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O que é a nova variante da Influenza que preocupa especialistas e como se proteger

Fonte: gazetadoparana.com.br | Data: 07/03/2026 16:01:55

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O aumento de casos de influenza sazonal em vários países tem chamado a atenção de autoridades de saúde. O crescimento das infecções está associado à chamada gripe K, uma variante genética do vírus influenza A (H3N2).

A cepa começou a circular com mais força a partir de meados de 2025 em países da Europa, da Ásia e da América do Norte. No Brasil, a variante foi identificada no final do ano passado.

Apesar da preocupação com o aumento de casos, especialistas ressaltam que a gripe K não representa uma nova doença. Trata-se de um subclado do vírus H3N2, já conhecido pelas autoridades sanitárias.

Vacina segue protegendo

A variante não foi incluída na composição das vacinas contra a gripe que serão usadas no inverno de 2026. Isso ocorreu porque o imunizante é definido meses antes do início da campanha de vacinação.

Todos os anos, a Organização Mundial da Saúde acompanha quais cepas do vírus influenza estão em circulação e define a composição das vacinas para a temporada seguinte. Em 2025, essa definição ocorreu em setembro, quando a variante K ainda não havia se consolidado como preocupação global.

Mesmo assim, especialistas afirmam que as vacinas atuais continuam oferecendo proteção, principalmente contra casos graves e hospitalizações.

A versão de 2026 da vacina produzida pelo Instituto Butantan inclui uma cepa de influenza A H3N2, da qual surgiu a variante K, além de uma cepa de influenza A H1N1 e outra de influenza B da linhagem Victoria.

Segundo o pesquisador e gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan, Paulo Lee Ho, a vacinação anual continua sendo a principal forma de prevenção contra complicações da gripe.

Ele afirma que pessoas vacinadas que foram infectadas pela variante K apresentaram proteção contra sintomas mais graves da doença.

Como surgiu a variante

A chamada gripe K também é conhecida tecnicamente como J.2.4.1 e tem origem em um subclado do vírus H3N2.

A variante apresenta sete mutações em seu material genético. Essas alterações permitiram que o vírus escapasse parcialmente da resposta imune, o que favorece o aumento no número de infecções.

De acordo com especialistas, essas mutações surgiram de forma natural durante a evolução do vírus.

A Organização Mundial da Saúde afirma que, apesar de representar uma evolução relevante do H3N2, os dados atuais não indicam aumento na gravidade da doença causada pela nova variante.

Há risco de pandemia?

Especialistas afirmam que o subclado K não apresenta características associadas a vírus com potencial pandêmico.

Segundo pesquisadores, variantes capazes de provocar pandemias costumam surgir a partir da mistura genética entre diferentes vírus durante coinfecções.

Foi o que ocorreu, por exemplo, na pandemia de H1N1 registrada em 2009, que envolveu recombinações genéticas entre vírus de origem suína, humana e aviária.

No caso da gripe K, a evolução ocorreu de forma gradual e natural.

Por que o vírus da gripe muda tanto

Os vírus influenza sofrem mutações com frequência por causa da forma como replicam seu material genético.

Eles são vírus de RNA e não possuem mecanismos eficientes para corrigir erros durante a replicação. Assim, pequenas falhas no processo acabam gerando mutações que podem dar origem a novas variantes.

Vacinação disponível no SUS

Desde abril de 2025, a vacina contra a gripe passou a fazer parte do calendário nacional de vacinação de rotina para alguns grupos prioritários.

Crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes e idosos com 60 anos ou mais podem receber a vacina ao longo de todo o ano nos postos de saúde.

Outros grupos prioritários, como profissionais da saúde, professores, integrantes das forças de segurança, pessoas privadas de liberdade e indivíduos com doenças crônicas ou deficiência, continuam sendo atendidos nas campanhas anuais.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe de 2026 está prevista para ocorrer entre março e abril.


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