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Entenda por que peixe com ‘dentes fortes’ tem atacado banhistas em Bonito (MS)

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Data: 3/4/2025 05:12:51

Fonte: g1.globo.com

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Turista levou oito pontos ao ser mordido em balneário

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) interditou um balneário em Bonito após ocorrências de ataques de peixes a banhistas, na última semana. Conforme apurado pelo g1, somente neste ano foram registrados 30 casos no local. No ano passado, foram 64 ataques do tipo. Veja o relato de uma das vítimas no vídeo acima.

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Os registros ocorreram em uma lagoa artificial do atrativo onde são encontradas, sobretudo, espécies como o tambaqui (Colossoma macropomum). Entre as vítimas, está um homem que pediu para não ser identificado. Ele relatou ao g1 que foi atacado em 2023 e levou oito pontos em um dedo da mão.

Tambaqui (Colossoma macropomum). Espécie ocorre na bacia Amazônica. — Foto: Reprodução/Brian Gratwicke

Segundo o biólogo e professor visitante da Universidade de Campinas (Unicamp), José Sabino, que atua na região de Bonito, a espécie não tem ocorrência na bacia do Alto Paraguai, que abrange os rios da região, e é encontrada em áreas de planície da bacia Amazônica.

O fato de consumir alimentos mais duros, conforme Sabino, faz com que a mordida do tambaqui tenha força, o que pode causar ferimentos graves em humanos.

A introdução de espécies exóticas em ecossistemas diferentes dos naturais, ou seja, onde há ocorrências dessas espécies, é considerada crime ambiental no Brasil.

De acordo com o professor José Sabino, o deslocamento intencional de espécies para outros habitats é um dos vetores da destruição da biodiversidade no planeta.

No caso específico do atrativo interditado, o professor acredita que houve certo despreparo ao se introduzir a espécie na lagoa artificial. Ele defende que é preciso fazer um diagnóstico do problema para mitigar o impacto.

Após o registro das ocorrências de ataques aos visitantes do atrativo, o Imasul suspendeu, em uma primeira determinação, o funcionamento total do local, no dia 26 do mês passado. Três dias depois, parte das atividades foram liberadas, mas a lagoa onde os incidentes ocorreram permanece interditada. O atrativo tenta reverter a decisão.

Para o professor, além da responsabilidade do empreendimento em relação aos ataques, é preciso indagar, também, como o órgão ambiental autorizou o funcionamento do local e a introdução da espécie na lagoa.

“Como é que licencia um passeio com uma espécie exótica, no sentido de ser translocada entre bacias? Isso é proibido por lei”, questiona.

O g1 entrou em contato com o Imasul e não obteve retorno até a mais recente atualização desta reportagem.

Banhista foi mordido por peixe em atrativo de Bonito em 2023. — Foto: Arquivo pessoal