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O pesquisador norte-americano Stephen Bocskay lançou a obra “Candeia, o Samba, o Quilombo e o Ativismo Negro”, fruto de uma extensa pesquisa de 15 anos sobre a vida e o legado de Antônio Candeia Filho. O livro busca retratar não apenas a música do sambista carioca, mas também seu profundo compromisso político com a causa negra e sua vontade de compreender a identidade brasileira de forma visceral, “pelo âmago”.

Candeia foi uma figura central na resistência cultural, sendo o fundador do Grêmio Recreativo de Arte Negra Escola de Samba Quilombo. Sua atuação política era marcada pela recusa ao financiamento estatal para sua agremiação, um gesto de oposição à comercialização do Carnaval que se intensificava na década de 1970. Para o sambista, o espaço deveria funcionar como um centro de pesquisas da arte negra e um local de debates socioeconômicos.

A biografia também traça paralelos entre as realidades raciais do Brasil e dos Estados Unidos, utilizando teses de intelectuais como Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez e Beatriz Nascimento para explicar o conceito de “quilombismo” aplicado à vida do artista. Bocskay destaca que o trabalho de Candeia construía uma imagem de soberania nacional, dialogando com culturas afrodiaspóricas e reconhecendo a importância das artes negras na conquista de espaços sociais.

Em suas reflexões, o autor afirma que a obra de Candeia permanece atual por tratar de questões estruturais do país que ainda persistem sob novas “máscaras”. Através da música e da vivência comunitária, o sambista oferecia uma leitura crítica do Brasil, enfatizando a importância da coesão e da sensibilidade comunitária. O livro revela que, para Candeia, o samba era muito mais que entretenimento; era a própria essência e a voz do povo brasileiro.