Ibovespa em queda: é hora de comprar?
Fonte: ric.com.br | Data: 03/11/2026 11:09:05
Acompanhamos, na semana passada, a forte queda do Ibovespa, desencadeada principalmente após o resultado do 2º turno das eleições presidenciais. Somente na 2ª feira após a divulgação do resultado eleitoral – dia 26/10/26 – o índice Bovespa (IBOV) registrou queda de13,88%. E a semana passada terminou com uma queda expressiva de 18,12%. Com uma desvalorização tão forte em um curto espaço de tempo, a pergunta que mais recebo dos meus clientes é: Ibovespa em queda: é hora de comprar? Vamos entender.
Motivo da queda: compra no boato e vende no fato
O atual governo tem apresentado, ao longo dos últimos quatro anos principalmente, um aumento no gasto público, o que tem impactado negativamente na relação dívida pública/PIB. Em setembro 2026, essa relação alcançou 82,9%. Ou seja, o total da dívida pública corresponde a 82,9% de tudo o que o Brasil produz. E a tendência é de que esse aumento continue, principalmente com os juros básicos da economia (Taxa SELIC) no atual patamar de 13,75% ao ano.
No primeiro turno das eleições – dia 04/10/26, com a vitória do candidato à presidência de oposição, criou-se uma expectativa de mudança em como o novo governo federal iria administrar seus gastos: expectativa que iria reduzi-los. E como nunca, desde a promulgação da Constituição de 1988, um candidato que ganhou as eleições presidenciais no 1º turno havia perdido no 2º, uma parte importante dos participantes ou investidores passou a considerar uma vitória da oposição, e consequentemente uma possível mudança na política fiscal, o que não aconteceu.
Isso me lembra a famosa expressão: “compra no boato e vende no fato”.
Relação dívida pública / PIB
A dívida pública ou Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) é o total que os governos federal, estadual, municipal e INSS devem aos seus credores. Lembre-se: quando você investe em um título público – o Tesouro Direto – você empresta dinheiro ao governo, que se compromete a devolver o montante inicial acrescido de juros.
O PIB – Produto Interno Bruto é a soma de toda a riqueza produzida por um país.
Assim a relação dívida pública/PIB é muito simples de se entender: ela compara o total da dívida do governo com o tamanho da nossa economia. Pensa em você mesmo: se você gastar mais do que ganha de salário, provavelmente vai ficar endividado, e vai ficar cada vez mais difícil pagar as suas dívidas. A lógica de preocupação com o aumento do endividamento do governo é semelhante.
O aumento consistente dos gastos públicos do governo cria uma expectativa negativo sobre a capacidade dele em cobrir esses gastos.
Para melhorar esse resultado fiscal, o governo pode aumentar a sua arrecadação ou receitas, diminuir ou controlar os gastos, ou combinar essas duas medidas.
Nova política econômica
Hoje, o mercado financeira brasileiro entra em modo de espera para saber quais serão os próximos passos que o governo reeleito tomará para tentar reduzir a dívida pública. Os de maior destaque são:
*) Novo ministro da fazenda. A escolha de uma pessoa com forte bagagem técnica e centrada em ajustes fiscais e redução de gastos é a mais esperada;
*) Nova equipe de diretores do Banco Central (BaCen). Parte do mercado teme que o governo, que poderá indicar 6 novos nomes até o final de 2027, escolha uma equipe mais tolerante com a inflação – maior flexibilização da meta que está em 3,00%. Já outros analistas consideram possível a escolha de nomes comprometidos com a atual meta.
Mas afinal, e sobre as ações Bovespa: é hora de comprar? Vamos ver o que o gráfico de preços para o índice Bovespa (IBOV) nos responde:
Vemos no gráfico semanal a seguir para o índice Bovespa a Vista (IBOV) que o forte movimento de baixa da semana passada (ver seta) puxou os preços para a importante região de suporte em 165.035. Essa região é importante, por ser uma antiga resistência rompida que agora atua como suporte (ver setas para esse movimento).
- Leia mais em: Quando o barato fica caro no mercado financeiro
E os preços também encontram suporte em uma região um pouco mais acima, que está em 167.657. Ambas podem sim indicar, pelo menos uma correção de alta.
Ainda não há nenhum padrão gráfico – de análise técnica – que indique uma potencial retomada da força dos compradores nessa região. Um fechamento diário acima da resistência de curto prazo em 169.550 poderá indicar pelo menos uma correção de alta, até pelo menos 178.150.
ATENÇÃO: um fechamento semanal abaixo de 165.035 poderá indicar a continuação da força atual dos vendedores até pelo menos 150.600.
Conclusão
Realmente o gráfico de preços – análise técnica – não mostra neste momento nenhum padrão gráfico que indique uma alteração da percepção de baixa dominante.
Mas mesmo com esse viés de baixa, não considero uma boa ideia abrir novas vendas, enquanto os preços continuarem acima das importantes zonas de suporte mencionadas anteriormente.
Por isso que a minha recomendação neste momento é esperar a formação de sinais claros de que os compradores retomaram controle, ou de continuação da força dos vendedores (reveja a análise técnica acima)
Destaco que continuarei a monitorar as ações individualmente, para a identificação de potenciais novas oportunidades de compra.
“Um bom investidor pensa primeiro no risco, depois no ganho” – Alexandre Ragozzino
Bons investimentos.
Obrigado por ler minha coluna até aqui. Todas as análises e estratégias que compartilho no portal Ric seguem rigorosamente os mais altos padrões de ética e transparência do mercado. Sou analista certificado CNPI-T, Consultor de Valores Mobiliários e sócio fundador da Verus Capital, a mais nova casa de análises (research) do mercado financeiro devidamente credenciada e certificada pela APIMEC. Esta análise tem caráter educacional, e não constitui uma recomendação de compra e/ou de venda do ativo analisado. Clique aqui e conheça mais sobre o nosso trabalho.