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DESMELHOR NÃO FICA – Território Livre

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Data: 16/06/2025 04:37:33

Fonte: blog.tribunadonorte.com.br


Domingo (1926) – Edward Hopper – Coleção Phillips, Washington, Estados Unidos



Não é difícil constatar em qualquer supermercado que a fila ao lado sempre anda mais depressa.


Ao transformar observações da vida cotidiana em princípios científicos que  pareciam absurdos em 1949, um engenheiro aeroespacial americano não estava imaginando que alguma delas pudesse ser comprovada  por um país inteiro e seus 300 milhões de viewres do post do menino Nikolas.


Ninguém tem dúvidas sobre o  princípio geral que desencadeou as incontáveis Leis de Murphy:


Se algo pode dar errado, dará.


Onde nada vem dando certo, desde o achamento pelos portugueses e sua caravelas em viagem à Índia, a segunda lei é cláusula pétrea, se não na carta magna, na mente de todos.


Nada pode estar tão ruim que não possa piorar.


Quando reclamavam ao Dr. Ulisses Guimarães a qualidade dos parlamentares que chegavam em Brasília a cada quatro anos, ele pedia que aguardassem a próxima eleição.


A CPI da Cloroquina fica aí para provar.


Quem haveria de imaginar o que daria um bando de macacos arrumando uma cristaleira?


Nem a  legislação murphyniana resistiu, ao rastro de destruição da pandemia.


Não se sabe se foi o fundo do poço ou o pico da curva que se distanciou tanto da linha da base que mesmo quem previa um novo patamar para a normalidade, tem que recorrer a neologismos.


As coisas ruins não melhoram mais.


Antes do paraíso sonhado, ainda haverá um longo purgatório, não restam dúvidas.


A convicção que antes do desfecho final, os doentes apresentam o fenômeno da melhora da morte,  obrigam os filólogos a procurar neologismos.


Quem ousava dizer que o bom era inimigo do ótimo, agora sonha com o regular e se contenta com o sofrível.


Depois de perambular por colunas de jornal e comentários de TV, entrou na fila dos dicionários, um novo verbo que nasceu da desilusão.


Suas conjugações já provocam uma enxurrada de adjetivos, advérbios e substantivos incomuns.


Palavra perfeita para uso por oposicionistas  que não se iludem aos números positivos dos indicadores econômicos no novíssimo IBGE, quanto mais robustos e anabolizados, mais votos dos insatisfeitos do dia a dia trazem.


Pode ser usada também por negacionistas e terraplanistas rendidos à realidade que não cabe embaixo do tapete, utilizado na comparação com os idos do governo passado.


Já passa da hora do Deputado Francisco Everardo atender ao clamor nacional e apresentar um projeto de lei, revogando seu bordão e as disposições em contrário:


Despior que está, tem de ficar.



Quarto em Nova Iorque (1932) – Edward Hopper – Museu de Arte Sheldon, Lincoln, Nebraska, Estados Unidos


(Tema de 14/06/21, revisitado)