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Cinemateca Brasileira realiza mostra em homenagem a Grande Otelo

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Data: 24/02/2025 10:09:49

Fonte: revistadecinema.com.br


De 26 a 28 de fevereiro, a Cinemateca Brasileira presta uma homenagem a um dos maiores artistas do cinema brasileiro com a mostra Revisitando Grande Otelo. A seleção de filmes reúne quatro obras de destaque da carreira do ator que são preservadas pela instituição: “Carnaval Atlântida” (José Carlos Burle, 1952), “Matar ou Correr” (foto, Carlos Manga, 1954), “Macunaíma” (João Pedro de Andrade, 1969) e “Amei um Bicheiro” (Jorge Jorge Ileli e Paulo Wanderley, 1952).

A programação também traz o documentário “Othelo, o Grande” (Lucas H. Rossi dos Santos, 2023), que abre a mostra no dia 26 de fevereiro, às 20h. Antes da sessão, às 19h, haverá um debate com o produtor executivo do filme, Ailton Franco Jr. A conversa terá acessibilidade em Libras e transmissão pelo canal da Cinemateca Brasileira no YouTube.

Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, nasceu em Uberlândia, Minas Gerais, em 1915. Segundo seus relatos, desde muito jovem já era considerado o “palhaço da cidade”. Por acaso, participou de um espetáculo circense a que havia ido assistir e, a partir daquele momento, nunca mais se afastou dos palcos.

Passou pelo rádio, televisão, cinema e teatro, além de ter tido uma notável carreira como compositor de sambas. No cinema, começou sua trajetória nos primeiros filmes da Atlântida Cinematográfica, como o hoje perdido “Moleque Tião” (José Carlos Burle, 1943), que abordava o racismo de forma pioneira. Destacou-se nas chanchadas – os populares musicais com temas carnavalescos –, tornando-se um nome imprescindível do gênero. Durante esse período, formou com Oscarito uma das duplas mais icônicas do cinema brasileiro das décadas de 1940 e 1950. Dois desses clássicos, “Carnaval Atlântida” (José Carlos Burle, 1952) e “Matar ou Correr” (Carlos Manga, 1954), serão exibidos na mostra.

Outro marco de sua carreira foi o papel-título em “Macunaíma” (João Pedro de Andrade, 1969), obra que ele considerava seu maior sucesso. Seu talento dramático brilhou em filmes como “Também Somos Irmãos” (recentemente exibido na Cinemateca Brasileira no programa Restaurados da América Latina) e “Amei um Bicheiro” (Jorge Jorge Ileli e Paulo Wanderley, 1952), este último considerado por ele uma de suas melhores atuações. Os três filmes fazem parte da programação da mostra.

Por toda sua vida e sua carreira, Grande Otelo foi atravessado pelo preconceito e por questões raciais, o que impactou (e muitas vezes limitou) os papeis que desempenhava no cinema e na televisão. Ao longo dos anos, foi cada vez mais cobrado a se posicionar sobre o assunto, o que chegou a considerar um fardo; apesar disso, sabia de sua importância para outros artistas negros. Em entrevista de 1983, afirmou: “não foi fácil abrir caminho na sociedade daquele tempo (…), acho que com minha carreira ajudei muitos sebastiãozinhos a romper seu caminho”.

O documentário “Othelo, o Grande”, que abre a programação da mostra, aborda justamente as questões raciais em torno de sua vida e obra e faz uma análise de sua carreira a partir de uma ampla pesquisa, usando primordialmente as próprias entrevistas do ator.

Toda a programação da mostra, que pode ser conferida no site da Cinemateca Brasileira, é gratuita e os ingressos, distribuídos uma hora antes de cada sessão.