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CineSolar inicia temporada 2026 para levar cinema a cidades sem salas de exibição

Fonte: telaviva.com.br | Data: 09/03/2026 21:45:24

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Sessão do Cinesolar em Pompéia (SP) atraiu cerca de 900 pessoas em 2025 e mereceu Menção Honrosa na Câmara dos Vereadores (Foto: Divulgação CineSolar)

O projeto itinerante CineSolar inicia sua temporada de 2026 no próximo dia 24 de março, com o objetivo de levar sessões gratuitas de cinema a municípios sem salas de exibição. A primeira parada será em São Manuel/SP. A iniciativa, que utiliza um furgão movido a energia solar, ocorre em um contexto onde 529 dos 645 municípios do estado de São Paulo não possuem cinemas, o que representa mais de 80% do total, segundo dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine).

O cenário de acesso restrito à exibição de filmes no estado contrasta com o momento do cinema brasileiro no cenário internacional, que inclui a conquista do Oscar de Melhor Filme Internacional por “Ainda estou aqui” em 2025 e indicações para “O agente secreto” na premiação de 2026. O projeto busca ocupar esses espaços, transformando locais públicos em salas de cinema a céu aberto. A previsão para este ano é que a iniciativa percorra cem cidades na área de concessão do Grupo CPFL Energia.

Apoiado pelo Instituto CPFL desde 2014, por meio da frente Circuito CPFL, o CineSolar percorreu, somente em 2025, cerca de 16 mil quilômetros, passando por cem cidades de seis estados e alcançando um público de aproximadamente 24 mil espectadores. Em São Manuel/SP, município com cerca de 38 mil habitantes, as salas comerciais mais próximas estão a aproximadamente 30 quilômetros, em Botucatu.

A agricultora Bianca Monique Vieira Caetano, de 27 anos, assistiu a uma sessão de cinema pela primeira vez em abril de 2025, quando o projeto chegou ao distrito de Vitoriana, em Botucatu. “Eu amei por ser uma algo que a gente nunca viu e por ter a oportunidade de ver com as minhas filhas”, contou Bianca, que levou as duas filhas, de 12 e 5 anos. Em Ribeirão Bonito/SP, a estudante Ysiey Eduarda Martins Bispo, de 15 anos, relatou a experiência de levar seu irmão de quatro anos a uma sessão. “Achei muito bonita a iniciativa, porque nunca teve isso aqui. Eu vou embora com um sentimento de alegria e gratidão por poder trazer meu irmão para conhecer tudo isso”, afirmou.

Para o Instituto CPFL, o apoio ao projeto está alinhado ao compromisso com a democratização da cultura. “Acreditamos que o acesso à cultura é um direito e uma ferramenta de transformação social. Em um momento em que o cinema brasileiro ganha reconhecimento mundial, é fundamental garantir que essa experiência também chegue às comunidades que não contam com salas de exibição”, afirma Daniela Ortolani Pagotto, head do Instituto CPFL.

Cynthia Alario, idealizadora do CineSolar, aponta que mesmo em municípios com salas de projeção, o custo pode ser um impeditivo para as famílias. Ela também destaca a curadoria dos filmes exibidos. “A nossa preocupação é pensar uma curadoria com produções audiovisuais relevantes. Por exemplo, os curtas-metragens exibidos nas sessões do CineSolar tratam temas de reflexão para a sociedade, tais como as questões ambientais, de maneira lúdica e que dificilmente alcançariam a população porque se restringem a festivais de cinema”, diz.

O projeto continua a percorrer o interior do estado como uma alternativa para o acesso à produção audiovisual nacional, em um cenário de carência de infraestrutura de exibição em grande parte do país.