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O bombardeio (fracassado) de uma hidrelétrica brasileira – Broadcast – O mercado financeiro em tempo real

Fonte: broadcast.com.br | Data: 06/11/2026 13:03:56

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Em 29 julho de 1932 a marinha brasileira, sob o comando de Getúlio Vargas, bombardeou a usina hidrelétrica de Cubatão

Luciana Collet

O bombardeio de usinas de geração de energia elétrica por adversários tem sido uma estratégia adotada em muitas guerras ao redor do mundo, e foi recentemente utilizada tanto no conflito entre Ucrânia e Rússia quanto em ataques dos EUA ao Irã. Mas você sabia que isso já ocorreu no Brasil?

Em 29 julho de 1932, durante a Revolução Constitucionalista, a usina hidrelétrica de Cubatão, atualmente conhecida como Henry Borden, foi alvo de um bombardeio aéreo comandado pelo governo de Getúlio Vargas. Aviões da Marinha brasileira lançaram duas bombas contra o empreendimento para interromper o fornecimento de energia e prejudicar a atividade industrial paulista, em meio ao movimento que tentava derrubar o governo provisório de Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte.

Apenas uma das bombas atingiu a usina. Perfurou o teto da antiga sala de controle da usina, mas não explodiu. Estilhaçou janelas, danificou alguns equipamentos e feriu sem gravidade quatro funcionários. A segunda bomba caiu nos arredores do complexo, de acordo com relatos históricos.

A ação militar gerou protestos da então controladora da hidrelétrica, a canadense  The São Paulo Tramway, Light and Power Company Limited, que apresentou uma petição judicial rechaçando a existência de forças adversas ao governo federal nas instalações privadas da usina,  demandando indenização por danos materiais e morais pela ação militar.

O episódio foi reportado por veículos de comunicação da época e foi destacado durante visita técnica realizada por um grupo de jornalistas recentemente, embora profissionais da companhia admitam que o tema é mantido vivo mais pelo registro histórico do que pela tem relevância na história da hidrelétrica.  

A despeito do atentado, a usina, considerada uma marco da engenharia nacional, seguiu se desenvolvendo. Inaugurada em 1926 com um primeiro grupo gerador de 28 megawatts (MW) de potência, a hidrelétrica foi sendo ampliada ao longo dos anos, chegando a 469 MW em 1950, quando a chamada “usina externa” foi completada. Em 1952 foi iniciada a ampliação, por meio da construção de uma usina subterrânea, dentro de um maciço rochoso na serra, que garantiu mais 420 MW de capacidade para a usina. Com seus 889 MW, foi considerada, até meados dos anos 1960, a maior hidrelétrica da América do Sul.

O projeto, desenhado em um período de crescente industrialização paulista, que exigia cada vez mais geração elétrica, não se limitava à construção da hidrelétrica, mas era parte de um complexo sistema de captação, canalização, represamento e bombeamento de água dos rios do planalto, que originalmente seguiam para o interior, alterar seu curso, para aproveitar o desnível de 720 metros da Serra do Mar para acionar as turbinas da usina.

Hoje, a usina centenária, controlada pela Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), adquirida pela Sabesp, opera por disponibilidade, sendo acionada sob o comando do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sempre que necessário, usualmente no fim do dia, quando a geração solar cai e o consumo de eletricidade no País aumenta, exigindo o acionamento de outras fontes de energia. No caso da Henry Borden, ao ser acionada, em 15 minutos a hidrelétrica deve chegar à potência demandada. Essa flexibilidade é ouro para o setor elétrico brasileiro atual, num momento em que grande parte da oferta diária de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) vem de usinas não despacháveis, como eólicas e solares, e o Operador tem o desafio de garantir continuidade no fornecimento mesmo com as oscilações características dessas fontes.