Jovem dois-irmonense conquista seis premiações na Mostratec-Liberato
Fonte: jornaldoisirmaos.com.br | Data: 04/11/2026 21:26:47

Eduarda com a orientadora Schana Andréia da Silva / Com os pais Márcio e Maristela, e o irmão Gabriel (Fotos: Divulgação)
Na última sexta-feira (30) aconteceu a solenidade de premiação da Mostratec-Liberato 2026, no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo. Ao todo, 796 projetos participaram da 41ª edição da feira, incluindo trabalhos de estudantes de Dois Irmãos.
Finalistas e campeões, os dois-irmonenses Eduarda Klaus Nonenmacher e Tiago Schaidhauer Luckmann, estudantes da Fundação Liberato, representaram a cidade com brilhantismo.
Seis premiações
Com o projeto NIPUs – Síntese de Poliuretanas sem Isocianato, Eduarda Klaus Nonenmacher foi um dos grandes destaques da Mostratec-Liberato, conquistando seis prêmios: 1º lugar em Engenharia e Materiais, Prêmio ABRIC de Incentivo à Ciência, Prêmio de Patente HNA, Bolsa integral de graduação na Unisinos, Prêmio Young Scientists Denmark e Prêmio da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
O Prêmio Young Scientists Denmark garante credenciamento para participar da feira científica internacional Young Scientists Fair and Contest, na Dinamarca, em 2027. Já o Prêmio da Assembleia Legislativa possibilita participar da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC em João Pessoa, na Paraíba, também em 2027.
Em entrevista ao JDI, Eduarda contou sobre os próximos passos do seu projeto, relembrou sua jornada e agradeceu aos envolvidos.
Confira o que ela disse:
“Conquistar seis premiações na Mostratec-Liberato 2026 foi uma experiência indescritível e, sem dúvidas, um dos momentos mais especiais da minha trajetória na pesquisa científica. Receber tantos reconhecimentos pelo meu projeto NIPUs foi uma surpresa muito emocionante e uma forma de perceber que todos os meses de dedicação, estudos, desafios e dificuldades realmente valeram a pena.
Cada premiação teve um significado especial, desde o 1º lugar em Engenharia e Materiais até o reconhecimento pelo potencial de patente do projeto, a bolsa integral de graduação na Unisinos e as oportunidades de participar de eventos científicos na Dinamarca e em João Pessoa, em 2027. São conquistas que vão muito além dos certificados, pois representam novas oportunidades para meu futuro acadêmico, profissional e pessoal.
É muito gratificante olhar para trás, lembrar de todo o processo de desenvolvimento da pesquisa e perceber o quanto evoluí. Nem sempre tudo saiu como planejado, mas cada dificuldade trouxe novos aprendizados, e ver todo esse esforço sendo reconhecido me deixa extremamente feliz e motivada a continuar.
Sou imensamente grata à minha orientadora, Schana Andréia da Silva, que esteve ao meu lado durante toda essa caminhada, compartilhando conhecimentos, me incentivando e sendo fundamental para que tudo isso se tornasse possível. Agradeço também à minha família, especialmente aos meus pais, que sempre me apoiaram, acreditaram em mim e estiveram presentes em cada etapa. Também deixo meu agradecimento à Fundação Liberato pelo apoio e incentivo ao desenvolvimento da pesquisa científica.
Encerro essa edição da Mostratec com o coração cheio de gratidão e felicidade. Essas seis premiações representam muito mais do que resultados: é o reconhecimento de todo o esforço, da persistência e do amor que tenho pela ciência. Levo comigo cada aprendizado e a certeza de que ainda tenho muito a descobrir e conquistar!”
Sobre o projeto
Percebendo a rota que utiliza Polióis e Isocianatos, que, quando juntos, formam o poliuretano por meio da reação da formação da ligação uretânica, Eduarda desenvolveu um projeto que contorna problemas causados pela volatilidade do Isocianato. Seu projeto teve como objetivo geral estudar e desenvolver uma rota alternativa para a síntese de poliuretanas sem o uso de Isocianatos e sem gás fosgênio, resultando em uma Espuma de Poliuretano Expandida. O produto, com propriedades qualitativas observadas, apresenta retardância de chamas e também autoextinguimento.
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Mais um estudante de Dois Irmãos premiado
Tiago Schaidhauer Luckmann e o colega Gabriel Bittencourt Edinger, de Novo Hamburgo, desenvolveram o projeto de engenharia intitulado “Sensibilização do Dióxido de Titânio com Nanopartículas de Carbono Nitrogenadas para Análise de Eficiência do Efeito Fotovoltaico em Células Solares”. O trabalho teve Sandro Marmitt como orientador e Marcelo Leal Dellinghausen com coorientador.
A ideia surgiu a partir do interesse da dupla de trabalhar com nanotecnologia. Dentro de suas pesquisas, os jovens encontraram uma possibilidade de aplicação dessa área nas células solares. Segundo eles, a premissa vem da falta de infraestrutura no momento de descarte das placas solares de primeira e segunda geração, as quais possuem como principal componente o silício.
Com esse trabalho, Tiago e Gabriel conquistaram dois prêmios: 2º lugar em Engenharia e Materiais e Prêmio Petrobras de Sustentabilidade, que garante aos jovens uma viagem ao Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio de Janeiro.
Abaixo, mais detalhes do projeto premiado:
Essa falta de infraestrutura leva ao descarte incorreto e acúmulo de lixo, contaminando o meio ambiente pela presença de metais pesados utilizado nas ligas entre as células. E segundo pesquisas, existe uma estimativa de que até 2050 atingiríamos 80% da capacidade do lixo fotovoltaico no mundo.
Frente a isso, surgiu a terceira geração de células solares, que buscam utilizar de tecnologias emergentes e mais compatíveis com o meio ambiente. Entre elas estão as células solares sensibilizadas por corantes (DSSCs), idealizadas por Michael Grätzel em 1991.
Estas células substituem o sílicio por dióxido de titânio, material não tóxico e de menor custo, possuindo aplicação principal na indústria de tintas como pigmento branco. Este material atua como o semicondutor da célula, realizando o processo de condução elétrica.
Porém, sozinho ele não consegue realizar o processo de geração de energia de forma eficiente devido à baixa absorção de luz, sendo necessária a utilização de corantes sensibilizadores que auxiliam tanto na absorção da luz quanto no aumento de condução elétrica.
Os corantes mais eficientes atualmente possuem uma síntese muito complexa e de alto custo, além de possuírem rutênio, um metal pesado que pode contaminar o ambiente. Assim surge a ideia central de trabalho, que é utilizar os pontos de carbono nitrogenados como corante sensibilizador.
Os pontos de carbono são nanomateriais, constituídos principalmente de carbono, biocompatíveis e com grandes propriedades de fluorescência e eletroquímicas, e a inserção de nitrogênio potencializa estas propriedades.
Como resultados da pesquisa, os estudantes conseguiram comprovar a aplicação dos pontos de carbono como corante sensibilizador, potencializando em até 1500% a corrente elétrica gerada, frente ao dióxido de titânio puro, se demonstrando mais eficiente que outros corantes de simples sínteses, como os de antocianina e clorofila, frequentemente estudados nesta aplicação, os quais alcançaram um máximo de 350% de incremento na corrente elétrica frente ao óxido.

Gabriel e Tiago