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Novos Caminhos: jovens acolhidos do Meio-Oeste avançam no mercado de trabalho – Michel Teixeira Notícias

Fonte: michelteixeira.com.br | Data: 11/03/2026 18:42:37

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O avanço da empregabilidade entre adolescentes acolhidos na região Meio-Oeste ganha força com a atuação integrada do programa Novos Caminhos, iniciativa criada pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), Federação das Indústrias (FIESC) e Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), que desde 2013 promove educação, saúde e inserção profissional para jovens em acolhimento institucional. O programa já encaminhou mais de 2 mil jovens ao mercado de trabalho e realizou 16,5 mil matrículas em cursos de formação.

Na região Meio-Oeste, os esforços começam a se refletir de forma concreta na vida dos adolescentes atendidos. Atualmente, 24 jovens acolhidos estão sob acompanhamento do Novos Caminhos. Nove deles já estão inseridos no mercado de trabalho por meio de aprendizagem, contratados com vínculo empregatício formal em regime CLT ou estágio. Outros cinco estão aptos para oportunidades de empregabilidade, conforme detalha a interlocutora do Sesi/Senai Elaine Cristina Blödorn Martins, uma das responsáveis pela articulação com empresas e acompanhamento das trajetórias profissionais, assim como fazem colaboradores do CIEE, parceiro do Novos Caminhos.

Elaine destaca que o engajamento do setor produtivo tem sido decisivo para transformar a realidade desses jovens. “Ao longo dos últimos anos, diversas empresas abriram suas portas e ofereceram oportunidades que resultaram em efetivações após a maioridade. Um gesto que enche o coração de alegria e mostra o impacto positivo dessas iniciativas”.

 Empresas que fazem diferença

Entre os destaques está a empresa Fast Tecnologia Industrial, de Capinzal, cujo histórico de contratações demonstra a consequência concreta das ações do programa. Parceira do programa desde 2022, há dois anos a empresa recebeu a aprendiz Gabriela Stein, que posteriormente foi efetivada e, recentemente, promovida. Atuante na área administrativa do setor de engenharia mecânica, a jovem, que começou aos 17 anos na empresa, considera esta uma importante oportunidade de evolução. “Para mim, é uma ótima experiência. Quero me desenvolver, crescer e construir uma história de conquistas. Sou grata a todos aqueles que me estenderam a mão”, diz.

Para a analista de Gente e Gestão, Camila Rodrigues, o desejo de crescer de Gabriela é perceptível. “Ela é uma menina maravilhosa, competente e com muita vontade de aprender. Gostamos muito do trabalho dela. Tanto que hoje ela está assumindo cada vez mais frentes dentro do setor de engenharia”, conta.

O sucesso da prática motivou novas oportunidades e duas outras jovens aprendizes foram contratadas neste ano — uma delas para o setor financeiro e a outra para o de marketing. “O apoio a jovens em situação de acolhimento institucional está alinhado à cultura do Grupo Fast, que valoriza o desenvolvimento de pessoas, a inclusão e a geração de oportunidades”, explica a analista.

Ela diz que o acesso na empresa se dá por meio do IncluiFast. “Destacamos o comprometimento com a responsabilidade social, promovendo acesso ao mercado de trabalho, aprendizado e autonomia para esses jovens, ao mesmo tempo em que fortalecemos um ambiente mais diverso, humano e com impacto positivo na comunidade”, finaliza.

Outra empresa que fortalece a rede de empregabilidade é a Valpasa, de Tangará, que seguiu pelo mesmo caminho ao oferecer aos jovens oportunidades como aprendizes e efetivou uma delas. “Eles chegam com muita garra e vontade de ter um futuro melhor. Para nossa empresa, é gratificante saber que contribuímos de alguma forma para a mudança de vida desses jovens, porque os ensinamentos ficarão para sempre”, diz a analista de Recursos Humanos Leomara Simone Galassi. Já em Campos Novos, a cooperativa Copercampos também abriu suas portas e ofereceu oportunidades.

Para o juiz Leandro Ernani Freitag, da comarca de Campos Novos, este cenário vai além da contratação formal: são condições que representam segurança, autonomia e um novo horizonte para adolescentes que, ao completarem 18 anos, precisam deixar o acolhimento institucional e trilhar caminhos independentes. “Essas oportunidades são transformadoras. São portas abertas que mudam não só a trajetória profissional desses jovens, mas a forma como eles se enxergam no mundo”, afirma o magistrado.

 Um programa que inspira e se expande

O Novos Caminhos hoje é referência nacional. O programa funciona como uma ponte entre o acolhimento e a vida adulta, articulando cursos profissionalizantes, ações de saúde, suporte educacional e parcerias estratégicas com o setor privado. Em 2025, o acordo de cooperação entre TJSC, FIESC e AMC foi renovado por mais cinco anos, assegurando continuidade e expansão das ações, incluindo a criação de um sistema integrado de gestão de dados para aprimorar o monitoramento dos resultados.

Para adolescentes que viveram situações de risco e vulnerabilidade antes do acolhimento, o acesso à formação profissional e às primeiras experiências de trabalho representa um marco. O objetivo central do programa é estimular a cidadania e promover a autonomia financeira, especialmente considerando que a maioridade marca também a saída dos serviços de acolhimento institucional.

Os interlocutores institucionais do programa dizem que o próximo passo é ampliar ainda mais a rede de parceiros da região Meio-Oeste. “Temos jovens preparados, com vontade de aprender e construir sua independência. Cada empresa que abre uma porta transforma uma vida e contribui para uma sociedade mais justa”, concluem.

Na regional de Joaçaba, o Novos Caminhos chega aos municípios de Abdon Batista, Água Doce, Brunópolis, Campos Novos, Capinzal, Catanduvas, Erval Velho, Herval d’Oeste, Ibiam, Ibicaré, Lacerdópolis, Luzerna, Ouro, Tangará, Treze Tílias, Vargem, Vargem Bonita e Zortéa.

NCI/TJSC – Taina Borges