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De advogado a agiota executados: TJCE marca 404 júris neste mês de novembro

Fonte: diariodonordeste.verdesmares.com.br | Data: 07/11/2026 10:19:04

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Ex-PMs, faccionados e acusados de feminicídio estão listados como alguns dos acusados que devem se sentar no banco dos réus nos próximos dias no Ceará. O Tribunal de Justiça do Estado lançou o Mês Nacional do Júri e divulgou que estão agendados 404 julgamentos no Ceará relacionados aos crimes contra a vida, até o fim deste mês de novembro.

O Diário do Nordeste apurou que dentre os casos de repercussão que podem ter desfecho processual em breve estão o da morte do advogado Francisco Di Angellis Duarte de Morais, executado na porta de casa e o do agiota Irineu do Nascimento Santos, assassinado após cobrar os juros de um empréstimo de R$ 10 mil, no bairro Conjunto Esperança.

Segundo o Tribunal, os 404 júris estão distribuídos em 94 unidades judiciais, sendo 318 no Interior e 86 em Fortaleza. No total, devem ser mobilizados 658 jurados populares para compor os Conselhos de Sentença, que decide absolver ou condenar os réus.

O coordenador da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp) no Ceará, desembargador Eduardo Scorsafava, fala sobre a importância da iniciativa para maior efetividade à prestação jurisdicional e fortalecer a atuação do Tribunal do Júri: “é uma ação concentrada realizada em todo o país e visa agilizar os processos de competência do Tribunal do Júri, além de reforçar a participação popular nos julgamentos”.

“É um esforço que envolve todo o Sistema de Justiça e que vem sendo construído em reuniões preparatórias, sempre considerando a importância e as particularidades de cada instituição envolvida”

O TJ destaca que para o Mês Nacional do Júri são priorizadas ações envolvendo feminicídios, réus presos, casos que tenham crianças e adolescentes como vítimas e processos relacionados a crimes praticados contra ou por policiais.

O QUE ESTÁ POR TRÁS DOS ATAQUES

As mortes de Di Angellis, Irineu Nascimento e a tentativa de chacina com criança e adolescente dentre as vítimas aconteceram em Fortaleza, em diferentes anos. Dentre esses casos, o mais antigo é o que vitimou o agiota.


Conforme a acusação, em 4 de junho de 2022, no Conjunto Esperança, Francisco Leonardo Pimentel dos Santos, Anderson dos Santos Pimentel e Guilherme da Silva Pereira participaram de uma emboscada para assassinar Irineu.

“Agindo em conjunto, teriam planejado e executado o homicídio de Irineu do Nascimento Santos, motivado por dívida de R$ 10 mil que Anderson tinha com a vítima, a qual era supostamente agiota. Segundo a acusação, Anderson atraiu Irineu ao local, simulando o pagamento, enquanto Guilherme efetuou disparos de arma de fogo contra a vítima, resultando em sua morte”, disse o Ministério Público do Ceará (MPCE) ao denunciar o trio.

O crime foi registrado por câmeras de segurança e os homens presos em flagrante.

Após a fase de instrução do processo, em setembro do ano passado o trio foi pronunciado pelo juiz titular da 1ª Vara do Júri de Fortaleza. O julgamento está previsto para o próximo dia 23 de novembro. 

Na noite de 6 de maio de 2023, no bairro Parquelândia, outro atentado que teve repercussão na imprensa. O advogado Di Angellis chegava em casa quando foi surpreendido por homens armados. 

Para o MPCE, a dinâmica do crime mostrou um “meticuloso estudo da vítima, eis que o atirador se deu ao trabalho de efetuar os disparos somente após a vítima desembarcar do veículo, não efetuando disparos diretamente na lataria do carro, assim, evitando que a ação homicida fosse frustrada, caso o veículo fosse blindado”.

A execução se tratou de um crime premeditado. Conforme denúncia do MP, dias antes do ataque, o empresário Ernesto Wladimir Oliveira Barroso encomendou a morte do advogado para se vingar de uma extorsão.

Ernesto não foi pronunciado, restando a determinação de ida a júri popular para os ex-PMs Glauco Sérgio Soares do Bonfim e José Luciano Souza, que seriam os responsáveis contratados para a execução.

O júri da dupla já chegou a ser remarcado duas vezes. A primeira data destinada para que eles se sentassem no banco dos réus era o dia 30 de julho de 2026, quando uma testemunha considerada imprescindível não pôde comparecer ao Tribunal e o MP pediu a remarcação.

A nova data ficou para o dia 4 de novembro e, posteriormente, coincidiu com outro júri de repercussão, o da ‘Chacina do Curió’, programado para o mesmo dia, na mesma Vara, mas que também não aconteceu.

A previsão é que Glauco e José Luciano finalmente sejam julgados no próximo dia 25 de novembro de 2026.