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IA no audiovisual exige equilíbrio entre tecnologia e proteção de direitos – TELA VIVA News

Fonte: telaviva.com.br | Data: 11/03/2026 15:52:53

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João Daniel Tikhomiroff no AITOUR. (Divulgação/Mixer)

O impacto da Inteligência Artificial na indústria audiovisual e os desafios relativos à propriedade intelectual foram discutidos nesta terça, 10, durante o AITOUR, em São Paulo. O debate, realizado no painel “Fireside chat #3 – Audiovisual, identidade e propriedade intelectual”, reuniu o cineasta e presidente da Mixer Films, João Daniel Tikhomiroff, e o gerente da WPP Production no Brasil, Rafael Nasser, para analisar a integração da tecnologia nos processos produtivos.

A expansão da tecnologia tem gerado questionamentos sobre a proteção de imagem e os direitos autorais no setor. Para João Daniel Tikhomiroff, a ferramenta deve ser utilizada de forma complementar à sensibilidade humana. “Ninguém está falando em não usar Inteligência Artificial. Estamos falando em usar a tecnologia a nosso favor. A IA é uma ferramenta, um instrumento, não algo que vai comandar a produção”, afirmou o cineasta. Ele ressaltou que, embora a técnica possa reduzir custos e acelerar processos, a criatividade permanece dependente do fator humano.

A discussão sobre a identidade digital também foi pautada por casos de atores internacionais. Tikhomiroff mencionou que, enquanto Matthew McConaughey defende o uso da IA mediante negociação e preservação de direitos, a atriz Scarlett Johansson criticou a utilização de voz semelhante à sua sem autorização. “A questão dos direitos autorais e da identidade é uma consequência natural desse avanço. O importante é usar a tecnologia com responsabilidade, preservando direitos individuais de imagem, som e propriedade intelectual”, disse o presidente da Mixer Films.

No setor publicitário e de produção, a adoção da tecnologia já é uma realidade frequente. Segundo Rafael Nasser, a maioria dos clientes da WPP Production utiliza a ferramenta em algum nível, processo que ele classifica como uma revolução em etapas. A fase inicial, denominada “enhance”, foca na agilidade e redução de custos. “Depois vem a escala além do humano e, em seguida, a conexão de dados em tempo real para planejar, criar e entregar conteúdo ao mesmo tempo. Isso muda completamente a infraestrutura de produção”, explicou Nasser.

O executivo apontou que o principal entrave para a disseminação ainda maior da IA não é a capacidade tecnológica, mas a segurança jurídica. De acordo com Nasser, muitos departamentos legais de empresas ainda não possuem estrutura para lidar com os riscos envolvidos na nova realidade. Ele defendeu que, embora tarefas possam ser delegadas às máquinas, o comando das decisões deve permanecer com as pessoas.

O debate mediado por Emerson Pinha, gerente da VTX365, indicou que o setor audiovisual atravessa um período de transição. A consolidação da Inteligência Artificial na indústria criativa depende agora do equilíbrio entre a eficiência produtiva e a definição de marcos regulatórios para a autoria e a propriedade intelectual.