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‘Fomos penalizados por sermos grandes e independentes’, diz fundador da Reag à CPI do Crime Organizado

Fonte: valor.globo.com | Data: 11/03/2026 10:12:47

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O fundador da Reag, João Carlos Mansur, disse nesta quarta-feira (11) que a empresa foi penalizada pelo mercado por ser “grande e independente” e confirmou que o Banco Master era um dos clientes dela. A afirmação foi proferida pelo empresário durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a atuação do crime organizado no Brasil.

A Reag foi alvo das Operações Carbono Oculto e Compliance Zero, da Política Federal (PF), por supostos envolvimentos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e com as supostas fraudes financeiras do Banco Master.

“Nós tínhamos duas companhias listadas, uma de administração fiduciária e uma de gestão, no novo mercado da Bolsa de Valores. Ou seja, a gente escolheu o nível de governança mais alto possível justamente por conta disso, por ser de administração independente, com nomes de referência no mercado e operações muito claras e muito transparentes. Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente”, declarou Mansur aos senadores.

Ele também confirmou que a Reag prestava serviços ao Master. “O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas de mercado. Um cliente como o senhor, como eu, como o nosso advogado, então, normal”, respondeu o empresário.

Mansur, ainda, defendeu que a Reag não tem qualquer ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa já foi alvo da operação Carbono Oculto, da Polícia Federal (PF), que investiga a atuação do PCC no setor de combustíveis.

“Trabalhamos de forma muito dirigente, muito consciente. Infelizmente, passou um rolo compressor. Nós não temos nenhuma ligação, como nosso advogado, nosso patrão acabou de colocar, no procedimento da Carbono Oculto, 15 mil páginas, não existe nenhuma menção à associação com o PCC”, alegou o fundador da Reag.

Mais cedo, a defesa de Mansur afirmou que o seu cliente ficaria em silêncio durante o depoimento realizado pela CPI.

O direito de não responder aos questionamentos dos senadores e de não dizer a verdade foi concedido ao empresário pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo assim, Mansur foi obrigado a comparecer à oitiva.

“O senhor Mansur figura como indiciado em três procedimentos. Essas investigações apuram, inclusive, a atuação dele no mercado financeiro. Por esse motivo, pelo habeas corpus que foi concedido pelo iminente ministro Flávio Dino, a defesa registra que ele vai usar o direito constitucional de não responder a indagações. Mas, evidentemente, ele está aqui, presente para escutar as indagações”, disse o advogado José Luis Oliveira Lima aos senadores.

Liquidada pelo Banco Central (BC) em janeiro, a Reag foi apontada pela PF como responsável por grande parte das estruturas financeiras utilizadas pelo Banco Master nas fraudes que realizou. Segundo as investigações, a gestora administrava fundos e operações que serviram de base para transações posteriormente classificadas como fraudulentas.

Por conta das supostas ligações com o PCC, a CPI do Crime Organizado considerou importante a realização de uma oitiva com Mansur.

João Carlos Mansur, fundador da Reag — Foto: Foto: Silvia Zamboni/Valor
João Carlos Mansur, fundador da Reag — Foto: Foto: Silvia Zamboni/Valor