Tarifaço de Trump: governo brasileiro defende diálogo e negociação, e avalia que país tem instrumentos para reagir
Data: 03/04/2025 20:50:20
Fonte: g1.globo.com
Governo brasileiro avalia que tem instrumentos pra reagir à nova postura comercial dos EUA
O governo brasileiro avaliou nesta quinta-feira (3) que tem instrumentos para reagir à nova postura comercial dos Estados Unidos; defendeu o diálogo e a negociação e considera que o tarifaço pode até acelerar o acordo do Mercosul com a União Europeia.
O presidente Lula falou das tarifas americanas em um evento que apresentou um balanço das ações do governo federal.
“Defendemos o multilateralismo e o livre comércio e responderemos a qualquer tentativa de impor o protecionismo que não cabe mais hoje no mundo. Diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender as nossas empresas e os nossos trabalhadores brasileiros. Tendo como referência a lei da reciprocidade econômica aprovada ontem pelo Congresso Nacional e a diretiva da Organização Mundial do Comércio”, afirmou o presidente Lula.
Trump anuncia tarifas sobre produtos importados pelos EUA
Os setores brasileiros que vendem para os Estados Unidos – como aço e etanol – estão evitando traçar cenários. O momento ainda é de avaliação e muitas análises. A expectativa de um acordo com adoção de cotas ainda é real, já que as equipes técnicas dos dois países seguem em reuniões rotineiras.
A Confederação Nacional da Indústria afirma que aço, alumínio, veículos e autopeças permanecem com a tarifa de 25%. Dos 20 produtos que o Brasil mais vende para lá, em oito, o Brasil é o maior fornecedor para os americanos – como ferro fundido e café não torrado.
A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária avalia que os produtos mais impactados são aqueles em que o Brasil é dominante no mercado americano, como o suco de laranja, o etanol e o açúcar – que concorrem com a produção interna dos Estados Unidos.
Em um documento divulgado pela embaixada dos Estados Unidos, o governo Trump afirma que “Argentina, Brasil, Equador e Vietnã restringem ou proíbem a importação de bens remanufaturados, restringindo o acesso ao mercado para exportadores dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que sufocam os esforços para promover a sustentabilidade, desencorajando o comércio de produtos quase novos e com uso eficiente de recursos“.
Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, disse que a decisão de Trump é ruim para todos:
Alckmin destacou três pontos sobre os quais o Brasil deve ter atenção especial. Entre elas, a Lei de Reciprocidade aprovada na quarta-feira (2) pelo Congresso.
“Não pretendemos usá-la, pretendemos fazer negociação. De outro lado, eu acho que vai acelerar o acordo do Mercosul – União Europeia, que é o maior acordo. São 720 milhões de pessoas, 27 países, os mais ricos do mundo na União Europeia, e o Mercosul. Eu acho que acelera esse processo. A outra, nós ligamos aqui o alerta, porque pode ter desvio de comércio do mundo para desaguar aqui no Brasil. Então, nós vamos monitorar qualquer alteração brusca de comércio exterior”, afirmou Geraldo Alckmin.
LEIA TAMBÉM