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De Inocência a Eunice Paiva… g1 já viu TODOS os filmes estrelados por Fernanda Torres e analisa papéis

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Data: 28/02/2025 02:04:20

Fonte: g1.globo.com

g1 já viu: TODOS os filmes da Fernanda Torres

Empolgado com as três indicações de “Ainda Estou Aqui” ao Oscar, tomei para mim a missão de ver todos os filmes estrelados pela Fernanda Torres. A ideia era entender como ela foi de Inocência a Eunice Paiva.

Resolvi assistir, em sequência cronológica, os 19 filmes estrelados por Fernanda Torres. Somando os longas em que ela é protagonista ou uma coadjuvante importante, são mais de 30 horas.

No meio da maratona, cheguei a me perguntar se estava vivendo ou vendo filmes da Fernanda. É natural um pouco de cansaço, até porque é preciso ficar atento fazendo anotações sobre o filme e a performance da atriz. Isso já tinha sido relatado em outras empreitadas nesses moldes que já fizemos aqui no g1 como as de “Velozes & Furiosos”, “Jogos Mortais”, “Nasce uma estrela” e “Alien”.

Em todos os casos, este parece ser um formato interessante para dar conta de entender um fenômeno cultural. Neste caso, o fenômeno é Fernanda Pinheiro Monteiro Torres.

Veja abaixo análises e sinopses dos filmes, seus principais feitos e um comentário focado na performance da atriz. Clique no filme para ir direto a ele.

Foto: Divulgação e g1

No século 19, uma jovem com malária se apaixona por um médico (Edson Celulari) hospedado em sua casa. Eles escondem o romance proibido do pai dela. O homem acredita que o pretendente é outro: um biólogo especialista em borboletas. É baseado no livro “Inocência” (1872) de Visconde de Taunay.

A atuação: Aos 18 anos, a estreia escancara seu talento. Acamada, abatida, calada e tolhida pelo pai (ela pode sequer tomar banho em paz!), é cobiçada por todos ao seu redor. Responde com olhares expressivos e fala suave.

Foto: Divulgação

Um caipira só pensa em comer carne bovina; uma jovem só pensa em se casar. Eles se casam e têm filhos gêmeos. Mas um filé que é bom, nada… O primeiro longa de André Klotzel, da cena paulista oitentista do “cinema da vila”, é baseado em uma peça e tem participações de Regina Casé (ótima como diaba) e de Nelson Triunfo (melhor ainda como Curupira).

A atuação: Fernanda desmaia ao se casar e fascina nas conversas com uma estátua de Santo Antônio, as mais memoráveis cenas do filme. No geral, transforma monólogos bestas em cenas engraçadinhas.

Foto: Divulgação

Narra o romance de uma jovem de 15 anos com um homem de 33, divorciado e com dois filhos. Em Nilópolis (RJ), eles enfrentam os pais da moça (Marieta Severo e Reginaldo Faria). O romance proibido vira caso de polícia e vai parar no tribunal. Baseado na autobiografia da jornalista Eliane Maciel, o filme tem direção de Lui Farias (“Minha fama de mau”).

A atuação: É o ponto alto do filme. De longe. Aos 19 anos, defende com bravura a protagonista de uma história um tanto mal contada. A falta de química com o coprotagonista vivido por Carlos Augusto Strazzer não a atrapalha.

Foto: Divulgação

Um casal jovem separado há dois anos, formado por ela e por Thales Pan Chacon (1956-1997), discute a relação. Os dois não têm nome e falam sem parar como se estivessem em um sarau.

A atuação: Mesmo com um texto empolado e um par romântico que fala como um galã robô, Fernanda convence com olhares de desdém e gritos de revolta. Ela empresta dignidade e elegância a uma corna humilhada por duas horas. “Drinque? Só se for um gin com minhas lágrimas.” Seria ridículo se dito pela maioria das atrizes. Com ela, funciona!

Foto: Divulgação

Dois amantes se reencontram: ela é uma viúva em luto, que vive com seu genro abobado e a filha dela (Fernanda); ele é um divorciado desolado pela morte de sua herdeira. No filme de José Fonseca e Costa, um dos fundadores do cinema novo português, a relação estranha entre os dois casais conduz a trama.

A atuação: Meio perdida em uma trama sem sal que só se desenvolve perto do fim, Fernanda se esforça para dar sentido a sua personagem (perdida entre um casamento deprimente e uma paixão proibida). Em um elenco todo português, ela entrega a performance mais natural, com piadinhas potencializadas por seu carisma.

Foto: Divulgação

Inspirado no livro de Antônio Callado lançado em 1967, narra a crise existencial de um padre jesuíta (Taumaturgo Ferreira) que faz uma viagem ao Xingu. Com direção de Ruy Guerra, cineasta moçambicano do cinema novo, o filme se anuncia como “um afresco apaixonante sobre um Brasil grande como a vida”, do suicídio de Getúlio Vargas ao golpe militar.

A atuação: Parte de um elenco com nomes de peso como Maitê Proença, Lucélia Santos, Stênio Garcia, Claudia Ohana e Mauro Mendonça, ela tem atuação discreta e pouco tempo de tela se comparado aos outros filmes desta lista. Anos depois, Fernanda relatou que a filmagem foi um “paraíso e inferno”.

Foto: Divulgação

Em 1972, um operário de uma empresa de tecidos no Brás, em São Paulo, enfrenta um processo trabalhista por um suposto beijo em uma funcionária (Maitê Proença) no expediente. Falas no tribunal, em juridiquês, são inseridas na trama. Entre os depoimentos, está o de Claudete (Fernanda), que gosta do beijoqueiro (Chiquinho Brandão), em performance que remete ao humor físico de Chaplin e Buster Keaton.

A atuação: Fernanda Torres é uma coadjuvante de luxo. Com um texto esperto a seu favor, ela atua com a leveza que seria conhecida anos depois. Faz rir sem esforço. Ela e Chiquinho se destacam em um elenco que tem ainda Ary Fontoura, Miguel Falabella e Antônio Fagundes.

Foto: Divulgação

Neste longa do Channel 4 e da HBO, um médico paraguaio (Anthony Hopkins, que ganharia o Oscar no ano seguinte) busca justiça pela morte do filho, torturado pela ditadura. Baseado na história real de Joel Filártiga, o longa tem a argentina Norma Aleandro, indicada ao Oscar quatro anos antes. A direção é do brasileiro Sérgio Toledo.

A atuação: Fernanda integra um elenco talentoso, mas mal escalado: a família paraguaia é formada por um galês, uma argentina, um mexicano e uma brasileira. Mesmo assim, a atuação é sofrida e sem excessos. A cena em que ela e Hopkins examinam o corpo do irmão morto é excelente.

Foto: Divulgação

Um empresário da mineração (José Mayer) se envolve com uma repórter (Fernanda) que está escrevendo uma matéria sobre ele. Ao ser questionado por ela sobre a extração de ouro em terras indígenas, ela revela que ele é o único sobrevivente de um massacre indígena. Segundo o diretor André Klotzel (“A Marvada Carne”) a ideia era que cada cena tivesse “um clima próprio”.

A atuação: Ela carrega o filme nas costas. Ela ajuda a dar liga a uma série de cenas aleatórias. Se tivesse que escolher só um filme como portfólio, talvez uma boa escolha seria este: ela chora a morte do pai, beija o galã, toma tapa na cara. É ativista, jornalista, vilã, mocinha, palhaça. Ufa.

Foto: Divulgação

Paco (Fernando Alves Pinto) aceita entregar um pacote estranho para conhecer a Espanha, terra de sua falecida mãe. Acaba em Portugal, onde conhece Alex (Fernanda), uma garçonete em um relacionamento tóxico com um músico dependente químico (Alexandre Borges). É o primeiro filme da parceria entre Fernanda e Walter Salles.

A atuação: É o primeiro papel mais carrancudo, sem a ingenuidade de quase todas as personagens anteriores. Com performance simples e confiante, Fernanda comanda a ação e finalmente tem um par romântico que não é um traste ou alguém 20, 30 ou 40 anos mais velho. Rendeu ainda a versão de “Vapor Barato” que depois virou meme.

Foto: Divulgação

No filme de Bruno Barreto levemente baseado no livro de Fernando Gabeira, um grupo que luta contra a ditadura militar sequestra o embaixador dos Estados Unidos (Alan Arkin). Fernanda contracena com Pedro Cardoso, Selton Mello, Luiz Fernando Guimarães e Cláudia Abreu. O roteiro é assinado por Leopoldo Serran (“O quatrilho”).

A atuação: Com performance primorosa, Fernanda colabora no desenvolvimento de sua personagem: Maria começa resoluta e de cara fechada, mas vai se soltando no decorrer da trama. Em um elenco em que nem todos estão no tom certo, ela, definitivamente, está.

Foto: Divulgação

No Réveillon de 1999, três histórias se cruzam: um prisioneiro fugitivo (Luiz Carlos Vasconcelos) precisa matar alguém; um malandro (Matheus Nachtergaele) é jurado de morte; e uma professora deprimida (Fernanda) abandonada resolve se matar. Walter Salles e Daniela Thomas filmaram o longa para um projeto da TV francesa sobre o novo milênio.

A atuação: Mesmo com uma personagem pouco desenvolvida no roteiro, Fernanda faz o que pode. Não sabemos quais as intenções e desejos da Maria construída por ela, mas a atriz compensa certa falta de profundidade com a entrega de sempre.

Foto: Divulgação

São três histórias de Nelson Rodrigues girando em torno da infidelidade. “O Primeiro Pecado”, Fernanda interpreta uma mulher casada dos anos 50 que se relaciona com um tímido Pedro Cardoso. Em “Diabólica”, um homem (Daniel Dantas) prestes a casar com a personagem de Fernanda tem um caso com sua cunhada de 13 anos. “Cachorro” é sobre um homem (Alexandre Borges) que encontra a esposa (Drica Moraes) no motel e passa meia hora os ameaçando com uma arma.

A atuação: Ela é amante toda soltinha no primeiro segmento. No segundo, dá vida a uma corna ressentida, com ciúme (justificado) da irmãzinha insuportável vivida por Ludmila Dayer. Em dois papéis tão diferentes, ela se sai melhor na história que abre o filme.

Foto: Divulgação

Nos anos 80, no Rio, duas gêmeas (Fernanda) enganam homens juntas. Tudo vai bem, até que Marilena se apaixona por um dono de autoescola (Evandro Mesquita) e Iara tenta seduzi-lo. A direção é de Andrucha Waddington, marido de Fernanda, a partir de uma história de Nelson Rodrigues.

A atuação: Amparada por direção e edição espertas, Fernanda entrega cenas impactantes principalmente quando as duas gêmeas estão “sozinhas” na tela. Impressiona como cria personagens tão diferentes, algo que só grandes atrizes conseguem fazer sem descambar para o caricato.

Foto: Divulgação

O filme inspirado na famosíssima série mostra quando Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda) se conheceram, no dia de seus casamentos com outras pessoas (os personagens de Evandro Mesquita e Marisa Orth). O roteiro é da dupla criadora da (Fernanda Young e Alexandre Machado) com Jorge Furtado.

A atuação: Vani, um patrimônio do humor nacional, foi moldada ao longo de 71 episódios exibidos na Globo entre 2001 e 2003. Barraqueira, naturalmente engraçada e sempre com as emoções à flor da pele, ajudou a fazer da série um clássico.

Foto: Divulgação

Neste drama dirigido por Andrucha Waddington, uma mulher e sua mãe (Fernandas Monteiro e Torres) são levadas para um deserto distante pelo marido dela. Após a morte do homem, elas passam os próximos 59 anos tentando sobreviver e fugir daquele lugar, com ajuda de um vizinho, Massu (Seu Jorge/Luiz Melodia). O longa é filmado nos Lençóis Maranhenses, com roteiro de Elena Soares (“Eu tu eles”).

A atuação: É o filme em que atriz mais atua com sua mãe. Só isso já potencializaria a performance, mas Fernanda ainda tem a seu favor duas personagens complexas (Áurea, e depois sua filha, Maria), obrigadas a viver um monte de conflitos. É uma pena que o filme não tenha conseguido o destaque merecido quando lançado.

Foto: Divulgação

Uma comunidade de descendentes de italianos na Serra Gaúcha se vê obrigada a fazer um filme sobre a construção de uma fossa de esgoto. É que só havia verba para cultura, não para a obra de saneamento básico… O elenco dirigido por Jorge Furtado tem Wagner Moura, Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Tonico Pereira, Bruno Garcia e Paulo José.

A atuação: É um dos poucos trabalhos de Fernanda em que ela é a pessoa mais normal da narrativa: Marina parece ser a voz da razão, a pessoa com a qual o público deve se identificar, em meio ao simpático caos da vizinhança retratada nesta comédia. Na boa parte do tempo, ela serve como “escada”: prepara piadas para quem a rodeia.

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Após 13 anos juntos, Vani e Rui decidem fazer um ménage e saem em busca de alguém. Encontram as personagens de Drica Moraes, Danielle Winits, Daniele Suzuki, Claudia Raia, Mayana Neiva, Alinne Moraes… e muita confusão.

A atuação: É a mesma atuação testada e aprovada na série e no primeiro filme da franquia.

Foto: Divulgação

O filme dirigido por Walter Salles é inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva. A trama conta a história de Eunice Paiva, mãe de Marcelo, que passou 40 anos em busca da verdade sobre seu marido desaparecido, Rubens (Selton Mello).

A atuação: Em livros de atuação, existe uma máxima: “É triste ver pessoas chorarem, mas é ainda mais triste ver pessoas tentando não chorar”. A frase resume a atuação sensível de Fernanda. Sem choro, a dor vem no olhar, na postura e na voz.