Baixar Notícia
WhatsApp
Email

Filha de chefe do PCC sequestrada pelo pai vira assistente de acusação | G1

Fonte: g1.globo.com | Data: 07/03/2026 10:11:38

🔗 Ler matéria original

Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Palermo teria planejado o sequestro da filha para exigir o pagamento de uma suposta dívida de US$ 100 mil dólares (cerca de R$524 mil).

O marido de Gabrielly, Weslley Henrique Sorti de Almeida, também requereu a habilitação como assistente de acusação.

Segundo o MPMS, Gerson teria organizado o sequestro para exigir dinheiro de Salvador Sanches, avô da vítima, e de Weslley. O valor citado na investigação varia entre US$ 100 mil dólares e 200 mil euros, quantia que o acusado afirmou ter deixado guardada com o ex-sogro em 2015.

De acordo com a denúncia, Reinaldo Silva de Farias é apontado como cúmplice na execução do crime. Ele teria mantido a vítima em cativeiro em casa própria e feito as ligações para pressionar a família a pagar o resgate. Em uma das ameaças, teria enviado uma foto da vítima amarrada no chão.

O g1 não localizou as defesas de Reinaldo Silva de Farias, Gabrielly Sanches Palermo e Weslley Henrique Sorti de Almeida, até a última atualização desta reportagem.

Resgate da vítima

O crime aconteceu em outubro de 2025 e o caso foi investigado pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

A vítima foi localizada e liberada pelos policiais no dia 25 de outubro, no bairro Moreninhas, em Campo Grande. Após o resgate, Gabrielly relatou que sofreu agressões e ameaças durante o período em que ficou em cativeiro.

“A vítima relatou ter sido agredida com chutes, socos, puxões de cabelo e coronhadas de arma de fogo na cabeça, além de ter permanecido amarrada”, diz a denúncia.

Segundo a investigação, o marido da vítima também recebeu ameaças. Os suspeitos exigiam o pagamento do resgate, que não chegou a ser pago.

Suspeito preso e investigação

Durante as buscas, policiais prenderam Reinaldo Silva de Farias, de 34 anos. Com ele, os investigadores apreenderam armas de fogo, celulares e um veículo usado no crime.

A polícia também identificou a casa usada como cativeiro, que passou por perícia.

Inicialmente, Reinaldo foi preso em flagrante pelos crimes de extorsão mediante sequestro, posse de arma de fogo de uso restrito e ameaça. Posteriormente, decisões judiciais concederam liberdade provisória, com uso de tornozeleira eletrônica e restrições de distância.

Quem é Gerson Palermo

Gerson Palermo foi condenado a 126 anos de cadeia. — Foto: Redes sociais/Reprodução

O nome de Palermo aparece em investigações de grande impacto contra o crime organizado. Ele foi apontado como chefe do PCC, facção criminosa com atuação dentro e fora dos presídios.

O sequestro do Boeing e a primeira grande condenação

A aeronave foi obrigada a pousar em Porecatu, no Paraná. No local, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil com cerca de R$ 5,5 milhões. Pelo crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.

Prisão e investigação por tráfico internacional

Anos depois, ele voltou ao centro de outra grande investigação. Em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In para desmontar um esquema de tráfico internacional de drogas. Palermo foi apontado como um dos chefes da organização.

Segundo as investigações, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS). Depois, era transportada em caminhões para outros estados do país. A operação ocorreu em seis estados e apreendeu 810 quilos de cocaína.

Após as condenações, Palermo foi preso e encaminhado ao presídio federal de segurança máxima de Campo Grande, onde cumpria pena em regime fechado.

A saída do presídio e a fuga

Mesmo com o histórico criminal e a longa pena, Palermo deixou o presídio federal em 2020.

A soltura foi autorizada pelo então desembargador Divoncir Schreiner Maran, que concedeu prisão domiciliar sob a justificativa de problemas de saúde.

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não havia laudo médico que comprovasse a condição alegada.

Punição ao magistrado

Segundo o relator do processo, conselheiro João Paulo Schoucair, a medida foi tomada sem comprovação médica e extrapolou os limites da atuação judicial.

O CNJ também apontou que investigações da Polícia Federal identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do magistrado.

Gerson Palermo — Foto: Reprodução

Veja vídeos de Mato Grosso do Sul