Defesa de Flávio Bolsonaro pede saída de Moraes de investigação e transferência do caso a Mendonça
Fonte: brasil247.com | Data: 02/11/2026 16:03:36
247 – A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar afastar o ministro Alexandre de Moraes da investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Os advogados pedem que a relatoria seja transferida ao ministro André Mendonça e que sejam revogadas as medidas cautelares impostas ao senador após sua derrota na eleição presidencial, incluindo a proibição de contato com Tomaz e as restrições ao uso de passaportes.
Segundo o jornal O Globo, os pedidos foram formalizados em três petições apresentadas na sexta-feira (30). Duas delas foram encaminhadas ao presidente do STF, Edson Fachin, para contestar a permanência de Moraes na condução do inquérito. A terceira, dirigida ao próprio ministro, solicita a revisão das medidas restritivas determinadas contra Flávio.
A principal alegação da defesa é que André Mendonça já supervisiona investigações relacionadas a Willer Tomaz no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os advogados sustentam que os elementos que deram origem à investigação sobre Flávio foram identificados em procedimentos anteriores envolvendo Tomaz e empresas associadas a ele. Por essa razão, consideram que Mendonça teria competência para assumir o caso em razão da conexão entre as apurações.
“Todos os elementos dos autos convergem para a prevenção do Exmo. Ministro André Mendonça. Sua Excelência supervisiona, desde agosto de 2025, a Operação Sem Desconto e, desde 17.07.26, a Petição nº 16.435/DF, que apura a mesma estrutura atribuída a Willer Tomaz, descrita pela Polícia Federal como ‘hub financeiro, patrimonial e logístico’ de lavagem de capitais”, afirma a defesa.
Defesa aponta possível conflito de interesses envolvendo aeronave
Outra iniciativa dos advogados busca o reconhecimento do impedimento ou, alternativamente, da suspeição de Alexandre de Moraes. A argumentação envolve uma aeronave utilizada pelo ministro e vinculada a uma empresa que aparece nas investigações da Polícia Federal.
De acordo com a reportagem, os investigadores identificaram uma viagem realizada em janeiro de 2025 por Flávio Bolsonaro, sua mulher, duas filhas e Willer Tomaz. O grupo saiu de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com destino a Brasília, em um jato Legacy 650, de prefixo PP-NLR.
A aeronave pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., empresa que tinha Willer Tomaz entre seus sócios. Uma terceira participação societária foi adquirida pela Prime You, companhia da qual o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, também foi sócio.
A defesa afirma que cotas da empresa proprietária do avião teriam sido destinadas ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, em uma negociação relacionada a contratos com o Banco Master.
Na avaliação dos advogados, a existência desses possíveis vínculos patrimoniais e jurídicos justificaria o afastamento de Moraes, uma vez que o inquérito alcança operações financeiras e empresas relacionadas à aeronave.
A petição ressalva, entretanto, que a defesa não está afirmando que o ministro tenha agido ou possa agir motivado por interesses particulares. O pedido se fundamenta na necessidade, alegada pelos advogados, de preservar a imparcialidade da investigação diante de um possível conflito de interesses.
Flávio tenta reverter proibição de contato com Willer Tomaz
Além da disputa pela relatoria, a defesa procura derrubar as restrições determinadas por Moraes após o segundo turno da eleição presidencial.
Na decisão contestada, o ministro determinou o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio Bolsonaro, a entrega de documentos de viagem emitidos por outras nacionalidades e a proibição de manter contato com Willer Tomaz.
Os advogados argumentam que os elementos apresentados pela Polícia Federal não comprovam a participação do senador em atividades criminosas e seriam insuficientes para sustentar as medidas cautelares.
Entre os fatos questionados pela defesa estão a identificação de Flávio Bolsonaro como contato favorito de Willer em um aplicativo de mensagens e o pagamento de passagens aéreas do parlamentar pelo advogado.
Segundo a argumentação apresentada ao STF, essas circunstâncias são explicadas pela relação de amizade entre os dois e não demonstram, isoladamente, envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro.