DIU ainda gera dúvidas entre mulheres; pesquisa revela os principais receios sobre o método
Fonte: correio24horas.com.br | Data: 02/11/2026 05:22:40
Levantamento com 317 entrevistadas aponta preocupações sobre deslocamento do dispositivo, dor na colocação e retirada e possíveis impactos na fertilidade
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Perla Ribeiro
Publicado em 2 de novembro de 2026 às 05:10

Apesar de ser um método contraceptivo conhecido, o dispositivo intrauterino (DIU) ainda desperta dúvidas e receios entre muitas mulheres. Uma pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest, a pedido da DKT South America, com 317 participantes entre 18 e 40 anos, identificou que 59% concordam ou concordam totalmente que o dispositivo pode se deslocar dentro do útero. Já 40% acreditam que a colocação e a retirada do método são dolorosas.
Os resultados também mostram que o conhecimento sobre o DIU nem sempre significa compreensão sobre seu funcionamento. Entre as entrevistadas, 26% concordam ou concordam totalmente com a afirmação de que não sabem bem como o método funciona. Para a ginecologista Larissa Cassiano, da DKT South America, os dados reforçam a importância de discutir as dúvidas individualmente durante as consultas. A especialista destaca que cada mulher pode ter uma experiência diferente com o procedimento e que o acompanhamento profissional ajuda a esclarecer o que acontece em cada etapa.
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“Quando uma mulher chega ao consultório com dúvidas sobre o DIU, é importante entender de onde vêm essas percepções e esclarecer cada questão de acordo com a realidade daquela paciente. O procedimento, por exemplo, pode envolver diferentes experiências, e o profissional pode explicar o que acontece em cada etapa, quais cuidados são necessários e o que pode ser esperado. Informação de qualidade ajuda a mulher a avaliar o método com mais segurança e a partir da sua própria realidade”, afirma.
DIU pode prejudicar a fertilidade?
A associação entre o uso do DIU e possíveis prejuízos à fertilidade aparece com menor frequência entre as entrevistadas. Apenas 11% concordam ou concordam totalmente com a afirmação de que o dispositivo pode prejudicar a capacidade de engravidar. Uma parcela maior das participantes discorda dessa possibilidade.
A diferença entre os resultados mostra que os receios não são iguais entre as mulheres. Enquanto o possível deslocamento do dispositivo e a dor durante a colocação e a retirada apresentam níveis mais elevados de concordância, a relação entre o método e a infertilidade aparece entre as preocupações menos frequentes.
Relatos de outras mulheres
As experiências compartilhadas por amigas, familiares e outras mulheres também podem influenciar a maneira como o DIU é percebido. Entre as entrevistadas que já ouviram relatos sobre o dispositivo de cobre, 65% afirmam ter recebido experiências positivas e negativas. Outras 26% dizem ter ouvido apenas relatos positivos, enquanto 9% tiveram contato predominantemente com experiências negativas.
Para Larissa Cassiano, essas conversas são importantes, mas precisam ser consideradas com cautela, já que cada paciente tem características e necessidades próprias. “Conversas entre amigas, familiares e outras mulheres são importantes e fazem parte da troca de experiências, mas cada paciente tem uma história, um organismo e necessidades diferentes. Por isso, uma experiência vivida por outra pessoa não deve ser usada como parâmetro único para decidir sobre um método contraceptivo. A consulta é justamente o espaço para separar dúvidas individuais de informações gerais e entender o que se aplica a cada caso”, explica.
Conhecer o DIU não significa considerar seu uso
Outro dado do levantamento chama atenção para a diferença entre conhecer o método e ter interesse em utilizá-lo. Embora 72% das entrevistadas afirmem conhecer o DIU de cobre ou cobre com prata, apenas 21% dizem que considerariam usar ou utilizariam novamente essa opção.
Segundo a ginecologista, a escolha de um método contraceptivo deve considerar as particularidades de cada mulher, seus objetivos reprodutivos, o histórico de saúde e suas preferências. “A contracepção envolve uma decisão muito individual. Não é necessário que todas as mulheres tenham a mesma percepção ou preferência em relação a um método. O mais importante é que elas conheçam as alternativas, tenham espaço para esclarecer suas dúvidas e possam decidir de maneira consciente, considerando seus objetivos reprodutivos, histórico de saúde e preferências”, afirma.
Os resultados reforçam a importância do acesso à informação qualificada e do diálogo com profissionais de saúde na escolha de métodos contraceptivos. Conhecer as alternativas disponíveis e esclarecer dúvidas durante a consulta são passos importantes para que cada mulher tome decisões com autonomia sobre a própria saúde reprodutiva.
