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Clarín detalha operação com jatos e apoio dos EUA na fuga de Flávio

Fonte: bncamazonas.com.br | Data: 01/11/2026 17:58:57

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A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil para os Estados Unidos teria sido planejada com uma operação que envolveu carros para despistar possíveis monitoramentos, pelo menos três jatos particulares e a participação de agentes americanos em território argentino. Os detalhes foram publicados pelo jornal argentino Clarín, em reportagem assinada pelo jornalista Nicolás Wiñazki.

Segundo o periódico, a operação foi organizada para evitar que a localização do senador e de seus familiares fosse identificada durante o deslocamento até os Estados Unidos. A estratégia teria incluído informações desencontradas sobre o paradeiro da família, veículos utilizados como distração e aeronaves preparadas para diferentes possibilidades de embarque.

O relato aponta que a família Bolsonaro percorreu aproximadamente 1,6 mil quilômetros por estrada, de Brasília até a região de Foz do Iguaçu, no Paraná, antes de atravessar a fronteira com a Argentina. Seis veículos teriam deixado a residência da família, em sequência, para dificultar o acompanhamento do deslocamento.

A operação teria sido concluída na noite de 27 de outubro, no aeroporto de Puerto Iguazú, na província argentina de Misiones. De lá, a família embarcou em um jato particular com destino aos Estados Unidos, após uma escala no Equador.

Van teria sido usada para despistar jornalistas

De acordo com o Clarín, imagens de televisão registraram a chegada de uma van branca, com vidros escurecidos, ao aeroporto de Puerto Iguazú, pouco antes da meia-noite de terça-feira (27/10). A expectativa era de que Flávio Bolsonaro e seus familiares estivessem dentro do veículo.

Pouco depois, um jato Gulfstream IV, de matrícula LV-JQW, decolou em direção a Miami. Entretanto, segundo a reportagem, a família já havia chegado ao aeroporto aproximadamente uma hora antes, em outro veículo.

Esse automóvel teria utilizado uma entrada reservada para acessar a pista de pouso e decolagem. O jornal afirma que os movimentos foram organizados por agentes dos Estados Unidos, que também teriam coordenado os procedimentos necessários para o embarque.

A reportagem relata ainda que integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), além de funcionários da imigração e da alfândega argentinas, foram afastados das atividades durante a operação. Representantes estrangeiros teriam assumido parte dos procedimentos para garantir a saída da família sem contratempos.

Jatos alternativos e rotas para evitar identificação

Outro detalhe da operação envolve a contratação de pelo menos três aeronaves particulares. Segundo o jornal argentino, os aviões foram utilizados como alternativas para dificultar a identificação do transporte efetivamente utilizado por Flávio Bolsonaro e sua família.

Algumas aeronaves teriam voado simultaneamente em direção aos Estados Unidos, enquanto outras permaneceram posicionadas em aeroportos da região. A estratégia permitiria alterar o plano de deslocamento caso surgisse algum impedimento à viagem.

O esquema também teria incluído caminhonetes e automóveis com placas diferentes, preparados para evitar bloqueios e confundir eventuais monitoramentos nas estradas brasileiras e argentinas.

Inicialmente, Flávio teria contratado um avião para viajar diretamente de Brasília até a região da tríplice fronteira. O proprietário da aeronave, entretanto, teria desistido do acordo depois que informações sobre a restrição judicial de saída do senador do Brasil foram divulgadas.

Com a mudança, a família teria optado pelo deslocamento terrestre até Foz do Iguaçu e, posteriormente, pela travessia para a Argentina.

Governo de Javier Milei também é citado

A reportagem do Clarín aponta possível participação do governo argentino na operação. Segundo o jornal, o presidente Javier Milei teria enviado seu principal assessor, Santiago Caputo, à província de Misiones para acompanhar os preparativos da saída de Flávio.

O periódico também levanta questionamentos sobre a atuação de representantes americanos no aeroporto de Puerto Iguazú e sobre a possível utilização de estruturas ligadas à embaixada dos Estados Unidos para viabilizar o transporte.

As informações, porém, ainda dependem de esclarecimentos oficiais. O próprio jornal argentino reconhece que existem questões sem respostas sobre o grau de participação dos governos de Donald Trump e Javier Milei.

Deputados americanos cobram explicações

A suspeita de envolvimento de autoridades estrangeiras provocou questionamentos no Congresso dos Estados Unidos. Deputados do Partido Democrata encaminharam perguntas ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, para esclarecer se houve participação do governo Trump na organização da viagem.

Entre os pontos levantados estão uma eventual atuação da Casa Branca, a participação de funcionários americanos no Brasil, na Argentina e no Equador e as circunstâncias em que a família conseguiu deixar a região.

Os parlamentares estabeleceram 13 de novembro como prazo para que Rubio apresente as respostas.

O secretário de Estado, entretanto, negou que o governo americano tenha participado diretamente dos preparativos para a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Em declaração pública, afirmou que Donald Trump havia decidido autorizar a entrada do senador nos Estados Unidos, mas que a organização da viagem não foi realizada pelo Estado americano.

Viagem ocorre em meio a questionamentos judiciais

A saída de Flávio Bolsonaro aconteceu depois de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal e impôs restrições à saída do território brasileiro.

O parlamentar deixou o país acompanhado da mulher e das duas filhas, atravessou a fronteira com a Argentina e seguiu em aeronave particular, com escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos, em 28 de outubro.

A viagem também provocou questionamentos sobre o cumprimento da determinação judicial e sobre as circunstâncias em que o senador conseguiu deixar o Brasil.

O caso ganhou dimensão internacional diante das suspeitas de participação de agentes americanos e argentinos. Até o momento, porém, as informações sobre a operação descrita pelo Clarín não foram integralmente confirmadas pelas autoridades envolvidas.

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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil