Santiago Peña. Foto: Reprodução

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo em meio à crise provocada pela intervenção e pelo fechamento do Ueno Bank. A saída ocorreu após a Câmara dos Deputados anunciar apoio ao processo de impeachment e informar que havia votos suficientes para levar adiante a destituição.

“Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, disse.

Mensaje del Presidente de la República, Santiago Peña, al pueblo paraguayo. pic.twitter.com/RBz6IfFV9L

— Santiago Peña (@SantiPenap) November 5, 2026

O agora ex-presidente do Paraguai foi eleito em abril de 2023. Filiado ao Partido Colorado, de direita, ele substituiu Mario Abdo Benítez, integrante da mesma sigla. Peña já havia se candidatado em 2018, mas perdeu as primárias do partido para o colega.

Parlamentares paraguaios apresentaram nesta quinta (5) uma ampliação da denúncia sobre o escândalo financeiro envolvendo o banco. O documento inclui Peña, o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo Spalding, e antigos integrantes da direção da autoridade monetária.

Com ao menos 42 páginas, a representação foi assinada pelos senadores Rafael Filizzola, Esperanza Martínez, Yolanda Paredes, Ever Villalba, Rubén Velázquez e Ignacio Iramain, além dos deputados Raúl Benítez, Leide Galeano, Johana Ortega e Billy Vaesken.

O grupo ampliou uma denúncia protocolada em 22 de outubro de 2025 sobre interesses de Peña e de pessoas próximas a ele no grupo financeiro Ueno.

Os parlamentares argumentam que autoridades do Banco Central tinham conhecimento, desde abril de 2026, de problemas financeiros e operacionais do Ueno Bank, mas não tomaram a tempo as medidas previstas em lei. A denúncia aponta possíveis irregularidades na fiscalização da instituição e na aplicação de recursos públicos no banco.

Protestos em meio ao colapso do Ueno Bank, o maior banco digital e principal emissor de cartões de crédito do país. Foto: Reuters

Denúncia cita depósitos de órgãos públicos e falhas na supervisão

O documento questiona depósitos de recursos públicos no Ueno Bank feitos pelo Instituto de Previdência Social, pela Itaipu Binacional, pela Entidade Binacional Yacyretá e pelo Ministério da Economia. Os autores pedem que o Ministério Público investigue cada decisão para verificar eventual prejuízo ao Estado ou atuação conjunta entre responsáveis pelas operações.

Com a intervenção do Banco Central e o início da resolução do banco, os denunciantes afirmam que parte desses depósitos ficou exposta a possíveis perdas. Valores acima da cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos, limitada a 228,3 milhões de guaranis por depositante, dependem do resultado do processo de resolução da instituição.

O Banco Central identificou, em 29 de abril, operações acima dos limites permitidos com empresas vinculadas ao Ueno Bank. Em 16 de junho, a Superintendência de Bancos considerou a situação regularizada após a transferência de uma carteira de crédito de três empresas à Vinanzas SA, no valor de US$ 74,4 milhões; os parlamentares dizem que o próprio Ueno financiou a operação com empréstimos.

A diretora Carmen Marín alertou em 29 de junho para um déficit de solvência, e a área técnica classificou a transferência da carteira como uma “operação proibida” em 5 de agosto. O Banco Central iniciou a resolução do Ueno Bank em 2 de novembro, e Carvallo deixou a presidência da autoridade monetária no dia seguinte.