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CMSE destaca segurança do sistema elétrico diante do El Niño e avança no debate sobre flexibilidade no SIN

Fonte: gov.br | Data: 04/11/2026 21:41:42

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Objetivo é complementar as análises de energia e potência, avaliando a capacidade dos recursos do sistema de atender, com rapidez e volume adequados, às variações da carga

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) destacou, nesta quarta-feira (4/11), a manutenção da segurança e da confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) e avançou nas discussões sobre flexibilidade para acompanhar as transformações do setor elétrico. Durante a reunião, o colegiado ressaltou os resultados das medidas preventivas adotadas, que vêm contribuindo para assegurar o abastecimento mesmo diante dos efeitos significativos do fenômeno El Niño, cuja intensidade deve permanecer elevada nos próximos meses.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou avanços no estudo sobre métricas de mensuração de flexibilidade do SIN, desenvolvido em resposta às discussões iniciadas no âmbito do CMSE diante da crescente participação de fontes renováveis variáveis e às mudanças no perfil horário da carga líquida. O objetivo é complementar as análises de energia e potência, avaliando a capacidade dos recursos do sistema de atender, com rapidez e volume adequados, às variações da carga.

Foram destacadas as métricas propostas para mensuração da flexibilidade, voltadas à identificação da frequência e da severidade de eventuais insuficiências, enquanto o tratamento dos demais aspectos será discutido futuramente. Como encaminhamento, o CMSE determinou a ampliação do debate sobre a metodologia com as instituições do setor elétrico e, posteriormente, com os agentes setoriais por meio de consulta pública.

Ainda durante a reunião do colegiado, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) destacou que o avanço frequente de frentes frias pela região Sudeste e a configuração do primeiro episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul refletiram em precipitação acima da média nas bacias hidrográficas das regiões Sudeste e Centro-Oeste, sinalizando início do período chuvoso nessas regiões.

Na região Norte, ainda não se caracterizou o início do período chuvoso, com persistência de precipitação abaixo da média, em especial na bacia do rio Xingu, o que levou o ONS recomendar a postergação da operação excepcional do reservatório intermediário da Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte com vazão mínima de 100 m³/s, respeitadas as licenças e autorizações necessárias.

Ao final do mês de outubro deste ano, o armazenamento do SIN alcançou 58% da capacidade máxima, atingindo a marca de 8 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período em 2025. A robustez da Rede Básica também avançou, atingindo 95,5%, ante 94,6% no mesmo mês do ano passado. Os indicadores apresentados reforçam a resiliência do sistema, mesmo diante dos efeitos do El Niño, que tem causado inúmeras quedas de torres de linhas de transmissão e cenário de estiagem na região Norte.

Com relação ao atendimento de potência do SIN nos próximos meses, o CMSE acompanha o comportamento das condições hidroenergéticas, visto tratar-se de período úmido nas principais bacias.

Nos Sistemas Isolados, as ações preventivas também apresentaram resultados positivos. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a potência instalada foi suficiente para atender ao crescimento da demanda, sem registro de falhas no fornecimento às localidades por interrupção no abastecimento de combustível. O acompanhamento permanece contínuo, com reuniões quinzenais e atualização semanal das informações necessárias à segurança do atendimento.

Ademais, o ONS reportou êxito na manutenção da operação segura do SIN durante o período de votação e apuração do segundo turno do pleito eleitoral, em atendimento à determinação constante da Resolução nº 01/2005 do CMSE.

Informações Técnicas Complementares:

Condições Hidrometeorológicas: Em outubro, a precipitação foi superior à média nas bacias dos rios Uruguai, Iguaçu, Paranapanema, Tietê, Grande, Paranaíba e nos trechos incremental a UHE Itaipu e montante a UHE Três Marias. Nas demais bacias hidrográficas de interesse do SIN, os totais de precipitação foram inferiores à média.

Em relação à Energia Natural Afluente – ENA, ainda durante outubro, foram observados valores abaixo da média histórica para os subsistemas Nordeste e Norte, sendo 78% e 51% da Média de Longo Termo – MLT, respectivamente. Para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul foram verificados valores acima da média, com 156% e 230% da MLT. Em termos de SIN, foi verificada ENA de 168% da MLT.

Com relação à previsão meteorológica, o tema foi apresentado na reunião pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – Cemaden, a convite do CMSE. Os destaques da previsão indicam, para o horizonte de duas semanas, volumes abaixo da média na bacia do Jacuí, na bacia do Uruguai e na bacia do Madeira. Nas demais bacias a previsão indica chuvas em tono da média para o período, mas com distribuição espacial irregular, podendo ter algumas áreas com chuva acima da média.

Energia Armazenada: ao final de outubro, foram verificados armazenamentos equivalentes de 55%, 79%, 62% e 61%, nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte, respectivamente. No SIN, o armazenamento foi de aproximadamente 58%.

Previsão Hidroenergética para Novembro/2026:

Subsistema

ENA (% MLT)
Cenário Superior

ENA (% MLT)
Cenário Inferior

EARmáx (%)
Cenário Superior

EARmáx (%) Cenário Inferior

Sudeste/Centro-Oeste

140%

96%

54,3%

52,0%

Sul

243%

214%

88,5%

95,0%

Nordeste

76%

57%

53,8%

58,6%

Norte

43%

30%

46,8%

49,9%

SIN (total)

145%

110%

56,2%

56,1%

Expansão da Geração e Transmissão: a expansão verificada em outubro de 2026 foi de 56 MW de capacidade instalada de geração de energia elétrica (exceto MMGD), com destaque para entrada em operação comercial de unidades geradoras da usina fotovoltaica – UFV Sol de Brotas 5, localizada no estado da Bahia, que totalizam 32,5 MW. Na transmissão, entraram em operação comercial 97 km de linhas, com destaque para a entrada da LT 345 kV Venda das Pedras – Sete Pontes, C1 e C2 (41 km, cada). Também entraram em operação comercial 1.391 MVA de capacidade de transformação, com destaque para os transformadores TR3 e TR4 345 / 138 kV Sete Pontes RJ (600 MVA, cada).

Comercialização: No âmbito do monitoramento da comercialização, a Câmara de Comercialização de Energia (CCEE) apresentou a previsão dos resultados da liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP), referente à contabilização de setembro de 2026. Do montante total de R$ 2,59 bilhões, R$ 2,11 bilhões foram efetivamente liquidados. Desse valor, R$ 336,99 milhões (16%) foram creditados à Conta de Energia de Reserva (CONER) e R$ 0,29 milhão (0,01%) creditados à Conta de Potência para Reserva de Capacidade (CONCAP). O restante, equivalente a R$ 486,77 milhões, permaneceu inadimplido.

Exportação/Importação: A avaliação dos dados envolve os meses de setembro e outubro de 2026, sendo os de outubro preliminares. No tocante às importações de energia, destaca-se que toda a energia importada no período foi proveniente da Argentina: em setembro, o volume foi de 19 MWmédios (13,6 GWh) e, em outubro, de 11,6 MWmédios (8,6 GWh). Em relação à exportação hídrica, em setembro a exportação alcançou 116 MWmédios (84 GWh), 100% destinado à Argentina. Em outubro, não houve exportação hídrica. Não houve exportação de termelétricas nos meses em análise.

O CMSE, na sua competência legal, continuará monitorando, de forma permanente, as condições de abastecimento e o atendimento ao mercado de energia elétrica do País, adotando as medidas para a garantia do suprimento de energia elétrica. As definições finais sobre a reunião do CMSE desta quarta-feira (04/11) serão consolidadas em ata devidamente aprovada por todos os participantes e divulgada conforme o regimento.

*Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico