Alerta enviado a aliado de Lula teria adiado saída de Flávio Bolsonaro para os EUA, revela Lauro Jardim
Fonte: correiogaucho.com.br | Data: 01/11/2026 22:59:19
| (Ricardo Arduengo/AFP) |
Mensagem recebida na madrugada teria antecipado informações sobre um voo particular que levaria o senador e sua família de Puerto Iguazú a Miami. Segundo a coluna de O Globo, a divulgação do plano na imprensa argentina alterou a programação da viagem.
Data: 1º de novembro de 2026
Redação Correio Gaúcho
Uma informação recebida da Argentina por um aliado próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria provocado uma mudança nos planos de viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos. A revelação foi publicada neste domingo (1º) pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo.
Segundo o relato, a mensagem chegou por WhatsApp às 23h50 de segunda-feira (26) e informava sobre a preparação de um avião particular que partiria de Puerto Iguazú, na Argentina, com destino a Miami, nos Estados Unidos.
O plano de voo mencionado indicava a presença de Flávio Bolsonaro, de sua esposa, Fernanda, e das duas filhas do casal. A decolagem estaria inicialmente prevista para as 2h30 da madrugada de terça-feira (27).
De acordo com a coluna, o alerta foi encaminhado por um interlocutor argentino que teria recebido informações de trabalhadores ligados a sindicatos peronistas.
Aliado de Lula teria acionado presidente e Polícia Federal
Conforme a apuração apresentada por Lauro Jardim, ao receber a informação, o aliado de Lula entrou em contato com o presidente da República, com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com outras autoridades.
A comunicação ocorreu poucas horas antes do horário previsto para a decolagem.
O relato indica que, diante da dificuldade de uma eventual intervenção naquele momento, o interlocutor argentino decidiu procurar o portal Infobae para divulgar as informações sobre o voo.
A exposição pública do itinerário teria provocado o adiamento da viagem inicialmente programada.
Segundo a coluna, Flávio Bolsonaro conseguiu deixar a região na noite seguinte, acompanhado da família.
Até o momento, não foram divulgadas publicamente as mensagens originais, o documento integral do plano de voo ou a identidade do aliado de Lula mencionado na reportagem.
Registros argentinos confirmaram a passagem da família
A saída do senador ganhou repercussão nacional e internacional depois que autoridades argentinas divulgaram informações sobre a movimentação migratória da família.
Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio, sua esposa e as duas filhas entraram no território argentino às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú.
Às 23h30, o grupo embarcou em uma aeronave particular operada pela empresa Baires Fly, inicialmente com destino informado a Guayaquil, no Equador.
Posteriormente, o avião seguiu para Miami, onde a família chegou na manhã de quarta-feira (28).
As informações foram confirmadas pela própria autoridade migratória argentina e divulgadas pela Agência Brasil.
PF investigava descumprimento de determinação judicial
A viagem ocorreu em meio a uma controvérsia judicial.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado medidas cautelares contra Flávio Bolsonaro, incluindo a proibição de deixar o território nacional e a entrega dos passaportes.
A determinação foi tomada após solicitação da Polícia Federal, que apontou risco de saída do país.
Segundo a Agência Brasil, a investigação envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas no âmbito da Petição 16.877, que também menciona o advogado e empresário Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro e o advogado negam irregularidades.
A Polícia Federal informou que os passaportes brasileiros do senador foram cancelados e que um alerta migratório foi inserido nos sistemas de controle de fronteiras.
A corporação também declarou que não encontrou registro oficial da saída do parlamentar pelos postos de controle migratório brasileiros e que investigava as circunstâncias do descumprimento da decisão judicial.
A PF fez uma ressalva importante: restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não tornam uma pessoa automaticamente foragida nem autorizam prisão.
Como Flávio conseguiu chegar aos Estados Unidos?
A viagem também levantou questionamentos sobre a logística utilizada para deixar a América do Sul.
Reportagens do New York Times e de outros veículos apontaram a participação de Jason Miller, assessor ligado ao presidente norte-americano Donald Trump, na organização da aeronave utilizada pelo senador e seus familiares.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o voo utilizou um jato Gulfstream G400, operado pela empresa argentina Baires Fly, com escala em Guayaquil antes de seguir para a Flórida.
A entrada da família nos Estados Unidos também ganhou repercussão depois de informações sobre uma autorização especial de permanência temporária.
Flávio posteriormente confirmou, em transmissão nas redes sociais, que decidiu deixar o Brasil depois de conversar com o pai, Jair Bolsonaro, e com a esposa.
O senador apresentou sua decisão como uma resposta ao que considera perseguição política. Essa interpretação é contestada por integrantes do governo e deve ser distinguida das medidas judiciais efetivamente determinadas.
O que ainda precisa ser esclarecido?
A revelação de Lauro Jardim acrescenta um novo elemento à cronologia da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
Entre os pontos que ainda exigem esclarecimentos estão:
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Quem era o aliado de Lula que recebeu a mensagem;
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Quem forneceu as informações sobre o plano de voo na Argentina;
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Se a divulgação pelo Infobae foi determinante para a mudança do horário da viagem;
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Quem participou efetivamente da organização e do financiamento do transporte aéreo;
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Quais documentos foram utilizados na travessia da fronteira e na entrada nos Estados Unidos.
Embora a passagem da família pela Argentina e o embarque na aeronave tenham sido confirmados por autoridades migratórias, a relação direta entre o alerta recebido pelo aliado de Lula e o adiamento do voo permanece baseada no relato publicado por Lauro Jardim.
Repercussão política ultrapassa as fronteiras brasileiras
O episódio amplia a repercussão internacional da disputa política brasileira após as eleições presidenciais de 2026.
A participação de interlocutores argentinos, a atuação de pessoas ligadas ao entorno de Donald Trump e as medidas determinadas pelo STF colocaram a viagem no centro de uma discussão que envolve relações diplomáticas, fiscalização de fronteiras e cumprimento de decisões judiciais.
O caso também levanta questionamentos sobre a circulação de informações entre autoridades brasileiras e interlocutores estrangeiros em situações envolvendo figuras políticas de grande projeção.
A apuração sobre as circunstâncias da saída do senador deverá ajudar a esclarecer quais pessoas participaram da operação, como a viagem foi organizada e se houve descumprimento de outras determinações judiciais.
Redação Correio Gaúcho
Editor: Cassiano Cortez
Fontes consultadas:
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O Globo – Lauro Jardim: O alerta a um aliado de Lula que adiou a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA.
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Agência Brasil: PF investiga circunstâncias da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil.
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Agência Brasil: Flávio Bolsonaro cruza fronteira argentina e segue para o Equador.
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CNN Brasil: PF diz que não registrou saída de Flávio em postos migratórios brasileiros.
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Metrópoles: Flávio Bolsonaro explica como decidiu ir com a família para os EUA.
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ISTOÉ: Alerta vindo da Argentina teria adiado saída de Flávio Bolsonaro para os EUA.