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“Oração do Golpe compõe projeto fascista que quis tomar o Brasil” – Ronilso Pacheco | UOL News ▶️

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Data: 02/04/2025 00:39:44

Fonte: portalcioranbr.wordpress.com

27 de novembro de 2024 | A Polícia Federal (PF) resgatou do celular do padreco golpista José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, na Grande São Paulo, uma “oração ao golpe”. Segundo o documento, em 3 de novembro de 2022, o pároco encaminhou uma mensagem a um contato salvo como “Frei Gilson”, identificado pela corporação como Gilson da Silva Pupo Azevedo.

A “oração ao golpe”, resgatada pela Polícia Federal (PF) do celular do padre José Eduardo de Oliveira e Silva, faz parte do roteiro golpista e fascista que tentou de alguma forma tomar o Brasil, disse o colunista Ronilso Pacheco no UOL News desta quarta-feira (27).

De acordo com o documento obtido pela PF, em 3 de novembro de 2022, o padre José Eduardo encaminhou uma mensagem a um contato salvo como “Frei Gilson”, identificado pela corporação como Gilson da Silva Pupo Azevedo.

A mensagem pedia “que todos os brasileiros, católicos e evangélicos, os incluam em suas orações, os nomes do ministro da Defesa e de outros 16 generais quatro estrelas ‘pedindo para que Deus lhes dê a coragem de salvar o Brasil, lhes ajude a vencer a covardia e os estimule a agir com consciência histórica e não apenas como funcionários públicos de farda’”.


Não é uma coisa surpreendente, ela [oração ao golpe] compõe esse roteiro golpista, fascista, que tentou de alguma forma tomar o Brasil, e acho que o nacionalismo cristão está um pouco dentro disso, dessa ideia salvacionista do país, em que o diferente, o campo progressista, as liberdades individuais, ou os direitos humanos, a esquerda, seja lá o que for, são os grandes inimigos do país que precisam ser retirados, ou se forem eleitos, precisam ser impedidos de assumir o poder.

Isso não é uma coisa relativamente nova, acho que está muito dentro do corolário que é aquilo que nos Estados Unidos é tão popular como o nacionalismo cristão, que é uma realidade muito próxima do contexto brasileiro também.

Se a gente pensar o 6 de janeiro nos Estados Unidos, você tem muitas histórias semelhantes de quem foi para o Capitólio fazer toda aquela arruaça e aquele ataque, que foi de alguma forma ungido pelas orações, por vigílias, inclusive, de diversas igrejas, grande parte delas protestantes, evangélicas, na verdade, mas também católicas nos Estados Unidos.

No Brasil não é diferente. Muitos dos evangélicos presentes nos atos de 8 de janeiro o fizeram previamente, tendo participado de diversas orações e vigílias, pedidos de orações, que saíram dos seus estados com a bênção de seus pastores e orações, com essa mesma retórica do salvar o Brasil.

Isso é o que é extremamente triste, mas que é um contexto que é esse o Brasil hoje, isso é real. Nós temos uma adesão e um movimento, ainda que ele funcione de maneira sutil, de maneira recuada, mas um movimento identificado com o nacionalismo cristão muito forte que o tempo todo, e sobretudo o governo Bolsonaro, o tempo todo caminhou com todo o projeto fascista e golpista que a gente tem visto. Acho que sem essa unção religiosa, esse movimento inclusive não teria acontecido. (Ronilso Pacheco)



Ronilso Pacheco é um teólogo, escritor e ativista brasileiro, amplamente reconhecido por sua atuação em causas sociais, especialmente relacionadas à justiça racial, desigualdade social e a relação entre fé cristã e transformação social. Ele se destaca por integrar perspectivas teológicas com uma visão crítica das realidades sociais no Brasil.


Ronilso Pacheco nasceu e cresceu no Rio de Janeiro, em comunidades periféricas. Sua vivência em ambientes de exclusão social influenciou profundamente sua trajetória e seu compromisso com a luta por justiça.

Como teólogo, Pacheco utiliza sua formação para abordar questões de desigualdade, racismo estrutural e violência urbana, sempre a partir de uma perspectiva cristã. Ele é vinculado a movimentos eclesiais que defendem uma teologia comprometida com os direitos humanos e a dignidade das populações marginalizadas.

Autor do livro Ocupar, Resistir, Subverter (2016), no qual reflete sobre a relação entre fé, política e as lutas sociais contemporâneas no Brasil, especialmente a partir da experiência de ocupações e movimentos sociais. Suas reflexões frequentemente abordam a necessidade de uma igreja cristã que dialogue com as dores e as esperanças das populações periféricas.


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