voz de violão. E dentro desse repertório que eu cantava de voz e violão, sempre coloquei músicas da Bahia. E cara, e de repente eu estava ali gravando um trabalho com a Ivete.
E não só a Ivete, tem o Escandurras também. Então beber da fonte da música da Bahia é muito importante para a música como um todo. A música baiana ela é muito importante, ela faz parte da base da música brasileira. Então nesse trabalho do Benzadeus no Pelô, tivemos o Escandurras que trouxe uma linguagem maravilhosa do samba da Bahia para a nossa música, que inclusive é um bloco que a gente colocou no show ao vivo e que a gente viu que perfumou bem na internet. Quando a gente toca esse bloco que tem o Escanduas, o show vai para outro lugar assim, sabe? A Bahia é muito abençoada.
Sem dúvida nenhuma o Benzadeus, que já estava numa crescente e muito bacana, com o Brasil já aceitando no coração a nossa música, o nosso jeito de fazer pagode. Mas com certeza eu posso afirmar aqui, sem sombra de dúvidas, que a partir desse primeiro trabalho que a gente gravou em Salvador, o Benzadeus foi para outra prateleira. Foi mais [importante] do que o Prêmio Multishow, na minha concepção.
BenzaElas: O projeto reuniu grandes vozes femininas, como Ivete Sangalo e Marvvila. Qual foi a motivação para colocar as mulheres no centro dessa iniciativa?
A gente tem uma característica muito boa que é ser grato. Nós somos muito gratos a toda a ajuda que a gente recebeu desde o início da nossa carreira, de vários amigos e de vários artistas. E quando surgiu essa ideia do Benza Elas, a gente estava nessa proposta de gravar um novo trabalho, um novo projeto, e nós somos muito fãs do samba e da força da mulher dentro do samba. Daí a gente fala de Dona Ivone Lara, de Beth Carvalho, Jovelina Pérola Negra, que foram mulheres muito importantes dentro da força do samba e deram vozes a muitas músicas.
E a gente, nesse momento, quisemos fazer um pouquinho dentro desse lugar da gratidão: ‘cara, o que é que a gente pode fazer para dar para dar voz à mulher dentro do pagode, dentro do samba?’. Parece até meio petulante, né? ‘Será que a gente vai conseguir fazer alguma coisa?’. E decidimos fazer porque a gente acredita nisso. A gente acredita na força da mulher, não só na música, mas em tudo que ela pode fazer, em tudo o que ela deve fazer, em tudo o que ela quiser fazer. E o Benzadeus se colocou no lugar ali, não foi nem de ajudar, sabe? Mas de colocar no devido lugar [em destaque] que a mulher tem que estar.
E por acaso, nós convidamos muitas amigas e muitas cantoras. A Amanda Amado, a Mannda Lym, a Ayla, a Lary, a Marvvila e também convidamos a Ivete Sangalo para ser a presidenta desse projeto maravilhoso. E para nossa alegria, ela aceitou. A gente também queria ela no ‘Na Rota do Pelô’, no primeiro DVD, só que ela não teve agenda e acabou não dando certo. Mas Deus sabe fazer as coisas do jeito certo. Benza Elas com Ivete Sangalo também, uma grande diva da música mundial.
Então a gente acredita que o Benza Elas é um projeto que as músicas já estão tocando. Os homens gostam, as mulheres gostam, o povo do samba e do pagode amam esse trabalho maravilhoso. A gente fica feliz por estar sendo mais um passo e um pouco mais de continuidade a dar voz para a mulher dentro da música.
Reconhecimento nacional: Como vocês fazem para conquistar novos públicos em todo o Brasil sem perder a identidade musical que construíram em Brasília?
É o coração, é o que eu estava te falando. Vamos escutar uma música: ‘pô, tocou, vibrou aí? Pô, cara, essa não, essa não bateu no coração, então vamos para a próxima’ e nisso a gente vai buscando essas músicas. Eu acho que quando há verdade e há essa boa intenção no que você está fazendo, você traz a presença para o lugar. Eu acredito que aquela história da gentileza gera gentileza, eu acho que cabe aí também. Quando você bota intensão, a intenção gera a intenção, o amor gera o amor, coisas do coração geram mais coisas do coração. E nisso as pessoas vão se conectando a essa verdade.
No Benzadeus, a gente se propõe muito a fazer a nossa música dessa forma. E eu tenho certeza que é isso que tem feito a gente caminhar para um lugar que a gente quer. Sem pressa, construindo com essa verdade. Parece até uma resposta piegas, né? A gente ouve muito dos nossos pais: ‘quando você for pai, você vai entender o que eu estou falando’. Aí parece aquela resposta, quando você se torna pai. Então a gente sempre escutou isso dos grandes mestres que já pavimentaram a história da música. Eles falam isso: é só seguir o coração que vai no caminho certo.
Com a chegada do verão, quais são os planos do Benzadeus para a Bahia? Podemos esperar novidades para o Carnaval baiano?
A primeira que a gente quer é, do dia 25 de dezembro até o dia 1º de janeiro de 2027, já estar tocando no réveillon de Salvador, no réveillon da Bahia. Em algum lugar da Bahia a gente quer estar. Mas a gente já está fechado no Carnaval de Salvador. Eu não vou saber precisar quais são as coisas, mas no Carnaval a gente vai estar por aí também. O réveillon parece também que já está fechado.
A gente tem mais dois trabalhos para lançar o ano que vem, de gravações de audiovisual, de DVD, e a gente também tem alguns trabalhos para lançar com alguns artistas. A gente já está projetando e vai ser algo super legal. Tem novidades para a vir por aí, infelizmente não posso falar todas elas, mas no Carnaval estaremos por aí e no réveillon também.
Hoje nós vemos muita interseção de artistas e gêneros musicais. Como que isso pode agregar ao pagode, ao samba e à musicalidade de vocês?
Talvez nem seja uma visão de todo o grupo, mas é uma visão que eu vejo assim. Eu acho que a música ela é realmente muito cíclica, como tudo na vida. Ela se atualiza, ela se renova e o que era hoje, amanhã já não é mais. Então assim, por que que eu estou falando isso? Porque eu tive a honra de passar pelo período da fita cassete, quando você tinha que ouvir aquela música o tempo todo. Se quisesse ouvir outra coisa, você botava aquela fita, o CD era a mesma coisa, o vinil era a mesma coisa. E agora a gente vive a era das plataformas digitais.
Eu não acredito muito que hoje existem mais as tribos de uma galera que consome a música. Hoje eu já tenho 40 anos, então eu posso dizer que eu ainda vim de uma tribo, né? Da tribo do samba, ou do pagode. Mas eu acho que as pessoas que consomem os streamings hoje, elas são muito plurais. É tudo muito versátil. Tu faz a tua própria playlist e essa playlist tem pagode, sertanejo, funk, reggae, MPB. Tudo do que a pessoa gostar.
Acho que a mistura musical ela é benéfica, sim, porque ela acompanha a tendência. Se os gêneros musicais estão todos na Palma da mão das pessoas, a gente pode sim facilitar. Sempre teve a união aí do trap com samba, depois começou o sertanejo com o funk, o sertanejo com o pagode. Eu acho tudo muito rico porque são culturas diversas, que quando se juntam, pode gerar muita coisa boa. E se tiver uma boa intenção, né? Se deixar o coração falar, vai ser melhor ainda. Então eu acho benéfico demais.
Eu acho que quem tem um repertório diverso, não só de música, mas esse repertório de instrumental, de linguagem musical, de linguagem poética de cada região. Acho que só enriquece e deixa as culturas mais unidas, deixando o povo mais unido também.
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