10 escritórios com visão sustentável que estão transformando a arquitetura
Fonte: revistacasaejardim.globo.com | Data: 10/03/2026 09:31:56
Segundo o Global Status Report for Buildings and Construction 2024/2025, a construção civil é responsável por 32% do consumo da energia global e 34% das emissões globais de CO₂. Inovações e estudos em soluções arquitetônicas podem contribuir para minimizar o impacto ambiental do setor.
A atenção aos materiais, por exemplo, é um fator que favorece construções sustentáveis. Os mais comuns em obras, como o cimento e o aço, respondem por 18% das emissões globais. A escolha de materiais alternativos, como a madeira, o bambu e a terra, vem sendo a opção de escritórios de arquitetura que tentam fazer a diferença em meio às mudanças climáticas.
“A responsabilidade da arquitetura envolve pensar nos processos que ela desencadeia, nos saberes locais que mobiliza, nos materiais que escolhe, no uso consciente de recursos abundantes e na criação de um canteiro de obras saudável”, aponta Tomaz Lotufo, do coletivo Sem Muros. “É criar um lugar pedagógico, que questione quais materiais são mais duráveis, o que é ou não ‘chique’, e como dialogar com um clima específico”, complementa.
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Arquitetos do Brasil e do mundo estão na busca por alternativas construtivas. “Temos sentido que a geração de profissionais que entende que sustentabilidade não é tendência está aumentando. Os novos profissionais vêm muito nos procurar para ter uma experiência real e autêntica em projetos de baixo impacto”, analisa Antonio Carlos Vissotto Jr., sócio da Gera Brasil Arquitetura.
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Observar de perto essas mudanças é um dos caminhos para inspirar e reproduzir métodos construtivos. Aqui, separamos 10 escritórios que têm uma visão sustentável do processo de construção!
1. Gera Brasil
O escritório brasileiro Gera Brasil, comandado pelos sócios Karen Ueda e Antonio Carlos Vissotto Jr., incorpora a sustentabilidade desde a primeira conversa com o cliente. A preocupação com a descarbonização aparece na escolha dos materiais, em especial terra e madeira.
Os arquitetos também buscam usar sistemas construtivos modulares e alternativas para a geração de energia e o tratamento de água. “Buscamos alterar o mínimo possível a configuração do terreno, limitando somente ao local onde será feita a construção”, acrescenta Karen.
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“O maior exemplo tem sido sempre a Casas das Birutas pela ampla variedade de temas sustentáveis aplicados – materialidade, biofilia, uso racional das águas, recuperação do solo por meio de agrofloresta, reaproveitamento de materiais, sistemas construtivos e cursos para a comunidade local”, aponta o sócio.
Os arquitetos refletem, no entanto, que a utilização máxima de soluções construtivas depende do equilíbrio entre desejos do cliente, arquitetos e construtores.
2. Sem Muros
A rede de arquitetos Sem Muros nasce para propor processos ecológicos e sociais. “Pensamos a sustentabilidade não como uma lista, mas como metodologia. Consideramos todos os aspectos, onde o projeto está sendo feito, a disponibilidade de materiais da região e para quem é a obra final”, diz a arquiteta Ana Beatriz Giovani.
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A rede acredita na importância de escolher materiais locais, que reduzem a emissão de carbono do transporte e valorizam técnicas regionais.
“Projetamos uma escola em Mogi das Cruzes, SP. Ao lado, existia uma pedreira, que doou terra, areia e pedrisco. Esses materiais, extraídos a curta distância do canteiro, foram utilizados na construção das paredes de taipa de pilão de forma manual e artesanal”, exemplifica Flávia Burcatovsky. Já em um parque em Morretes, PR, a escolha foi por um tipo de bambu fino, que valoriza uma estrutura bioregional e de baixo impacto ambiental.
3. Roth Architecture
O escritório mexicano Roth Architecture foca na construção de edifícios que conversam com a natureza, combinados ao resgate de técnicas e saberes ancestrais. “Partimos da dinâmica dos usuários no espaço e potencializamos sua experiência ao criar atmosferas imersivas que combinam a presença de elementos naturais com estruturas arquitetônicas construídas manualmente, sem impacto ambiental”, diz o site do escritório.
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As pesquisas para a elaboração dos projetos passam por conceitos como biodesign, biomateriais, biomimética e biofilia. “Por meio de análises extensivas do local, extraímos inspiração e entendimento da história, da cultura, do território, dos materiais e dos sistemas naturais”, descreve.
Com formas curvas e técnicas de construção artesanais, o museu SFER-IK Tulum foi idealizado pelo escritório para ser um santuário ecológico. Entre os materiais utilizados estão madeira bejuco, cimento tratado leve e um teto de folhas que filtra a luz do dia.
4. Chiangmai Life Architects
A Chiangmai Life Architects foca no design orgânico, que integra materiais naturais aos conhecimentos contemporâneos de construção. O bambu e a terra são os mais utilizados pelo escritório tailandês.
“O uso de bambu e da terra mantém nossa pegada de carbono baixa. Com o bambu frequentemente alcançamos uma pegada negativa, o que significa que nossos projetos absorvem mais carbono do que liberam”, diz o site do escritório.
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Além de criar construções sustentáveis, a empresa também fornece material sustentável, para a criação de grandes estruturas de bambu, como treliças para pavilhões, resorts ecológicos, vilas, escolas, escritórios e fábricas.
O escritório projetou a The Bull Zabb e Lee Cooking School, que recebeu o prêmio de Melhor Edifício de Hospitalidade Sustentável de 2025 pelo Architizer A+ Awards. O local foi construído em bambu. Além de resultar em uma menor pegada de carbono, contribui para criar um ambiente acolhedor.
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5. Võ Trọng Nghĩa Architects
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O escritório vietnamita, fundado em 2006, busca proteger o ar, a água e a terra durante a elaboração de seus projetos. Nos materiais, o foco é a construção em bambu, enquanto, no paisagismo, a busca é reintroduzir espaços verdes em áreas urbanas, contribuindo para a melhora de inundações, superaquecimento e poluição do ar.
O complexo de lazer Grand World Phu Quoc, por exemplo, é formado por 42 mil peças de bambu. As hastes são unidas por meio de cordas e pinos feitos de bambu – matéria-prima típica do Vietnã. A estrutura é coroada por um telhado de palha que integra claraboias para iluminar o espaço com luz natural.
6. Zaha Hadid Architects
A arquiteta iraquiana-britânica Zaha Hadid (1950-2016) ficou conhecida pelo seu estilo futurista, com ângulos e curvas marcantes. Nos últimos anos, o escritório deixado por ela também vem se destacando por elementos ligados à sustentabilidade.
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A sede do BEEAH Group, nos Emirados Árabes, é um exemplo que une modernidade e sustentabilidade. No formato, a construção imita as dunas do país, utilizando materiais reciclados e de origem local.
O edifício ainda adota o uso de energia fotovoltaica e consegue identificar a ocupação para autorregular a temperatura e a iluminação, economizando energia.
7. Adjaye Associates
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O arquiteto ganês-britânico David Adjaye vê a sustentabilidade como uma forma de pensar o contexto social, cultural e histórico ao contexto energético e material. “Não se trata do mercado, mas de considerar todo o ciclo de vida de um projeto. Essa é uma responsabilidade que coloco tanto sobre mim quanto sobre minha equipe”, diz David ao Art Summit.
Na biblioteca Francis A. Gregory, em Washington, nos Estados Unidos, a arquitetura explora ao máximo as condições naturais do entorno. A edificação se beneficia da vegetação existente, potencializa a entrada de luz solar no inverno e reduz a carga térmica no verão por meio de uma ampla cobertura que atua como brise natural.
8. Heatherwick Studio
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Fundada pelo arquiteto Thomas Heatherwick, o escritório busca explorar a sustentabilidade social, por meio de conceitos como materialidade, redução de carbono e desempenho energético. Para Heatherwick Studio, além da ciência, é preciso criatividade para enfrentar as mudanças climáticas.
Em Nova York, o escritório construiu a Little Island, reconhecida pelo Architizer A+ Awards na categoria Parque Público e Áreas Verdes (Public Park and Green Spaces). Sustentada por elegantes colunas em formato de “tulipa”, a arquitetura é tomada por mais de 400 espécies de plantas e 100 tipos de árvores adequadas às condições climáticas do local.
9. The Miller Hull Partnership
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O escritório tem atuado na iniciativa EMission Zero, integrando ações de design e educação. “Nosso compromisso é o de compensar as emissões de gases de efeito estufa geradas até o ponto de ocupação de todos os nossos projetos construídos”, descreve o site do The Miller Hull Partnership.
O projeto para o Kendeda Building prioriza o uso da madeira – material que tem uma pegada de carbono menor do que o aço ou o concreto. A cobertura é formada por 1.560 m² de painéis fotovoltaicos, o que gera toda a energia do edifício. A água da chuva também é capturada pelas coberturas, sendo tratada e usada no local. Há ainda a integração entre espaços internos e externos, criando um microclima agradável.
10. RPBW
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No Renzo Piano Building Workshop (RPBW), a sustentabilidade é parte integrante do processo criativo, permeando cada decisão de projeto, desde os materiais ao conforto dos ocupantes. O escritório combina estruturas híbridas de madeira, ventilação natural e técnicas de modularização para reduzir o desperdício e a pegada de carbono, ao mesmo tempo em que prioriza a durabilidade e o bem-estar humano.
A California Academy of Sciences foi construída sobre local histórico no Golden Gate Park, e preservou estruturas originais. No projeto, foi integrado um telhado vivo de 37 mil m², com 1,7 milhão de plantas nativas em substratos biodegradáveis, que proporciona isolamento térmico, ventilação natural e refrigeração passiva, reduzindo a necessidade de ar-condicionado. Painéis fotovoltaicos, materiais reciclados e estratégias de captação de água da chuva complementam um sistema de eficiência energética.