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ISA Energia triplica lucro no 3T com efeito da Axia – SpaceMoney

Fonte: spacemoney.com.br | Data: 03/11/2026 20:19:14

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A ISA Energia (ISAE3) fechou o terceiro trimestre com lucro líquido de R$ 1,9 bilhão, mais de três vezes o apurado no mesmo intervalo do ano anterior. O salto, porém, carrega forte componente contábil: o resultado foi inflado pela contabilização do descruzamento de participações societárias acertado com a Axia Energia (AXIA3), conforme balanço publicado nesta terça-feira, 3, com informações do InfoMoney. Isolando esse efeito, o lucro pró-forma cresceu 14%, para R$ 625 milhões, em trajetória de expansão com sustentabilidade financeira, segundo executivos da transmissora.

Na mesma direção, o Ebitda alcançou R$ 3,19 bilhões entre julho e setembro, avanço de 259% na comparação anual, enquanto a base pró-forma subiu 41%, para R$ 1,25 bilhão. O dado mais relevante para avaliar a operação é justamente o indicador ajustado, que depura o ruído do evento societário e revela a velocidade de maturação dos projetos já entregues.

Crescimento puxado por energização e reajuste tarifário

O presidente-executivo Rui Chammas atribuiu o desempenho à combinação de três vetores: o início da operação de novas linhas e subestações, a incorporação de um ativo de grande porte à base de resultados e o reajuste tarifário, acompanhado de disciplina de custos. A leitura da companhia é de que os aportes recentes começam a se converter em receita recorrente.

Esse movimento é decisivo para o setor de transmissão, cuja receita é remunerada por disponibilidade e depende do cumprimento de cronogramas regulatórios. Quanto mais rápido os empreendimentos são energizados, menor o intervalo entre o desembolso e o reconhecimento de faturamento.

Alavancagem recua apesar de R$ 17 bilhões em dívida

A transmissora encerrou setembro com R$ 17 bilhões de dívida líquida, patamar 20% superior ao registrado no fechamento de 2025, movimento esperado em um ciclo de construção intensiva de ativos. Ainda assim, a alavancagem recuou de 3,63 vezes para 3,5 vezes no intervalo, já refletindo o ingresso maior de receitas.

Chammas descreveu a lógica do negócio: o endividamento dos projetos aparece primeiro e a energização vem depois, de modo que o crescimento de faturamento e de lucro se materializa na medida em que as obras são concluídas. A diretora financeira Silvia Wada classificou o endividamento como confortável e destacou que parcela relevante é atrelada ao IPCA, índice que também corrige a receita e funciona como proteção natural para a operação.

Leilões de transmissão e baterias seguem em análise

A companhia mantém R$ 7,6 bilhões em investimentos previstos em projetos de reforços e melhorias na rede existente, autorizados pela Aneel, que geram receita adicional e devem ser executados nos próximos anos. Esse portfólio sustenta o discurso de crescimento sem dependência exclusiva de novos certames.

Sobre a próxima licitação de lotes de transmissão, prevista para o início de 2027, o CEO afirmou que a empresa identificou oportunidades interessantes, mas ainda não decidiu se disputará os projetos. O atual patamar de endividamento e a incerteza sobre o custo do capital nos próximos anos justificam a cautela. O leilão de baterias, segmento em que a ISA opera o primeiro sistema em larga escala do país, também permanece em estudo.

Wada criticou o entendimento da Aneel de que transmissoras podem participar do certame, mas submetidas às condições dos contratos de concessão, o que exigiria devolver parte da receita à modicidade tarifária. Na avaliação da executiva, a regra praticamente inviabiliza a participação e reduz a competição, efeito contrário ao próprio objetivo de modicidade. A empresa trabalha por um entendimento alternativo sobre o tema.