Energia eólica é impulsionada na Europa
Fonte: alemdaenergia.engie.com.br | Data: 09/03/2026 09:33:52
A cidade de Hamburgo, na Alemanha, foi palco da assinatura de acordo entre os países europeus que permanecem comprometidos com a energia eólica como forma de impulsionar a segurança energética do continente. De acordo com o pacto de energia limpa, selado pela Cúpula do Mar do Norte, dez nações – Grã-Bretanha, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Noruega – se comprometem a fornecer 100 gigawatts (GW) de capacidade de energia eólica offshore por meio de projetos conjuntos de grande escala.
Segundo matéria do Valor Econômico, esse adicional de capacidade no mar pode transformar o mercado de energia da Europa. A região, atualmente, possui 258 GW de capacidade eólica instalada, tanto em terra quanto no mar, fornecendo 19% da eletricidade consumida no continente, de acordo com dados da WindEurope.
Tal impulsionamento pode beneficiar fabricantes de tecnologia de rede, como a Siemens Energy e a GE Vernova, desenvolvedores de projetos, incluindo a RWE e a Orsted, bem como fabricantes de turbinas eólicas, como a Vestas. As operadoras de rede National Grid e TenneT Germany anunciaram que irão colaborar para desenvolver uma interligação energética conectando parques eólicos offshore britânicos e alemães no Mar do Norte, para abastecer ambos os países.
Ao planejar e implementar a expansão das redes e da indústria de forma conjunta e transfronteiriça, estamos promovendo a geração de energia renovável, acessível e sustentável, fortalecendo nossa base industrial e ampliando a soberania estratégica da Europa”, afirmou a ministra da Economia alemã, Katherina Reiche.
Relação com os EUA

Foto: Benedikt von Loebell/ World Economic Forum via Flickr
O acordo contrasta com a posição do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação à energia renovável. Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 21 de janeiro, Trump intensificou suas críticas à transição dos países europeus para energia de baixo carbono, afirmando que as nações que dependem de turbinas eólicas perdem dinheiro.
“Estamos defendendo nosso interesse nacional ao impulsionar a energia limpa, que pode tirar o Reino Unido da montanha-russa dos combustíveis fósseis e nos dar soberania e abundância energética”, disse o ministro britânico da Energia, Ed Miliband, em um comunicado.
Reduzir a dependência de fontes energéticas russas tem sido um objetivo estratégico para a Europa. Os Estados-membros da União Europeia já aprovaram uma proibição às importações de gás russo até o final de 2027, tornando a ruptura com seu antigo principal fornecedor juridicamente vinculativa, quase quatro anos após a invasão em grande escala da Ucrânia por Moscou.
No entanto, novos desafios surgem e podem impactar os esforços em direção à soberania energética. A UE obteve 27% do total de suas importações de gás e GNL dos Estados Unidos em 2025. Novos contratos de GNL significam que esse número pode subir para 40% até 2030, de acordo com o Instituto de Economia Energética e Análise Financeira.
Planos de vento em popa
O compromisso de impulsionar a colaboração transfronteiriça faz parte de uma meta acordada pelos países do Mar do Norte em 2023 para ter 300 GW de capacidade eólica offshore até 2050. O grupo de advocacy da indústria, WindEurope, afirmou que, segundo o acordo, suas empresas associadas se comprometeram a reduzir custos, criar 91.000 empregos e gerar um trilhão de euros (US$ 1,2 trilhão) em atividade econômica.
Da parte alemã, a ministra Katherina Reiche já revelou planos para revitalizar as licitações de energia eólica offshore, paralisadas até então, com um pacote de medidas que inclui a concessão de receitas de energia mais confiáveis aos investidores.
Ao introduzir os “Contratos por Diferença” (CFDs), os investidores receberão compensação quando os preços de mercado da eletricidade caírem abaixo de um valor de referência acordado, ou devolverão parte de suas receitas quando os preços excederem esse valor de referência.
A Alemanha precisa intensificar seus esforços depois que duas licitações recentes para desenvolver projetos eólicos em sua costa não atraíram nenhuma proposta, enquanto a Grã-Bretanha e a Irlanda executaram projetos bem-sucedidos, disse Reiche. A Grã-Bretanha afirmou que também assinaria outros acordos com grupos menores de nações participantes para promover o desenvolvimento mais eficiente de projetos transfronteiriços e infraestrutura para criar parques eólicos no mar que estejam diretamente conectados a mais de um país.
No início do ano, a Grã-Bretanha garantiu uma quantidade recorde de capacidade eólica offshore em seu último leilão de energia, quando projetos com capacidade total de 8,4 GW foram contemplados com contratos.