Anvisa aprova Wegovy em comprimidos para tratamento da obesidade no Brasil
Fonte: diariodopara.com.br | Data: 04/11/2026 13:10:04
Mais Diário do Pará no seu Google!
Um clique para dar preferência às notícias do Pará
Mais Diário do Pará no seu Google!
Um clique para dar preferência às notícias do Pará
Veja o resumo da notícia
Veja o resumo da notícia
- Anvisa aprova Wegovy em comprimidos, o primeiro medicamento oral para obesidade no Brasil.
- O remédio utiliza semaglutida, mesmo princípio ativo de canetas injetáveis, e pode reduzir até 17% do peso.
- Indicado para adultos com obesidade ou sobrepeso com comorbidades, como hipertensão e diabetes tipo 2.
- Estudos clínicos mostraram perda média de peso de 13,6% a 16,6% em 64 semanas de tratamento.
- A semaglutida oral age imitando o hormônio GLP-1, controlando apetite, saciedade e glicose.
- O tratamento é diário, em jejum, com aumento gradual da dosagem e exige acompanhamento médico.
- Efeitos colaterais incluem náuseas, vômitos e diarreia, mais comuns no início do tratamento.
- Preço e data de chegada às farmácias ainda não foram definidos pela farmacêutica Novo Nordisk.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (4) o Wegovy em comprimidos, primeiro medicamento oral da classe dos agonistas do GLP-1 autorizado especificamente para o tratamento da obesidade no Brasil. Produzida pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, a nova apresentação utiliza a semaglutida, princípio ativo das populares canetas emagrecedoras, e poderá proporcionar perda de até 17% do peso corporal, conforme os critérios de avaliação utilizados nos estudos clínicos.
A autorização foi publicada no Diário Oficial da União, por meio da Resolução-RE nº 4.249/2026. A novidade representa uma alternativa para pacientes que apresentam dificuldades com aplicações injetáveis, embora o medicamento ainda não tenha preço definido nem data exata de chegada às farmácias brasileiras.
O Wegovy já era comercializado no país na forma de injeção subcutânea semanal. Agora, o tratamento poderá ser realizado com um comprimido diário, desde que exista indicação médica. A fabricante prevê disponibilizar a nova apresentação nos próximos trimestres.
Quem pode usar o Wegovy oral
A aprovação contempla adultos com obesidade, caracterizada por índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, e pessoas com sobrepeso, cujo IMC esteja entre 27 e menos de 30, desde que apresentem pelo menos uma doença associada ao excesso de peso.
Entre essas condições estão hipertensão arterial, diabetes tipo 2, alterações do colesterol e outros problemas metabólicos.
A versão oral foi autorizada exclusivamente para adultos. Já a apresentação injetável possui indicação também para adolescentes a partir de 12 anos, em situações específicas.
O medicamento deverá ser utilizado em conjunto com alimentação de menor valor calórico e prática regular de atividades físicas, conforme orientação profissional.
Estudos clínicos e resultados
A aprovação brasileira foi fundamentada principalmente no estudo internacional OASIS 4, de fase 3, que acompanhou 307 adultos durante 64 semanas.
Na análise que considerou os participantes independentemente da continuidade do tratamento, a perda média de peso foi de aproximadamente 13,6%. Em outra avaliação, que estimou os resultados caso todos permanecessem utilizando o medicamento, a redução chegou a 16,6%, aproximadamente 17%.
Os pesquisadores também identificaram melhora em indicadores relacionados à saúde cardiovascular e metabólica.
Os resultados indicam eficácia relevante da semaglutida oral, mas não significam que todos os pacientes perderão o mesmo percentual de peso. A resposta depende de características individuais, adesão ao tratamento e acompanhamento médico.
Mecanismo de ação e dosagem
A semaglutida imita a ação do hormônio GLP-1, produzido naturalmente pelo organismo e envolvido no controle do apetite, na sensação de saciedade e na regulação da glicose.
Ao atuar nesses mecanismos, o medicamento contribui para reduzir a fome e a quantidade de alimentos consumidos.
O Wegovy oral deverá ser ingerido uma vez ao dia, em jejum, com pequena quantidade de água. Após a administração, o paciente precisará aguardar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou utilizar outros medicamentos por via oral.
O tratamento prevê aumento gradual da dosagem, começando com 1,5 mg, passando por 4 mg e 9 mg, até alcançar a dose diária de manutenção de 25 mg.
As quantidades não podem ser comparadas diretamente com as utilizadas nas canetas, pois a absorção da semaglutida por via oral é diferente daquela obtida por injeção.
Efeitos colaterais e acesso
Assim como acontece com a versão injetável, o uso da semaglutida pode provocar náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal.
Esses efeitos são mais frequentes durante o início do tratamento e nos períodos de aumento das doses.
Também existem riscos menos comuns, mas potencialmente graves, que exigem avaliação médica, incluindo pancreatite e complicações na vesícula biliar.
A utilização deve ocorrer mediante prescrição e acompanhamento profissional. A aprovação não significa que o medicamento seja indicado para emagrecimento exclusivamente estético ou que possa ser utilizado indiscriminadamente.
Quando chega às farmácias e quanto custará
A Novo Nordisk ainda não anunciou o preço do Wegovy oral no Brasil. A expectativa é que a comercialização comece nos próximos trimestres, após as etapas regulatórias necessárias.
A definição dos preços máximos envolve a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Embora contenha o mesmo princípio ativo do Rybelsus, comprimido de semaglutida já vendido no Brasil para diabetes tipo 2, o novo Wegovy possui indicação específica para controle da obesidade e utiliza um esquema de dosagem diferente.
A aprovação amplia as possibilidades terapêuticas em um país onde o excesso de peso representa um dos principais desafios de saúde pública.
Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) indicam que 71,5% dos adultos acompanhados pela atenção primária do SUS apresentam sobrepeso ou obesidade. O percentual se refere à população monitorada pelo sistema, não necessariamente a todos os brasileiros.
Com a chegada da semaglutida oral, médicos e pacientes terão mais uma alternativa para o controle de uma doença crônica associada ao aumento do risco de diabetes, problemas cardiovasculares e outras complicações. O desafio continuará sendo garantir segurança, acompanhamento adequado e acesso ao tratamento.
Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.
Paraense, natural de Belém (PA), graduado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA) desde 1997. Repórter Especial do jornal Diário do Pará, onde atua desde 1995 na cobertura das editorias de Política, Economia e Cidades. Possui desde 2013 a coluna “Justiça em Fatos”, especializada em notícias jurídicas locais e nacionais, publicada no jornal aos domingos.