Farmácia: diferenças entre revisões – Wikipédia, a enciclopédia livre
Fonte: pt.wikipedia.org | Data: 03/11/2026 11:38:26
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{{Ver desambig|este=a ciência e a prática da farmácia|o estabelecimento que vende medicamentos (farmácia comunitária)|Farmácia (estabelecimento)|o profissional de saúde|Farmacêutico}} |
{{Ver desambig|este=a ciência e a prática da farmácia|o estabelecimento que vende medicamentos (farmácia comunitária)|Farmácia (estabelecimento)|o profissional de saúde|Farmacêutico}} |
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[[Imagem:Siglăfarmacii.png|miniatura|224px|direita|O [[cálice de Hígia]] e a cruz verde, símbolos associados à farmácia]] |
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”’Farmácia”’ é a área das [[ciências da saúde]] que estuda os [[fármaco]]s e os [[medicamento]]s, desde a obtenção e a produção até o uso pelo paciente, e o exercício profissional que dela decorre.<ref name=”Priberam”>{{citar web |url=https://dicionario.priberam.org/farm%C3%A1cia |título=farmácia |obra=Dicionário Priberam da Língua Portuguesa |acessodata=2026-11-02}}</ref><ref name=”DCN2017″>{{citar web |url=https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/resolucoes-do-cne/ces/2017/rces006_17.pdf |título=Resolução CNE/CES nº 6, de 19 de outubro de 2017: institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia |publicado=Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação |data=2017-10-19 |acessodata=2026-11-02 |wayb=20260315001515}}</ref> Reúne conhecimentos de química, biologia e ciências da saúde, aplicados à descoberta e ao controle dos fármacos, à formulação dos medicamentos, ao estudo da sua ação no organismo e ao cuidado das pessoas que os utilizam.<ref name=”DCN2017″/> |
”’Farmácia”’ é a área das [[ciências da saúde]] que estuda os [[fármaco]]s e os [[medicamento]]s, desde a obtenção e a produção até o uso pelo paciente, e o exercício profissional que dela decorre.<ref name=”Priberam”>{{citar web |url=https://dicionario.priberam.org/farm%C3%A1cia |título=farmácia |obra=Dicionário Priberam da Língua Portuguesa |acessodata=2026-11-02}}</ref><ref name=”DCN2017″>{{citar web |url=https://www.gov.br/mec/pt-br/cne/pdf/resolucoes-do-cne/ces/2017/rces006_17.pdf |título=Resolução CNE/CES nº 6, de 19 de outubro de 2017: institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia |publicado=Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação |data=2017-10-19 |acessodata=2026-11-02 |wayb=20260315001515}}</ref> Reúne conhecimentos de química, biologia e ciências da saúde, aplicados à descoberta e ao controle dos fármacos, à formulação dos medicamentos, ao estudo da sua ação no organismo e ao cuidado das pessoas que os utilizam.<ref name=”DCN2017″ /> |
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O profissional formado na área é o [[farmacêutico]], que trabalha sobretudo em farmácias comunitárias, hospitais e na indústria farmacêutica, além de laboratórios de análises clínicas, órgãos de regulação e instituições de ensino.<ref name=”FIP-FS”>{{citar web |url=https://www.fip.org/files/content/getinvolved/wpd2025/WPD_Factsheet_02.pdf |título=Pharmacy workforce in numbers |publicado=International Pharmaceutical Federation |ano=2025 |língua=en |acessodata=2026-11-02 |wayb=20251206144610}}</ref><ref name=”CFF572″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/572.pdf |título=Resolução nº 572, de 25 de abril de 2013: dispõe sobre a regulamentação das especialidades farmacêuticas, por linhas de atuação |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2013-04-25 |acessodata=2026-11-02}}</ref> A palavra também designa o estabelecimento onde se preparam ou vendem medicamentos, tema tratado em [[Farmácia (estabelecimento)]].<ref name=”Priberam”/> |
O profissional formado na área é o [[farmacêutico]], que trabalha sobretudo em farmácias comunitárias, hospitais e na indústria farmacêutica, além de laboratórios de análises clínicas, órgãos de regulação e instituições de ensino.<ref name=”FIP-FS”>{{citar web |url=https://www.fip.org/files/content/getinvolved/wpd2025/WPD_Factsheet_02.pdf |título=Pharmacy workforce in numbers |publicado=International Pharmaceutical Federation |ano=2025 |língua=en |acessodata=2026-11-02 |wayb=20251206144610}}</ref><ref name=”CFF572″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/572.pdf |título=Resolução nº 572, de 25 de abril de 2013: dispõe sobre a regulamentação das especialidades farmacêuticas, por linhas de atuação |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2013-04-25 |acessodata=2026-11-02}}</ref> A palavra também designa o estabelecimento onde se preparam ou vendem medicamentos, tema tratado em [[Farmácia (estabelecimento)]].<ref name=”Priberam” /> |
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== Etimologia == |
== Etimologia == |
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“Farmácia” vem do latim tardio ”pharmacia”, derivado do grego ”pharmakeía”.<ref name=”Priberam”/> A raiz é o grego ”phármakon”, que podia designar ao mesmo tempo “remédio” e “veneno”, duplo sentido ligado à concepção mágica da doença e da cura entre os povos do [[Crescente Fértil]]; com a filosofia grega, o termo foi perdendo esse sentido sobrenatural.<ref name=”MUFA”>{{citar web |url=https://museudouniversodafarmacia.com.br/acervo/linha-do-tempo/pharmakon/ |título=Phármakon |obra=Museu do Universo da Farmácia |acessodata=2026-11-02 |wayb=20261004194833}}</ref><ref name=”SD”>{{citar livro |último=Dias |primeiro=José Pedro Sousa |título=A Farmácia e a História: uma introdução à História da Farmácia, da Farmacologia e da Terapêutica |local=Lisboa |publicado=Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa |ano=2005 |url=https://leg.ufpi.br/subsiteFiles/lapnex/arquivos/files/Farmacia-e-Historia.pdf |acessodata=2026-11-02 |wayb=20240617152408}}</ref>{{Rp|10}} Em português, a palavra tem quatro sentidos principais: o estudo das substâncias para a preparação de medicamentos, o estabelecimento que os prepara ou vende (também chamado [[botica]]), o exercício da profissão de farmacêutico e uma coleção de medicamentos.<ref name=”Priberam”/> |
“Farmácia” vem do latim tardio ”pharmacia”, derivado do grego ”pharmakeía”.<ref name=”Priberam” /> A raiz é o grego ”phármakon”, que podia designar ao mesmo tempo “remédio” e “veneno”, duplo sentido ligado à concepção mágica da doença e da cura entre os povos do [[Crescente Fértil]]; com a filosofia grega, o termo foi perdendo esse sentido sobrenatural.<ref name=”MUFA”>{{citar web |url=https://museudouniversodafarmacia.com.br/acervo/linha-do-tempo/pharmakon/ |título=Phármakon |obra=Museu do Universo da Farmácia |acessodata=2026-11-02 |wayb=20261004194833}}</ref><ref name=”SD”>{{citar livro |último=Dias |primeiro=José Pedro Sousa |título=A Farmácia e a História: uma introdução à História da Farmácia, da Farmacologia e da Terapêutica |local=Lisboa |publicado=Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa |ano=2005 |url=https://leg.ufpi.br/subsiteFiles/lapnex/arquivos/files/Farmacia-e-Historia.pdf |acessodata=2026-11-02 |wayb=20240617152408}}</ref>{{Rp|10}} Em português, a palavra tem quatro sentidos principais: o estudo das substâncias para a preparação de medicamentos, o estabelecimento que os prepara ou vende (também chamado [[botica]]), o exercício da profissão de farmacêutico e uma coleção de medicamentos.<ref name=”Priberam” /> |
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== História == |
== História == |
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{{Artigo principal|História da farmácia}} |
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[[Imagem:Pietro Longhi – The Apothecary – WGA13411.jpg|miniaturadaimagem|”O Boticário”, de [[Pietro Longhi]] (c. 1752)]] |
[[Imagem:Pietro Longhi – The Apothecary – WGA13411.jpg|miniaturadaimagem|”O Boticário”, de [[Pietro Longhi]] (c. 1752)]] |
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O uso de plantas, minerais e produtos animais como remédio é anterior à escrita. O documento farmacêutico mais antigo conhecido é uma tabuinha [[suméria]] do fim do terceiro milênio a.C., com quinze receitas, e o ”[[Papiro Ebers]]”, de cerca de 1550 |
O uso de plantas, minerais e produtos animais como remédio é anterior à escrita. O documento farmacêutico mais antigo conhecido é uma tabuinha [[suméria]] do fim do terceiro milênio a.C., com quinze receitas, e o ”[[Papiro Ebers]]”, de cerca de {{AC|1550|x}}, reúne mais de 800 fórmulas.<ref name=”SD” />{{Rp|8–10}} Na Antiguidade greco-romana, [[Dioscórides]] descreveu cerca de 600 plantas na obra ”[[Sobre Material Médico]]”, referência até o {{séc|XVIII}}, e [[Galeno]] sistematizou a classificação dos medicamentos que dominou o Ocidente até o {{séc|XVII}}.<ref name=”SD” />{{Rp|17–18}} |
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A separação entre a farmácia e a medicina começou no mundo árabe, onde surgiram em [[Bagdá]], a partir do {{séc|VIII}}, estabelecimentos de venda de drogas e um profissional preparado para o ofício. Na Europa, foi fixada em lei a partir do {{séc|XII}}; o texto mais conhecido é o Édito de Melfi, de 1240, pelo qual [[Frederico II do Sacro Império Romano-Germânico|Frederico II]] proibiu a sociedade entre médicos e farmacêuticos e instituiu a inspeção das boticas.<ref name=”SD”/>{{Rp|28, 31, 33}} |
A separação entre a farmácia e a medicina começou no mundo árabe, onde surgiram em [[Bagdá]], a partir do {{séc|VIII}}, estabelecimentos de venda de drogas e um profissional preparado para o ofício. Na Europa, foi fixada em lei a partir do {{séc|XII}}; o texto mais conhecido é o Édito de Melfi, de 1240, pelo qual [[Frederico II do Sacro Império Romano-Germânico|Frederico II]] proibiu a sociedade entre médicos e farmacêuticos e instituiu a inspeção das boticas.<ref name=”SD” />{{Rp|28, 31, 33}} |
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No {{séc|XIX}}, a química permitiu isolar os princípios ativos das plantas, como a [[morfina]] (1806) e a [[quinina]] (1820), e depois sintetizar fármacos, o que deu origem à [[indústria farmacêutica]]; no mesmo período, o ensino passou das boticas para escolas e universidades.<ref name=”SD”/>{{Rp|64, 68}} Com a produção industrial, o farmacêutico deslocou-se da manipulação para a dispensação, o [[controle de qualidade]] e, a partir de 1990, para o cuidado centrado no paciente, a [[atenção farmacêutica]].<ref name=”Hepler”>{{citar periódico |último=Hepler |primeiro=Charles D. |último2=Strand |primeiro2=Linda M. |título=Opportunities and responsibilities in pharmaceutical care |periódico=American Journal of Hospital Pharmacy |volume=47 |
No {{séc|XIX}}, a química permitiu isolar os princípios ativos das plantas, como a [[morfina]] (1806) e a [[quinina]] (1820), e depois sintetizar fármacos, o que deu origem à [[indústria farmacêutica]]; no mesmo período, o ensino passou das boticas para escolas e universidades.<ref name=”SD” />{{Rp|64, 68}} Com a produção industrial, o farmacêutico deslocou-se da manipulação para a dispensação, o [[controle de qualidade]] e, a partir de 1990, para o cuidado centrado no paciente, a [[atenção farmacêutica]].<ref name=”Hepler”>{{citar periódico |último=Hepler |primeiro=Charles D. |último2=Strand |primeiro2=Linda M. |título=Opportunities and responsibilities in pharmaceutical care |periódico=American Journal of Hospital Pharmacy |volume=47|número=3 |páginas=533–543|ano=1990 |pmid=2316538 |língua=en}}</ref> |
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Em Portugal, as Escolas de Farmácia foram criadas em 1836 e se tornaram faculdades em 1921.<ref name=”SD”/>{{Rp|68–71}} No Brasil, a primeira cadeira de farmácia foi criada no Rio de Janeiro em 1809, o curso de farmácia anexo às escolas de medicina da Bahia e do Rio de Janeiro em 1832, e a primeira escola autônoma, em [[Ouro Preto]], em 1839.<ref name=”Helou”>{{citar periódico |último=Helou |primeiro=João Haikal |título=Evolução da farmacotécnica no Brasil |periódico=Revista da Universidade de São Paulo |número=3 |páginas=103–116 |
Em Portugal, as Escolas de Farmácia foram criadas em 1836 e se tornaram faculdades em 1921.<ref name=”SD” />{{Rp|68–71}} No Brasil, a primeira cadeira de farmácia foi criada no Rio de Janeiro em 1809, o curso de farmácia anexo às escolas de medicina da Bahia e do Rio de Janeiro em 1832, e a primeira escola autônoma, em [[Ouro Preto]], em 1839.<ref name=”Helou”>{{citar periódico |último=Helou |primeiro=João Haikal |título=Evolução da farmacotécnica no Brasil |periódico=Revista da Universidade de São Paulo |número=3 |páginas=103–116|data=dezembro de 1986 |url=https://revistas.usp.br/rusp/article/view/132206 |acessodata=2026-11-02}}</ref>{{Rp|111}} |
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== Áreas do conhecimento == |
== Áreas do conhecimento == |
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As ciências farmacêuticas abrangem disciplinas que vão da molécula ao paciente. As que constam das Diretrizes Curriculares Nacionais brasileiras de 2017 podem ser reunidas em quatro grupos; as diretrizes incluem ainda as análises clínicas e toxicológicas, a genética e a [[biologia molecular]] e as análises de água, alimentos, cosméticos e saneantes.<ref name=”DCN2017″/> |
As ciências farmacêuticas abrangem disciplinas que vão da molécula ao paciente. As que constam das Diretrizes Curriculares Nacionais brasileiras de 2017 podem ser reunidas em quatro grupos; as diretrizes incluem ainda as análises clínicas e toxicológicas, a genética e a [[biologia molecular]] e as análises de água, alimentos, cosméticos e saneantes.<ref name=”DCN2017″ /> |
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* ”’Ciências do fármaco”’: [[química farmacêutica]] e [[química medicinal]], [[farmacognosia]] e química de produtos naturais, que estudam a origem, a estrutura e a obtenção das substâncias ativas, sejam sintéticas, sejam de origem vegetal, animal ou mineral, além da [[fitoterapia]] e da [[homeopatia]].<ref name=”DCN2017″/> |
* ”’Ciências do fármaco”’: [[química farmacêutica]] e [[química medicinal]], [[farmacognosia]] e química de produtos naturais, que estudam a origem, a estrutura e a obtenção das substâncias ativas, sejam sintéticas, sejam de origem vegetal, animal ou mineral, além da [[fitoterapia]] e da [[homeopatia]].<ref name=”DCN2017″ /> |
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* ”’Ciências do medicamento”’: [[farmacotécnica]], [[tecnologia farmacêutica]] e controle e garantia da qualidade, que tratam da transformação do fármaco em [[forma farmacêutica]], em escala magistral ou industrial, e da verificação de insumos, processos e produtos.<ref name=”DCN2017″/> |
* ”’Ciências do medicamento”’: [[farmacotécnica]], [[tecnologia farmacêutica]] e controle e garantia da qualidade, que tratam da transformação do fármaco em [[forma farmacêutica]], em escala magistral ou industrial, e da verificação de insumos, processos e produtos.<ref name=”DCN2017″ /> |
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* ”’Ciências da ação dos medicamentos”’: [[farmacologia]], farmacologia clínica e [[toxicologia]], que estudam os efeitos dos fármacos e dos tóxicos no organismo.<ref name=”DCN2017″/> |
* ”’Ciências da ação dos medicamentos”’: [[farmacologia]], farmacologia clínica e [[toxicologia]], que estudam os efeitos dos fármacos e dos tóxicos no organismo.<ref name=”DCN2017″ /> |
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* ”’Ciências da prática farmacêutica”’: [[assistência farmacêutica]], [[farmácia clínica]], farmacoepidemiologia, [[farmacoeconomia]] e [[farmacovigilância]], voltadas para o uso dos medicamentos pelas pessoas e pelos sistemas de saúde, junto com a deontologia e a legislação sanitária e profissional.<ref name=”DCN2017″/> |
* ”’Ciências da prática farmacêutica”’: [[assistência farmacêutica]], [[farmácia clínica]], farmacoepidemiologia, [[farmacoeconomia]] e [[farmacovigilância]], voltadas para o uso dos medicamentos pelas pessoas e pelos sistemas de saúde, junto com a deontologia e a legislação sanitária e profissional.<ref name=”DCN2017″ /> |
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Algumas dessas disciplinas têm raízes antigas. O médico grego [[Dioscórides]], autor de ”[[Sobre Material Médico]]”, é considerado o fundador da farmacognosia, o estudo das drogas de origem natural.<ref name=”SD”/>{{Rp|17–18}} A expressão farmácia galênica, usada para a técnica de preparar medicamentos, vem de [[Galeno]] e designava a farmácia tradicional baseada em substâncias de origem vegetal e animal.<ref name=”SD”/>{{Rp|18, 56}} Já a farmacologia experimental nasceu no {{séc|XIX}}: Rudolf Buchheim fundou em [[Tartu|Dorpat]] o primeiro laboratório e instituto de farmacologia, e o seu discípulo [[Oswald Schmiedeberg]] formou em [[Estrasburgo]] mais de 150 farmacologistas.<ref name=”SD”/>{{Rp|65}} |
Algumas dessas disciplinas têm raízes antigas. O médico grego [[Dioscórides]], autor de ”[[Sobre Material Médico]]”, é considerado o fundador da farmacognosia, o estudo das drogas de origem natural.<ref name=”SD” />{{Rp|17–18}} A expressão farmácia galênica, usada para a técnica de preparar medicamentos, vem de [[Galeno]] e designava a farmácia tradicional baseada em substâncias de origem vegetal e animal.<ref name=”SD” />{{Rp|18, 56}} Já a farmacologia experimental nasceu no {{séc|XIX}}: Rudolf Buchheim fundou em [[Tartu|Dorpat]] o primeiro laboratório e instituto de farmacologia, e o seu discípulo [[Oswald Schmiedeberg]] formou em [[Estrasburgo]] mais de 150 farmacologistas.<ref name=”SD” />{{Rp|65}} |
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== Campos de atuação == |
== Campos de atuação == |
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[[Ficheiro:Inneres einer historischen Apotheke.jpg|direita| |
[[Ficheiro:Inneres einer historischen Apotheke.jpg|direita|miniatura|Interior de uma farmácia histórica]] |
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Segundo a [[Federação Internacional Farmacêutica]] (FIP), segundo dados publicados em 2025, havia cerca de 5,57 milhões de farmacêuticos registrados ou licenciados em 83 países, com média de 9,55 por 10 mil habitantes. A maior parte trabalha em farmácia comunitária (cerca de 77%), seguida dos hospitais (10%) e da indústria farmacêutica (4%); a proporção varia muito entre regiões, e na Europa apenas 6% dos farmacêuticos atuam em hospitais.<ref name=”FIP-FS”/> Por região, a Europa tem a maior proporção de farmacêuticos em farmácia comunitária (cerca de 70%), a África a maior proporção em hospitais (cerca de 20%) e as Américas uma participação notável na indústria (cerca de 40%). As mulheres são 65% dos farmacêuticos no mundo, proporção que deve chegar a 69% até 2030, e a FIP contava ainda 678 mil técnicos de farmácia em 35 países.<ref name=”FIP-WF”>{{citar web |url=https://www.fip.org/files/content/publications/2025/FINAL_VF-CH2A_Global_pharmacy_workforce_review.pdf |título=Global pharmacy workforce review |publicado=International Pharmaceutical Federation |ano=2025 |língua=en |acessodata=2026-11-03 |wayb=20251123065627}}</ref> A densidade média é de 12,1 farmacêuticos por 10 mil habitantes nos países de alta renda e de 3,8 nos de baixa renda.<ref name=”FIP-FS”/> |
Segundo a [[Federação Internacional Farmacêutica]] (FIP), segundo dados publicados em 2025, havia cerca de 5,57 milhões de farmacêuticos registrados ou licenciados em 83 países, com média de 9,55 por 10 mil habitantes. A maior parte trabalha em farmácia comunitária (cerca de 77%), seguida dos hospitais (10%) e da indústria farmacêutica (4%); a proporção varia muito entre regiões, e na Europa apenas 6% dos farmacêuticos atuam em hospitais.<ref name=”FIP-FS” /> Por região, a Europa tem a maior proporção de farmacêuticos em farmácia comunitária (cerca de 70%), a África a maior proporção em hospitais (cerca de 20%) e as Américas uma participação notável na indústria (cerca de 40%). As mulheres são 65% dos farmacêuticos no mundo, proporção que deve chegar a 69% até 2030, e a FIP contava ainda 678 mil técnicos de farmácia em 35 países.<ref name=”FIP-WF”>{{citar web |url=https://www.fip.org/files/content/publications/2025/FINAL_VF-CH2A_Global_pharmacy_workforce_review.pdf |título=Global pharmacy workforce review |publicado=International Pharmaceutical Federation |ano=2025 |língua=en |acessodata=2026-11-03 |wayb=20251123065627}}</ref> A densidade média é de 12,1 farmacêuticos por 10 mil habitantes nos países de alta renda e de 3,8 nos de baixa renda.<ref name=”FIP-FS” /> |
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No Brasil, o [[Conselho Federal de Farmácia]] (CFF) agrupa as especialidades farmacêuticas em dez linhas de atuação: alimentos; análises clínico-laboratoriais; educação; farmácia; farmácia hospitalar e clínica; farmácia industrial; gestão; práticas integrativas e complementares; saúde pública; e toxicologia.<ref name=”CFF572″/> Em 2024, o conselho contava mais de 140 especialidades regulamentadas dentro dessas linhas.<ref name=”CFF140″>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/18/11/2024/farmaceuticos-podem-atuar-em-mais-de-140-especialidades |título=Farmacêuticos podem atuar em mais de 140 especialidades |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-11-18 |acessodata=2026-11-02 |wayb=20260701014048}}</ref> |
No Brasil, o [[Conselho Federal de Farmácia]] (CFF) agrupa as especialidades farmacêuticas em dez linhas de atuação: alimentos; análises clínico-laboratoriais; educação; farmácia; farmácia hospitalar e clínica; farmácia industrial; gestão; práticas integrativas e complementares; saúde pública; e toxicologia.<ref name=”CFF572″ /> Em 2024, o conselho contava mais de 140 especialidades regulamentadas dentro dessas linhas.<ref name=”CFF140″>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/18/11/2024/farmaceuticos-podem-atuar-em-mais-de-140-especialidades |título=Farmacêuticos podem atuar em mais de 140 especialidades |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-11-18 |acessodata=2026-11-02 |wayb=20260701014048}}</ref> |
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Desde o fim do {{séc|XX}}, a prática nas farmácias e nos hospitais tem se voltado para o paciente. O conceito de ”pharmaceutical care”, proposto por Charles Hepler e Linda Strand em 1990 e traduzido no Brasil como [[atenção farmacêutica]], define a responsabilidade do farmacêutico pelos resultados da farmacoterapia e pela prevenção dos problemas relacionados aos medicamentos.<ref name=”Hepler”/> As diretrizes brasileiras de 2017 incluem entre as competências do farmacêutico o acolhimento do paciente, a anamnese farmacêutica e o acompanhamento das ações em saúde.<ref name=”DCN2017″/> |
Desde o fim do {{séc|XX}}, a prática nas farmácias e nos hospitais tem se voltado para o paciente. O conceito de ”pharmaceutical care”, proposto por Charles Hepler e Linda Strand em 1990 e traduzido no Brasil como [[atenção farmacêutica]], define a responsabilidade do farmacêutico pelos resultados da farmacoterapia e pela prevenção dos problemas relacionados aos medicamentos.<ref name=”Hepler” /> As diretrizes brasileiras de 2017 incluem entre as competências do farmacêutico o acolhimento do paciente, a anamnese farmacêutica e o acompanhamento das ações em saúde.<ref name=”DCN2017″ /> |
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=== Prescrição farmacêutica === |
=== Prescrição farmacêutica === |
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{{Artigo principal|Farmacêutico#Prescrição farmacêutica}} |
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Em vários países, os farmacêuticos podem prescrever medicamentos dentro de limites fixados em lei, e a FIP recomenda que as legislações permitam a prescrição segundo protocolos.<ref name=”FIP-WF”/> No Brasil, o tema é objeto de disputa entre os conselhos profissionais. A Resolução n.º 586/2013 do CFF regulamentou a prescrição farmacêutica, inclusive de medicamentos que exigem receita quando previstos em protocolos de instituições de saúde,<ref name=”CFF586″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/586.pdf |título=Resolução nº 586, de 29 de agosto de 2013: regula a prescrição farmacêutica |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2013-08-29 |acessodata=2026-11-03}}</ref> mas a Justiça Federal do Distrito Federal, em ação do [[Conselho Federal de Medicina]], declarou-a ilegal em novembro de 2024, entendimento contra o qual o CFF recorreu.<ref name=”CFF2024″>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/22/11/2024/cff-vai-recorrer-da-decisao-judicial-que-suspendeu-a-resolucao-n-586-2013 |título=CFF vai recorrer da decisão judicial que suspendeu a Resolução nº 586/2013 |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-11-22 |acessodata=2026-11-03}}</ref> Em março de 2025, uma nova resolução do CFF sobre o tema, a n.º 5/2025, também foi suspensa.<ref name=”CFM2025a”>{{citar web |url=https://portal.cfm.org.br/noticias/vitoria-da-medicina-justica-suspende-prescricao-de-medicamentos-por-farmaceuticos |título=Vitória da medicina: Justiça suspende prescrição de medicamentos por farmacêuticos |publicado=Conselho Federal de Medicina |data=2025-03-31 |acessodata=2026-11-03}}</ref> Independentemente dessas normas, farmacêuticos prescrevem no [[Sistema Único de Saúde]] as profilaxias pré e pós-exposição ao [[HIV]].<ref name=”CFF2023″>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/14/08/2023/farmaceutico-pode-prescrever-saude-pretende-aumentar-em-ate-300-a-oferta-da-prep |título=Farmacêutico pode prescrever: Saúde pretende aumentar em até 300% a oferta da PrEP |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2023-08-14 |acessodata=2026-11-03}}</ref> |
Em vários países, os farmacêuticos podem prescrever medicamentos dentro de limites fixados em lei, e a FIP recomenda que as legislações permitam a prescrição segundo protocolos.<ref name=”FIP-WF” /> No Brasil, o tema é objeto de disputa entre os conselhos profissionais. A Resolução n.º 586/2013 do CFF regulamentou a prescrição farmacêutica, inclusive de medicamentos que exigem receita quando previstos em protocolos de instituições de saúde,<ref name=”CFF586″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/586.pdf |título=Resolução nº 586, de 29 de agosto de 2013: regula a prescrição farmacêutica |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2013-08-29 |acessodata=2026-11-03}}</ref> mas a Justiça Federal do Distrito Federal, em ação do [[Conselho Federal de Medicina]], declarou-a ilegal em novembro de 2024, entendimento contra o qual o CFF recorreu.<ref name=”CFF2024″>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/22/11/2024/cff-vai-recorrer-da-decisao-judicial-que-suspendeu-a-resolucao-n-586-2013 |título=CFF vai recorrer da decisão judicial que suspendeu a Resolução nº 586/2013 |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-11-22 |acessodata=2026-11-03}}</ref> Em março de 2025, uma nova resolução do CFF sobre o tema, a n.º 5/2025, também foi suspensa.<ref name=”CFM2025a”>{{citar web |url=https://portal.cfm.org.br/noticias/vitoria-da-medicina-justica-suspende-prescricao-de-medicamentos-por-farmaceuticos |título=Vitória da medicina: Justiça suspende prescrição de medicamentos por farmacêuticos |publicado=Conselho Federal de Medicina |data=2025-03-31 |acessodata=2026-11-03}}</ref> Independentemente dessas normas, farmacêuticos prescrevem no [[Sistema Único de Saúde]] as profilaxias pré e pós-exposição ao [[HIV]].<ref name=”CFF2023″>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/14/08/2023/farmaceutico-pode-prescrever-saude-pretende-aumentar-em-ate-300-a-oferta-da-prep |título=Farmacêutico pode prescrever: Saúde pretende aumentar em até 300% a oferta da PrEP |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2023-08-14 |acessodata=2026-11-03}}</ref> |
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=== Regulação sanitária === |
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No mundo, a FIP identificou 1 011 escolas de farmácia em 73 países; entre os 62 países que informaram dados de acreditação, 89% das escolas eram acreditadas, e 71% dos países tinham menos que a média mundial de 0,8 escola por milhão de habitantes.<ref name=”FIP-FS”/> |
No mundo, a FIP identificou 1 011 escolas de farmácia em 73 países; entre os 62 países que informaram dados de acreditação, 89% das escolas eram acreditadas, e 71% dos países tinham menos que a média mundial de 0,8 escola por milhão de habitantes.<ref name=”FIP-FS” /> |
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=== Brasil === |
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O curso de graduação em Farmácia forma o farmacêutico como profissional da saúde, com formação centrada nos fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica e, de forma integrada, em análises clínicas e toxicológicas, cosméticos e alimentos. A carga horária de referência é de 4 mil horas, organizadas em três eixos: cuidado em saúde (50% da carga horária, sem contar estágios e atividades complementares), tecnologia e inovação em saúde (40%) e gestão em saúde (10%).<ref name=”DCN2017″/> O exercício da profissão exige registro em um Conselho Regional de Farmácia; o sistema formado pelo CFF e pelos conselhos regionais foi criado pela Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960.<ref name=”L3820″>{{citar web |url=https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l3820.htm |título=Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960 |publicado=Presidência da República |acessodata=2026-11-02 |wayb=20261016082622}}</ref> Em 2024, o Brasil tinha mais de 400 mil farmacêuticos em atividade.<ref name=”CFF140″/> |
O curso de graduação em Farmácia forma o farmacêutico como profissional da saúde, com formação centrada nos fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica e, de forma integrada, em análises clínicas e toxicológicas, cosméticos e alimentos. A carga horária de referência é de 4 mil horas, organizadas em três eixos: cuidado em saúde (50% da carga horária, sem contar estágios e atividades complementares), tecnologia e inovação em saúde (40%) e gestão em saúde (10%).<ref name=”DCN2017″ /> O exercício da profissão exige registro em um Conselho Regional de Farmácia; o sistema formado pelo CFF e pelos conselhos regionais foi criado pela Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960.<ref name=”L3820″>{{citar web |url=https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l3820.htm |título=Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960 |publicado=Presidência da República |acessodata=2026-11-02 |wayb=20261016082622}}</ref> Em 2024, o Brasil tinha mais de 400 mil farmacêuticos em atividade.<ref name=”CFF140″ /> |
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=== Portugal === |
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=== Outros países === |
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A Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP) reúne organizações de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, e realiza o Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa; a 15.ª edição está marcada para novembro de 2026 em [[Maputo]].<ref name=”AFPLP”>{{citar web |url=https://afplp.org/ |título=AFPLP: Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa |acessodata=2026-11-02 |wayb=20260615171003}}</ref> Em [[Cabo Verde]], a Ordem dos Farmacêuticos foi criada pela Lei n.º 87/VIII/2015, de 14 de abril.<ref name=”OFCV”>{{citar web |url=https://ofcv.cv/images/Documentos-PDFs/Legislacao/Lei_87_VIII_2015_EstatutosOFCV.pdf |título=Lei n.º 87/VIII/2015, de 14 de abril: cria a Ordem dos Farmacêuticos de Cabo Verde |obra=Boletim Oficial da República de Cabo Verde |páginas=723 |
A Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP) reúne organizações de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, e realiza o Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa; a 15.ª edição está marcada para novembro de 2026 em [[Maputo]].<ref name=”AFPLP”>{{citar web |url=https://afplp.org/ |título=AFPLP: Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa |acessodata=2026-11-02 |wayb=20260615171003}}</ref> Em [[Cabo Verde]], a Ordem dos Farmacêuticos foi criada pela Lei n.º 87/VIII/2015, de 14 de abril.<ref name=”OFCV”>{{citar web |url=https://ofcv.cv/images/Documentos-PDFs/Legislacao/Lei_87_VIII_2015_EstatutosOFCV.pdf |título=Lei n.º 87/VIII/2015, de 14 de abril: cria a Ordem dos Farmacêuticos de Cabo Verde |obra=Boletim Oficial da República de Cabo Verde |páginas=723|data=2015-04-14 |acessodata=2026-11-02}}</ref> [[Moçambique]] tinha cerca de 1 700 farmacêuticos em 2025, e o Ministério da Saúde retomou o projeto de criar uma ordem profissional, com apoio da ordem portuguesa e da Associação de Farmacêuticos de Moçambique.<ref name=”OF-Moz”>{{citar web |url=https://www.ordemfarmaceuticos.pt/pt/noticias/visita-tecnica-a-mocambique-impulsiona-criacao-da-ordem-dos-farmaceuticos/ |título=Visita técnica a Moçambique impulsiona criação da Ordem dos Farmacêuticos |publicado=Ordem dos Farmacêuticos |data=2025-06-26 |acessodata=2026-11-02 |wayb=20250724134534}}</ref> |
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== Símbolos == |
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[[Ficheiro:Pharmacy Green Cross.svg|miniatura|direita|100px|Cruz verde]] |
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O símbolo mais associado à farmácia é a taça com uma serpente, ligada a [[Hígia]], filha de [[Asclépio]], deus grego da medicina; segundo a lenda, Asclépio delegou a Hígia o preparo dos seus remédios.<ref name=”SD”/>{{Rp|12}} No Brasil, o CFF fixou como símbolo oficial da profissão um círculo amarelo com uma taça entrelaçada por uma serpente, a cor amarela para a faixa da beca e o topázio imperial amarelo como pedra do anel de grau.<ref name=”CFF471″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/471.pdf |título=Resolução nº 471, de 28 de fevereiro de 2008: dispõe sobre o heráldico, o juramento, a cor da pedra do anel de grau e da faixa da beca dos farmacêuticos |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2008-02-28 |acessodata=2026-11-02}}</ref> |
O símbolo mais associado à farmácia é a taça com uma serpente, ligada a [[Hígia]], filha de [[Asclépio]], deus grego da medicina; segundo a lenda, Asclépio delegou a Hígia o preparo dos seus remédios.<ref name=”SD” />{{Rp|12}} No Brasil, o CFF fixou como símbolo oficial da profissão um círculo amarelo com uma taça entrelaçada por uma serpente, a cor amarela para a faixa da beca e o topázio imperial amarelo como pedra do anel de grau.<ref name=”CFF471″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/471.pdf |título=Resolução nº 471, de 28 de fevereiro de 2008: dispõe sobre o heráldico, o juramento, a cor da pedra do anel de grau e da faixa da beca dos farmacêuticos |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2008-02-28 |acessodata=2026-11-02}}</ref> |
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A cruz verde identifica farmácias em vários países da Europa e da América do Sul. Segundo o CFF, as farmácias francesas usavam a cruz vermelha até 1913 e adotaram a verde depois que aquela se firmou como emblema da [[Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho|Cruz Vermelha]]; o motivo da escolha do verde não é conhecido. Em 2024, o conselho passou a recomendar o uso da cruz verde luminosa nas fachadas das farmácias brasileiras.<ref name=”CFF-Cruz”>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/15/10/2024/cruz-verde-cff-apoia-uso-do-simbolo-pelas-farmacias-comunitarias-brasileiras |título=Cruz verde: CFF apoia uso do símbolo pelas farmácias comunitárias brasileiras |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-10-15 |acessodata=2026-11-02}}</ref> |
A cruz verde identifica farmácias em vários países da Europa e da América do Sul. Segundo o CFF, as farmácias francesas usavam a cruz vermelha até 1913 e adotaram a verde depois que aquela se firmou como emblema da [[Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho|Cruz Vermelha]]; o motivo da escolha do verde não é conhecido. Em 2024, o conselho passou a recomendar o uso da cruz verde luminosa nas fachadas das farmácias brasileiras.<ref name=”CFF-Cruz”>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/15/10/2024/cruz-verde-cff-apoia-uso-do-simbolo-pelas-farmacias-comunitarias-brasileiras |título=Cruz verde: CFF apoia uso do símbolo pelas farmácias comunitárias brasileiras |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-10-15 |acessodata=2026-11-02}}</ref> |
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=== Padroeiros e datas comemorativas === |
=== Padroeiros e datas comemorativas === |
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Os irmãos médicos [[Cosme e Damião]], martirizados sob [[Diocleciano]], foram tidos como padroeiros das profissões de saúde nas Idades Média e Moderna.<ref name=”SD”/>{{Rp|24}} Em Portugal, são considerados padroeiros da profissão farmacêutica, e o dia deles, 26 de setembro, foi adotado em 1989 pela Ordem dos Farmacêuticos como Dia Nacional do Farmacêutico.<ref name=”OF-dia”>{{citar web |url=https://ordemfarmaceuticos.pt/pt/a-ordem-dos-farmaceuticos/apresentacao/dia-nacional-do-farmaceutico/ |título=Dia Nacional do Farmacêutico |publicado=Ordem dos Farmacêuticos |acessodata=2026-11-03 |wayb=20260710231159}}</ref> No Brasil, a [[Conferência Nacional dos Bispos do Brasil]] aprovou em novembro de 2024, a pedido do CFF, [[José de Anchieta|São José de Anchieta]] como padroeiro dos farmacêuticos; o conselho o considera o primeiro boticário do país por ter fundado boticas e estudado plantas medicinais nativas.<ref name=”CFF-Anchieta”>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/16/12/2024/sao-jose-de-anchieta-e-proclamado-padroeiro-dos-farmaceuticos-no-brasil |título=Anchieta é proclamado padroeiro dos farmacêuticos no Brasil |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-12-16 |acessodata=2026-11-03}}</ref> Para o historiador João Haikal Helou, o primeiro boticário a chegar ao Brasil foi Diogo de Castro, em 1549, e Anchieta é o patrono da farmácia brasileira.<ref name=”Helou”/>{{Rp|104–105}} |
Os irmãos médicos [[Cosme e Damião]], martirizados sob [[Diocleciano]], foram tidos como padroeiros das profissões de saúde nas Idades Média e Moderna.<ref name=”SD” />{{Rp|24}} Em Portugal, são considerados padroeiros da profissão farmacêutica, e o dia deles, 26 de setembro, foi adotado em 1989 pela Ordem dos Farmacêuticos como Dia Nacional do Farmacêutico.<ref name=”OF-dia”>{{citar web |url=https://ordemfarmaceuticos.pt/pt/a-ordem-dos-farmaceuticos/apresentacao/dia-nacional-do-farmaceutico/ |título=Dia Nacional do Farmacêutico |publicado=Ordem dos Farmacêuticos |acessodata=2026-11-03 |wayb=20260710231159}}</ref> No Brasil, a [[Conferência Nacional dos Bispos do Brasil]] aprovou em novembro de 2024, a pedido do CFF, [[José de Anchieta|São José de Anchieta]] como padroeiro dos farmacêuticos; o conselho o considera o primeiro boticário do país por ter fundado boticas e estudado plantas medicinais nativas.<ref name=”CFF-Anchieta”>{{citar web |url=https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/16/12/2024/sao-jose-de-anchieta-e-proclamado-padroeiro-dos-farmaceuticos-no-brasil |título=Anchieta é proclamado padroeiro dos farmacêuticos no Brasil |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2024-12-16 |acessodata=2026-11-03}}</ref> Para o historiador João Haikal Helou, o primeiro boticário a chegar ao Brasil foi Diogo de Castro, em 1549, e Anchieta é o patrono da farmácia brasileira.<ref name=”Helou” />{{Rp|104–105}} |
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O Dia do Farmacêutico no Brasil é 20 de janeiro, data da fundação da Associação Brasileira de Farmacêuticos em 1916, comemorada desde 1942, reconhecida pelo CFF em 2007 e instituída por lei em 2010.<ref name=”CFF460″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/460.pdf |título=Resolução nº 460, de 23 de março de 2007: reconhece o dia 20 de janeiro como o Dia do Farmacêutico |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2007-03-23 |acessodata=2026-11-03 |wayb=20240528155044}}</ref><ref name=”L12338″>{{citar web |url=https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12338.htm |título=Lei nº 12.338, de 25 de novembro de 2010 |publicado=Presidência da República |acessodata=2026-11-03 |wayb=20250502211227}}</ref> O Dia Mundial do Farmacêutico, promovido pela FIP, é 25 de setembro, data em que a federação foi constituída, em 1912.<ref name=”FIP-about”>{{citar web |url=https://www.fip.org/about |título=About FIP |publicado=International Pharmaceutical Federation |língua=en |acessodata=2026-11-03}}</ref> |
O Dia do Farmacêutico no Brasil é 20 de janeiro, data da fundação da Associação Brasileira de Farmacêuticos em 1916, comemorada desde 1942, reconhecida pelo CFF em 2007 e instituída por lei em 2010.<ref name=”CFF460″>{{citar web |url=https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/460.pdf |título=Resolução nº 460, de 23 de março de 2007: reconhece o dia 20 de janeiro como o Dia do Farmacêutico |publicado=Conselho Federal de Farmácia |data=2007-03-23 |acessodata=2026-11-03 |wayb=20240528155044}}</ref><ref name=”L12338″>{{citar web |url=https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12338.htm |título=Lei nº 12.338, de 25 de novembro de 2010 |publicado=Presidência da República |acessodata=2026-11-03 |wayb=20250502211227}}</ref> O Dia Mundial do Farmacêutico, promovido pela FIP, é 25 de setembro, data em que a federação foi constituída, em 1912.<ref name=”FIP-about”>{{citar web |url=https://www.fip.org/about |título=About FIP |publicado=International Pharmaceutical Federation |língua=en |acessodata=2026-11-03}}</ref> |
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Edição atual tal como às 14h38min de 3 de novembro de 2026
Nota: Este artigo é sobre a ciência e a prática da farmácia. Para o estabelecimento que vende medicamentos (farmácia comunitária), veja Farmácia (estabelecimento). Para o profissional de saúde, veja Farmacêutico.

Farmácia é a área das ciências da saúde que estuda os fármacos e os medicamentos, desde a obtenção e a produção até o uso pelo paciente, e o exercício profissional que dela decorre.[1][2] Reúne conhecimentos de química, biologia e ciências da saúde, aplicados à descoberta e ao controle dos fármacos, à formulação dos medicamentos, ao estudo da sua ação no organismo e ao cuidado das pessoas que os utilizam.[2]
O profissional formado na área é o farmacêutico, que trabalha sobretudo em farmácias comunitárias, hospitais e na indústria farmacêutica, além de laboratórios de análises clínicas, órgãos de regulação e instituições de ensino.[3][4] A palavra também designa o estabelecimento onde se preparam ou vendem medicamentos, tema tratado em Farmácia (estabelecimento).[1]
“Farmácia” vem do latim tardio pharmacia, derivado do grego pharmakeía.[1] A raiz é o grego phármakon, que podia designar ao mesmo tempo “remédio” e “veneno”, duplo sentido ligado à concepção mágica da doença e da cura entre os povos do Crescente Fértil; com a filosofia grega, o termo foi perdendo esse sentido sobrenatural.[5][6]:10 Em português, a palavra tem quatro sentidos principais: o estudo das substâncias para a preparação de medicamentos, o estabelecimento que os prepara ou vende (também chamado botica), o exercício da profissão de farmacêutico e uma coleção de medicamentos.[1]

O uso de plantas, minerais e produtos animais como remédio é anterior à escrita. O documento farmacêutico mais antigo conhecido é uma tabuinha suméria do fim do terceiro milênio a.C., com quinze receitas, e o Papiro Ebers, de cerca de 1 550 a.C., reúne mais de 800 fórmulas.[6]:8–10 Na Antiguidade greco-romana, Dioscórides descreveu cerca de 600 plantas na obra Sobre Material Médico, referência até o século XVIII, e Galeno sistematizou a classificação dos medicamentos que dominou o Ocidente até o século XVII.[6]:17–18
A separação entre a farmácia e a medicina começou no mundo árabe, onde surgiram em Bagdá, a partir do século VIII, estabelecimentos de venda de drogas e um profissional preparado para o ofício. Na Europa, foi fixada em lei a partir do século XII; o texto mais conhecido é o Édito de Melfi, de 1240, pelo qual Frederico II proibiu a sociedade entre médicos e farmacêuticos e instituiu a inspeção das boticas.[6]:28, 31, 33
No século XIX, a química permitiu isolar os princípios ativos das plantas, como a morfina (1806) e a quinina (1820), e depois sintetizar fármacos, o que deu origem à indústria farmacêutica; no mesmo período, o ensino passou das boticas para escolas e universidades.[6]:64, 68 Com a produção industrial, o farmacêutico deslocou-se da manipulação para a dispensação, o controle de qualidade e, a partir de 1990, para o cuidado centrado no paciente, a atenção farmacêutica.[7]
Em Portugal, as Escolas de Farmácia foram criadas em 1836 e se tornaram faculdades em 1921.[6]:68–71 No Brasil, a primeira cadeira de farmácia foi criada no Rio de Janeiro em 1809, o curso de farmácia anexo às escolas de medicina da Bahia e do Rio de Janeiro em 1832, e a primeira escola autônoma, em Ouro Preto, em 1839.[8]:111
As ciências farmacêuticas abrangem disciplinas que vão da molécula ao paciente. As que constam das Diretrizes Curriculares Nacionais brasileiras de 2017 podem ser reunidas em quatro grupos; as diretrizes incluem ainda as análises clínicas e toxicológicas, a genética e a biologia molecular e as análises de água, alimentos, cosméticos e saneantes.[2]
- Ciências do fármaco: química farmacêutica e química medicinal, farmacognosia e química de produtos naturais, que estudam a origem, a estrutura e a obtenção das substâncias ativas, sejam sintéticas, sejam de origem vegetal, animal ou mineral, além da fitoterapia e da homeopatia.[2]
- Ciências do medicamento: farmacotécnica, tecnologia farmacêutica e controle e garantia da qualidade, que tratam da transformação do fármaco em forma farmacêutica, em escala magistral ou industrial, e da verificação de insumos, processos e produtos.[2]
- Ciências da ação dos medicamentos: farmacologia, farmacologia clínica e toxicologia, que estudam os efeitos dos fármacos e dos tóxicos no organismo.[2]
- Ciências da prática farmacêutica: assistência farmacêutica, farmácia clínica, farmacoepidemiologia, farmacoeconomia e farmacovigilância, voltadas para o uso dos medicamentos pelas pessoas e pelos sistemas de saúde, junto com a deontologia e a legislação sanitária e profissional.[2]
Algumas dessas disciplinas têm raízes antigas. O médico grego Dioscórides, autor de Sobre Material Médico, é considerado o fundador da farmacognosia, o estudo das drogas de origem natural.[6]:17–18 A expressão farmácia galênica, usada para a técnica de preparar medicamentos, vem de Galeno e designava a farmácia tradicional baseada em substâncias de origem vegetal e animal.[6]:18, 56 Já a farmacologia experimental nasceu no século XIX: Rudolf Buchheim fundou em Dorpat o primeiro laboratório e instituto de farmacologia, e o seu discípulo Oswald Schmiedeberg formou em Estrasburgo mais de 150 farmacologistas.[6]:65

Segundo a Federação Internacional Farmacêutica (FIP), segundo dados publicados em 2025, havia cerca de 5,57 milhões de farmacêuticos registrados ou licenciados em 83 países, com média de 9,55 por 10 mil habitantes. A maior parte trabalha em farmácia comunitária (cerca de 77%), seguida dos hospitais (10%) e da indústria farmacêutica (4%); a proporção varia muito entre regiões, e na Europa apenas 6% dos farmacêuticos atuam em hospitais.[3] Por região, a Europa tem a maior proporção de farmacêuticos em farmácia comunitária (cerca de 70%), a África a maior proporção em hospitais (cerca de 20%) e as Américas uma participação notável na indústria (cerca de 40%). As mulheres são 65% dos farmacêuticos no mundo, proporção que deve chegar a 69% até 2030, e a FIP contava ainda 678 mil técnicos de farmácia em 35 países.[9] A densidade média é de 12,1 farmacêuticos por 10 mil habitantes nos países de alta renda e de 3,8 nos de baixa renda.[3]
No Brasil, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) agrupa as especialidades farmacêuticas em dez linhas de atuação: alimentos; análises clínico-laboratoriais; educação; farmácia; farmácia hospitalar e clínica; farmácia industrial; gestão; práticas integrativas e complementares; saúde pública; e toxicologia.[4] Em 2024, o conselho contava mais de 140 especialidades regulamentadas dentro dessas linhas.[10]
Desde o fim do século XX, a prática nas farmácias e nos hospitais tem se voltado para o paciente. O conceito de pharmaceutical care, proposto por Charles Hepler e Linda Strand em 1990 e traduzido no Brasil como atenção farmacêutica, define a responsabilidade do farmacêutico pelos resultados da farmacoterapia e pela prevenção dos problemas relacionados aos medicamentos.[7] As diretrizes brasileiras de 2017 incluem entre as competências do farmacêutico o acolhimento do paciente, a anamnese farmacêutica e o acompanhamento das ações em saúde.[2]
Em vários países, os farmacêuticos podem prescrever medicamentos dentro de limites fixados em lei, e a FIP recomenda que as legislações permitam a prescrição segundo protocolos.[9] No Brasil, o tema é objeto de disputa entre os conselhos profissionais. A Resolução n.º 586/2013 do CFF regulamentou a prescrição farmacêutica, inclusive de medicamentos que exigem receita quando previstos em protocolos de instituições de saúde,[11] mas a Justiça Federal do Distrito Federal, em ação do Conselho Federal de Medicina, declarou-a ilegal em novembro de 2024, entendimento contra o qual o CFF recorreu.[12] Em março de 2025, uma nova resolução do CFF sobre o tema, a n.º 5/2025, também foi suspensa.[13] Independentemente dessas normas, farmacêuticos prescrevem no Sistema Único de Saúde as profilaxias pré e pós-exposição ao HIV.[14]
O registro, a fiscalização e a vigilância dos medicamentos cabem a autoridades sanitárias nacionais. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), autarquia sob regime especial criada pela Lei n.º 9.782/1999, tem por finalidade promover a proteção da saúde da população por meio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços sujeitos à vigilância sanitária.[15] Em Portugal, essa função é do Infarmed, instituto público cuja missão é regular e supervisionar os setores dos medicamentos de uso humano e dos produtos de saúde e garantir o acesso a medicamentos de qualidade, eficazes e seguros.[16]
No mundo, a FIP identificou 1 011 escolas de farmácia em 73 países; entre os 62 países que informaram dados de acreditação, 89% das escolas eram acreditadas, e 71% dos países tinham menos que a média mundial de 0,8 escola por milhão de habitantes.[3]

O curso de graduação em Farmácia forma o farmacêutico como profissional da saúde, com formação centrada nos fármacos, nos medicamentos e na assistência farmacêutica e, de forma integrada, em análises clínicas e toxicológicas, cosméticos e alimentos. A carga horária de referência é de 4 mil horas, organizadas em três eixos: cuidado em saúde (50% da carga horária, sem contar estágios e atividades complementares), tecnologia e inovação em saúde (40%) e gestão em saúde (10%).[2] O exercício da profissão exige registro em um Conselho Regional de Farmácia; o sistema formado pelo CFF e pelos conselhos regionais foi criado pela Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960.[17] Em 2024, o Brasil tinha mais de 400 mil farmacêuticos em atividade.[10]
Em Portugal, a profissão é regulada pela Ordem dos Farmacêuticos, cujo estatuto foi alterado pela última vez pela Lei n.º 74/2023.[18] Em 2024 havia 17 101 farmacêuticos em atividade, mais do dobro dos 7 962 de 2002, o equivalente a 1,6 por mil habitantes; 63,1% trabalhavam em farmácias comunitárias e 79,6% eram mulheres. No mesmo ano, o país tinha 3 123 farmácias e postos farmacêuticos móveis, e em 2023 formaram-se 941 diplomados em farmácia.[19]
A Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa (AFPLP) reúne organizações de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, e realiza o Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa; a 15.ª edição está marcada para novembro de 2026 em Maputo.[20] Em Cabo Verde, a Ordem dos Farmacêuticos foi criada pela Lei n.º 87/VIII/2015, de 14 de abril.[21] Moçambique tinha cerca de 1 700 farmacêuticos em 2025, e o Ministério da Saúde retomou o projeto de criar uma ordem profissional, com apoio da ordem portuguesa e da Associação de Farmacêuticos de Moçambique.[22]


O símbolo mais associado à farmácia é a taça com uma serpente, ligada a Hígia, filha de Asclépio, deus grego da medicina; segundo a lenda, Asclépio delegou a Hígia o preparo dos seus remédios.[6]:12 No Brasil, o CFF fixou como símbolo oficial da profissão um círculo amarelo com uma taça entrelaçada por uma serpente, a cor amarela para a faixa da beca e o topázio imperial amarelo como pedra do anel de grau.[23]
A cruz verde identifica farmácias em vários países da Europa e da América do Sul. Segundo o CFF, as farmácias francesas usavam a cruz vermelha até 1913 e adotaram a verde depois que aquela se firmou como emblema da Cruz Vermelha; o motivo da escolha do verde não é conhecido. Em 2024, o conselho passou a recomendar o uso da cruz verde luminosa nas fachadas das farmácias brasileiras.[24]
Os irmãos médicos Cosme e Damião, martirizados sob Diocleciano, foram tidos como padroeiros das profissões de saúde nas Idades Média e Moderna.[6]:24 Em Portugal, são considerados padroeiros da profissão farmacêutica, e o dia deles, 26 de setembro, foi adotado em 1989 pela Ordem dos Farmacêuticos como Dia Nacional do Farmacêutico.[25] No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil aprovou em novembro de 2024, a pedido do CFF, São José de Anchieta como padroeiro dos farmacêuticos; o conselho o considera o primeiro boticário do país por ter fundado boticas e estudado plantas medicinais nativas.[26] Para o historiador João Haikal Helou, o primeiro boticário a chegar ao Brasil foi Diogo de Castro, em 1549, e Anchieta é o patrono da farmácia brasileira.[8]:104–105
O Dia do Farmacêutico no Brasil é 20 de janeiro, data da fundação da Associação Brasileira de Farmacêuticos em 1916, comemorada desde 1942, reconhecida pelo CFF em 2007 e instituída por lei em 2010.[27][28] O Dia Mundial do Farmacêutico, promovido pela FIP, é 25 de setembro, data em que a federação foi constituída, em 1912.[29]
Referências
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- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 «Resolução CNE/CES nº 6, de 19 de outubro de 2017: institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia» (PDF). Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação. 19 de outubro de 2017. Consultado em 2 de novembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 15 de março de 2026
- 1 2 3 4 «Pharmacy workforce in numbers» (PDF) (em inglês). International Pharmaceutical Federation. 2025. Consultado em 2 de novembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 6 de dezembro de 2025
- 1 2 «Resolução nº 572, de 25 de abril de 2013: dispõe sobre a regulamentação das especialidades farmacêuticas, por linhas de atuação» (PDF). Conselho Federal de Farmácia. 25 de abril de 2013. Consultado em 2 de novembro de 2026
- ↑ «Phármakon». Museu do Universo da Farmácia. Consultado em 2 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 4 de outubro de 2026
- 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Dias, José Pedro Sousa (2005). A Farmácia e a História: uma introdução à História da Farmácia, da Farmacologia e da Terapêutica (PDF). Lisboa: Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Consultado em 2 de novembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 17 de junho de 2024
- 1 2 Hepler, Charles D.; Strand, Linda M. (1990). «Opportunities and responsibilities in pharmaceutical care». American Journal of Hospital Pharmacy (em inglês). 47 (3): 533–543. PMID 2316538
- 1 2 Helou, João Haikal (dezembro de 1986). «Evolução da farmacotécnica no Brasil». Revista da Universidade de São Paulo (3): 103–116. Consultado em 2 de novembro de 2026
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- 1 2 «Farmacêuticos podem atuar em mais de 140 especialidades». Conselho Federal de Farmácia. 18 de novembro de 2024. Consultado em 2 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 1 de julho de 2026
- ↑ «Resolução nº 586, de 29 de agosto de 2013: regula a prescrição farmacêutica» (PDF). Conselho Federal de Farmácia. 29 de agosto de 2013. Consultado em 3 de novembro de 2026
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- ↑ «Anchieta é proclamado padroeiro dos farmacêuticos no Brasil». Conselho Federal de Farmácia. 16 de dezembro de 2024. Consultado em 3 de novembro de 2026
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- ↑ «Lei nº 12.338, de 25 de novembro de 2010». Presidência da República. Consultado em 3 de novembro de 2026. Cópia arquivada em 2 de maio de 2025
- ↑ «About FIP» (em inglês). International Pharmaceutical Federation. Consultado em 3 de novembro de 2026
- «Federação Internacional Farmacêutica (FIP)» (em inglês)
- «Conselho Federal de Farmácia (Brasil)»
- «Ordem dos Farmacêuticos (Portugal)»
- «Associação de Farmacêuticos dos Países de Língua Portuguesa»