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Sucessão no campo

Fonte: fecoagro.coop.br | Data: 11/03/2026 00:58:49

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JOSÉ ZEFERINO PEDROZO  – Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) 

e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC) 

A sucessão nas propriedades rurais catarinenses figura entre os grandes desafios estruturais do Estado. Trata-se de questão que alcança o núcleo do modelo produtivo responsável por projetar Santa Catarina como referência nacional e internacional em eficiência agropecuária. 

A base fundiária catarinense é formada majoritariamente por pequenas propriedades. Esses estabelecimentos alcançam elevada viabilidade econômica graças à produtividade e à diversificação de culturas. A policultura nos minifúndios consolidou-se como pilar do êxito barriga-verde. Essa construção histórica exige continuidade. Sem sucessão exitosa, compromete-se a sustentação das cadeias agroindustriais, das cooperativas e de milhares de postos de trabalho. 

Com cerca de 375 mil propriedades inscritas no Cadastro Ambiental Rural, impõe-se reconhecê-las como empresas. Exigem gestão profissional, planejamento estratégico, governança familiar e inovação permanente. A sucessão ultrapassa a mera transferência patrimonial. Constitui processo que requer formação técnica, preparo gerencial e visão empresarial. Quando estruturada com método, fortalece o negócio. Quando negligenciada, conduz à fragmentação e ao abandono da atividade. 

Nesse contexto, a qualificação de alto nível (como o ATeG e a Rede E-Tec) assume papel decisivo. Os programas do Senar em Santa Catarina elevam o padrão técnico do produtor, qualificam jovens e ampliam horizontes para permanência no campo. A educação profissional transforma vocação em competência e tradição em empreendimento competitivo. Ao conferir base técnica sólida, cria condições objetivas para que a nova geração enxergue futuro promissor na empresa rural. 

A rede E-TEC do Senar destaca-se como instrumento estratégico. Ao ofertar cursos técnicos de qualidade nas áreas de agronegócio, agricultura, fruticultura, florestas e zootecnia amplia o acesso ao conhecimento e prepara sucessores aptos a gerir propriedades com racionalidade econômica, domínio tecnológico e responsabilidade ambiental. A educação técnica fortalece a autoestima do jovem rural e consolida a percepção de que o campo é espaço de inovação e prosperidade. 

Nessa mesma direção, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema CNA, Faesc e Senar representa outro eixo transformador em Santa Catarina, atuando em 12 cadeias produtivas: agroindústria, agroindústria apícola, apicultura, bovinocultura de leite, bovinocultura de corte, fruticultura, maricultura, olericultura, ovinocultura de corte, piscicultura, turismo rural e suinocultura.  

 A ATeG introduz planejamento, controle de custos, indicadores de desempenho e visão de mercado. Eleva produtividade, amplia rentabilidade e profissionaliza a gestão. Ao assegurar resultados concretos, torna a atividade mais atrativa para os herdeiros e reduz a insegurança que frequentemente afasta potenciais sucessores. 

Paralelamente, o esvaziamento demográfico impõe reflexão. O Censo de 2022 registrou 886,1 mil habitantes na área rural catarinense, equivalentes a 11,6% da população estadual. Há três décadas, esse contingente representava 25%.  

A concentração populacional em micropolos e a retração nos pequenos municípios revelam processo de litoralização que compromete o equilíbrio territorial. Regiões do interior enfrentam escassez de mão de obra, enquanto centros urbanos lidam com pressões crescentes sobre infraestrutura e serviços. 

A sucessão nas empresas rurais exige estratégia articulada. Formação profissional rural, expansão da rede E-TEC e fortalecimento da ATeG constituem pilares dessa resposta em Santa Catarina. Educação de excelência, gestão eficiente e ambiente institucional estável formam a base para assegurar que as novas gerações assumam o protagonismo da produção. O futuro do Estado depende da vitalidade de seu campo e da permanência de suas famílias na terra que sustenta a economia e a identidade catarinense. 

Fonte: MB Comunicação  

Foto: Divulgação