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OVOS DE OURO

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Data: 10/06/2025 04:35:34

Fonte: blog.tribunadonorte.com.br


Urutu, O Ovo (1928) – Tarsila do Amaral – MAM, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro



Que a Ciência tem lá os seus mistérios, todos sabem.


Está tudo na natureza. Cabe ao homem  descobrir  e usá-los para o bem de todos.


Fama e dinheiro são os troféus dos vencedores.


Há cinco anos, a  corrida para se conseguir medicamentos eficazes ou vacinas, fazia da competição na pandemia a mais disputada.


Como tratar uma doença que havia surgido de repente e de comportamento diferente de todas as outras, passando a ser o maior e único desafio para os sábios.


A primeira abordagem, era manter o paciente vivo e esperar o ciclo viral se completar, apenas com suporte em cuidados intensivos.


A alta taxa de mortalidade e a prevalência de acometidos em faixas etárias mais avançadas mostravam que desta forma, logo os recursos estariam exauridos.


Em meio ao tumulto que precede


o caos, na analogia com outras doenças, a teoria poderia ser aplicada à prática.


Ficava estabelecida uma rara unanimidade. As defesas imunológicas de cada um é que determinam o grau de comprometimento do contágio quase universal.


Vitaminas, minerais e muita receitas caseiras se uniam à fé e ao distanciamento como atitudes mais seguras até que a tormenta passasse.


De 14 em 14 dias, o isolamento durava uma eternidade e sem data para acabar.


Experiências e observações isoladas começavam a ser divulgadas e repetidas em todas as partes do mundo.


O que poderia ser melhor que antigos medicamentos que já haviam deixado as patentes para trás, baratos e fáceis de encontrar?


Enquanto as elites da Ciência e das Evidências  não chegavam à vacina (vide AIDS), valia tudo que acreditava-se, podia combater o invasor ou diminuir (ou mitigar para os pernósticos) seus efeitos e a inflamação.


Na polarização do a favor ou contra, entravam interesses políticos e econômicos.


De repente, uma droga usada por pacientes crônicos, anos a fio, tornava-se tão cheia de efeitos colaterais que não podia  ser ministrada por cinco dias. Mesmo em  ambiente hospitalar.


A que era recomendada para parasitas de adultos e crianças, há décadas, não podia ser ministrada daquela vez, pelos riscos  que acarretava. Parecia que só contra o coronavírus, morava o perigo.


A um moderníssimo imunomodulador eram cantadas loas por reduzir em até improváveis 15%,  o tempo de internação nas UTIs. Dos laboratórios potentes, saíram novidades com preços salgados. Hipertensos e pobres não tiveram acesso.


Como em casa que falta remédio, todos brigam e ninguém tem razão, condutas terapêuticas tornaram-se novos motivos de desavenças familiares.


Princípios ativos não agiam mais nos sistemas do corpo humano. Surgiram receptores específicos para cada antímero: lado direito X lado esquerdo; neocientistas X terraplanistas.


A humanidade continua diante de um enorme dúvida.         


Saber se as pessoas que tomaram esses remédios baratinhos melhoraram por conta deles ou o tempo teria trazido o mesmo resultado.


Nesta fila dos mistérios insondáveis sem resposta, ainda há outro a ser desvendado.


O que veio primeiro, o ovo, a galinha ou a Síndrome Pós-Covid?



A Cuca (1924) – Tarsila do Amaral – Museu de Grenoble, França