Escândalo do “Master paraguaio” alcança cúpula do governo Peña e ameaça Itaipu Binacional
Fonte: jornalocal.com.br | Data: 06/11/2026 09:27:40

nvestigação criminal mira 39 autoridades do Paraguai após quebra do Ueno Bank colocar em risco fundos de pensão e recursos estatais
O Ministério Público do Paraguai instaurou uma investigação criminal nesta quinta-feira (5) contra 39 autoridades e gestores públicos — incluindo o presidente da República, Santiago Peña (ANR), seu vice Pedro Alliana (ANR) e a diretoria da Itaipu Binacional — por suspeitas de gestão fraudulenta, favorecimento e negligência na aplicação de recursos estatais no falido Ueno Bank.
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A ofensiva penal, conduzida por uma equipe especial de delitos econômicos sob ordem do procurador-geral Emiliano Rolón Fernández, instaurou um verdadeiro terremoto político no país vizinho. A derrocada da instituição financeira, já apelidada na América Latina como o “Master paraguaio” pela gravidade das operações simuladas e pelo lastro financeiro maquiado, escalou a tal ponto que provocou o pedido de renúncia do próprio presidente Santiago Peña (ANR). Paralelamente, a Câmara dos Deputados paraguaia aprovou o prosseguimento do processo de impeachment contra o mandatário, cujo julgamento formal pelo Senado está previsto para esta sexta-feira (6).
O avanço da crise expõe a vulnerabilidade de aproximadamente US$ 60 milhões da Caja Fiscal — sistema de aposentadorias do funcionalismo público — e outros 2,2 trilhões de guaranis pertencentes ao Instituto de Previsión Social (IPS), que irrigaram o banco privado sem as devidas garantias fiscais. “Trata-se do maior escândalo de pilhagem dos fundos previdenciários e do patrimônio público da história recente do Paraguai”, declarou um parlamentar oposicionista que pediu anonimato.
A sangria dos cofres públicos atingiu diretamente a Itaipu Binacional, usina hidrelétrica administrada conjuntamente pelos governos de Brasil e Paraguai. A denúncia aponta que o lado paraguaio da empresa direcionou volumes expressivos de capital para o Ueno Bank, mesmo quando a instituição apresentava sinais claros de insolvência e operações vedadas pelo Banco Central do Paraguai (BCP).
Entre os investigados estão o diretor-geral paraguaio de Itaipu, Justo Zacarías Irún (ANR), indicado por Peña em 2023, além de conselheiros e diretores executivos como Magnolia Mendoza, Rafael Lara Valenzuela, Hugo Zárate, Julio Rodrigo Paredes, Justino Caballero e o próprio ministro da Economia, Carlos Fernández Valdovinos (ANR). Os investigadores querem esclarecer se houve omissão deliberada ou favorecimento ilícito por parte dos executivos para blindar a instituição financeira ligada a aliados do governo, expondo a riscos os recursos de uma entidade binacional.
O apadrinhamento político também alcançou o Banco Central paraguaio e a supervisão bancária. Documentos encaminhados à Fiscalía revelam que a antiga Financiera Ueno obteve autorização para se transformar em banco em novembro de 2023 e, em seguida, chancelou uma fusão nebulosa com o Visión Banco em 2024, concentrando mais de 18% dos depósitos públicos em moeda nacional e 22,9% dos depósitos em dólares de todo o sistema financeiro.
Sob a gestão do ex-presidente do BCP, Carlos Carvallo, e do superintendente Holger Insfrán, órgãos de fiscalização teriam ignorado alertas técnicos sobre empréstimos concedidos pelo Ueno Bank a empresas de seu próprio grupo econômico — como Mowi S.A., Grupo Hendy S.A. e Grupo M S.A. —, cujas dívidas somavam mais de 743 bilhões de guaranis.
Procurada pela reportagem para comentar a abertura das investigações penais e o envolvimento de seus diretores no colapso do Ueno Bank, a assessoria de imprensa da Itaipu Binacional (lado paraguaio) e os porta-vozes do Ministério da Economia não enviaram resposta até a publicação desta matéria.