Alessandro Vieira rejeita apoio a Alcolumbre, cobra apuração sobre o Banco Master e defende Reforma do Judiciário
Fonte: brasil247.com | Data: 07/11/2026 13:18:41
247 — Na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e das disputas pelo comando do Congresso Nacional, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) declarou de forma categórica que não apoiará a candidatura de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado Federal. Para o parlamentar, o atual formato de gestão e os arranjos que sustentam o favoritismo de Alcolumbre representam a manutenção de um modelo de conciliação que busca abafar investigações incômodas e travar o avanço inadiável de uma reforma estrutural no Poder Judiciário.
Em conversa com o jornalista Leonardo Attuch na TV 247, Vieira argumentou que a pacificação do país não pode ser construída por meio de pactos de conveniência que fecham os olhos para desvios em emendas parlamentares e para as relações promíscuas entre autoridades dos três Poderes, bancas de advocacia e grandes grupos financeiros.
“Um Davi com Mounjaro”: a crítica à terceirização no Congresso
Ao analisar o cenário da sucessão legislativa marcada para fevereiro, o senador rechaçou a ideia de que nomes tradicionais do Centrão ofereçam estabilidade real ao quarto mandato de Lula. Para Vieira, tanto Alcolumbre quanto o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) — que chegou a ter seu nome ventilado como alternativa após ser eleito senador — representam o mesmo método de bloqueio institucional:
“Trocar Davi Alcolumbre por Arthur Lira é trocar por um Davi com Mounjaro, não muda absolutamente nada. Já chegam com as mesmas amarras e com os mesmos problemas. A relação pessoal com Davi é muito boa, cordata, mas ele claramente não tem interesse algum em mexer onde é central. Se quisermos quebrar o ciclo de impunidade, temos que enfrentar a barreira da corrupção, e isso não se faz terceirizando a relação do governo com o Congresso nas mãos de cardeais partidários.”
Na visão do senador, a fragmentação do Parlamento exige que o Executivo abandone a “preguiça política” de entregar as pautas a operadores hegemônicos, construindo maiorias voto a voto a partir de pautas programáticas concretas, capazes de atrair tanto progressistas quanto parlamentares conservadores e independentes.
Conexões sob suspeita: as sombras do caso Banco Master
O ponto mais contundente da entrevista recaiu sobre a crise de credibilidade que atinge as cúpulas institucionais em Brasília. Alessandro Vieira cobrou transparência absoluta e apuração rigorosa sobre os laços de membros da cúpula do Judiciário e do Parlamento com o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro:
“Nós temos hoje pelo menos três ministros do Supremo Tribunal Federal que precisam esclarecer sua relação com Daniel Vorcaro e com o Banco Master: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Cássio Nunes Marques. Temos senadores, deputados federais e figuras do entorno do Executivo que também precisam prestar contas dessas relações. Um país que não confia na sua Justiça não é uma democracia plena. E a causa principal da desconfiança popular hoje não é ideológica, é a percepção de corrupção e favorecimento.”
Para o senador, pacificar o Brasil não pode significar colocar uma “borracha no passado” para blindar figuras públicas em gabinetes fechados. Vieira alertou que fingir que esses escândalos não existem só aprofunda o abismo entre as instituições e a sociedade civil.
A urgência de uma Reforma do Judiciário
Alessandro Vieira apontou que a reforma do sistema de Justiça conta com ampla aderência social e ressonância parlamentar em ambos os lados do espectro ideológico, esbarrando quase exclusivamente na resistência corporativa dos próprios magistrados:
- Fim dos supersalários: Cumprimento rigoroso do teto constitucional e extinção de penduricalhos, adicionais por tempo de serviço e verbas indenizatórias criadas administrativamente à revelia do Congresso;
- Freio nas decisões monocráticas: Limitação dos despachos individuais que anulam leis aprovadas pelo Parlamento ou paralisam políticas públicas sem julgamento imediato no plenário;
- Transparência e mandatos no STF: Fim da vitaliciedade com adoção de mandatos fixos para ministros dos tribunais superiores e estabelecimento de regras severas contra conflitos de interesse envolvendo escritórios de parentes de juízes perante as cortes.
O senador concluiu frisando que o Judiciário existe para cumprir as normas elaboradas pelos representantes do povo, e não para tutelar o processo político: “Não se trata de revanchismo nem de vingança ideológica, mas de exigir honestidade e eficiência no serviço público de Justiça prestado ao cidadão brasileiro”.
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