O número de eleitores indígenas no Brasil registrou um salto expressivo de 84% entre as eleições municipais de 2024 e o pleito geral de 2026. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o país passou de 155.661 para 287.157 cidadãos indígenas aptos a votar. Fenômeno semelhante ocorreu entre o eleitorado quilombola, cujo cadastro praticamente dobrou no mesmo período, passando de 95.409 para 188.371 eleitores — um crescimento de 97%. A Justiça Eleitoral atribui essa evolução à ampliação da autodeclaração de raça e pertencimento étnico no cadastro, em vigor desde 2022.
Geograficamente, a maior concentração de votantes indígenas encontra-se na Região Norte, que responde por 47% do total nacional, destacando-se as etnias Tikuna, Macuxi, Kokama e Xucuru. No Sul do país, o povo Kaingang sobressai como a principal força eleitoral indígena nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em terras paranaenses, o contingente de eleitores indígenas atingiu a marca de 6.132 pessoas para a disputa de 2026, representando uma alta de 55% em comparação aos 3.955 registrados em 2024.
No estado do Paraná, as urnas contarão com representantes de 112 etnias diferentes, lideradas numericamente pelos Kaingang (2.913 eleitores) e pelos Guarani (1.057). Visando consolidar a participação democrática e acolher demandas específicas dessas comunidades, o TRE-PR mantém em funcionamento a Ouvidoria dos Povos Originários. O canal institucional atua de forma permanente no acolhimento de sugestões, críticas e no suporte prático aos povos nativos durante o processo eleitoral.