Banco Master: As táticas da Lava Jato revisitadas
Fonte: outraspalavras.net | Data: 13/03/2026 20:55:19

O país que não cabe na manchete
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A cena política brasileira mais uma vez está sendo dominada por um noticiário que mistura elementos policiais, vazamentos, seletividade e distorções jornalísticas, ilações e uma contaminação da imagem das instituições que vão ajudando a dar forma a um clima de instabilidade quase crônica, onde o espetáculo e um suposto tribunal da opinião pública sufocam o debate democrático. Isso a poucos meses de um dos processos eleitorais mais decisivos do período recente.
O caso do Banco Master, que tem pautado o noticiário há alguns meses, traz a história do crescimento vertiginoso de uma instituição financeira bilionária e sua queda, sob diversas suspeitas de forte lobby político em Brasília e operações financeiras controversas envolvendo recursos públicos, com destaque para a negociação de precatórios e a captação agressiva junto a institutos de previdência municipais e estaduais. Um possível esquema de tráfico de influência e os indícios de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento ligados ao banco fizeram com que o banqueiro Daniel Vorcaro fosse trazido aos holofotes.
Contudo, já tivemos episódios ruidosos relacionando finanças e páginas policiais, com valores mais vultosos, inclusive, que não ganharam o mesmo destaque. Em agosto do ano passado, a Operação Carbono Oculto, a maior deflagrada contra o crime organizado no país, apontou para esquemas de fraudes e lavagem de dinheiro envolvendo o PCC e ocultação e blindagem de patrimônio por meio de fintechs e fundos de investimentos. A Receita Federal apontou à época um total de R$ 30 bilhões em fundos possivelmente controlados pela facção.
Outro caso foi o colapso das Americanas, tido como a maior fraude corporativa da história brasileira. A diretoria da companhia admitiu que os resultados da empresa tinham sido inflados artificialmente em cerca de R$ 25,3 bilhões ao longo de mais de uma década. Quando entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023, o total da dívida declarada com bancos, fornecedores e debenturistas chegou a aproximadamente R$ 43 bilhões. Relatórios de administradores judiciais apontaram que mais de dez mil trabalhadores perderam seus empregos, resultando ainda no desaparecimento de outras dezenas de milhares de postos de trabalho indiretos. Um impacto econômico e social gigantesco.
Contudo, os ecos da Carbono Oculto e das Americanas, embora ainda tenham procedimentos processuais criminais e cíveis em andamento, parecem muito distantes. O escândalo da varejista contou inclusive com uma CPI voltada para ela, que pouco repercutiu e que muitos nem sabem que existiu. O que explica uma diferença tão grande de tratamento?
Quando a seleção vira distorção
Jornalismo é seleção e não um reflexo ou retrato da realidade, como costumam tentar vender sobre si mesmos os veículos da mídia corporativa em suas campanhas de propaganda. E, diante de inúmeros acontecimentos que podem virar pauta, essa seletividade é necessária para o dia a dia das redações. No entanto, a escolha do que mostrar (ou esconder) causa efeitos diretos na opinião pública e, em muitas ocasiões, no próprio arranjo democrático de um país.
Na década de 1970, a teoria da Agenda-Setting (Agendamento), formulada originalmente por Maxwell McCombs e Donald Shaw, pontuava que “a mídia não nos diz como pensar, mas sobre o que pensar”. Mesmo com as mudanças tecnológicas velozes pelas quais passa o campo da comunicação, a premissa continua sendo importante para analisar o comportamento de parte do ecossistema midiático, ainda mais em um país no qual continua existindo uma concentração brutal de veículos nas mãos de poucos, com a propriedade cruzada (proibida em muitos países) permitindo um poder consolidado por meio de concessões públicas em linguagens distintas e também pela influência nas plataformas de produção de conteúdo.
Nesse sentido, os meios convencionais são especialmente vantajosos, por exemplo, para que sejam veiculados vazamentos de informações confidenciais, como os que têm abastecido o noticiário em torno do caso do Banco Master. Ter a cobertura em um veículo desses garante a repercussão quase imediata nos outros do mesmo grupo, assegurando ainda a replicação em outros canais da mídia convencional que reconhecem de forma mais imediata aquilo que é produzido por seus “co-irmãos” do que aquilo que vem, por exemplo, de influenciadores ou produtores de conteúdo da mídia digital.
Vazamentos não são novidades na política brasileira. Foram utilizados em episódios centrais como o da CPI mista que resultou no impeachment do então presidente Fernando Collor, chegando ao auge da instrumentalização durante a fase áurea da Operação Lava Jato, quando se tornou parte central do modus operandi de parte do Ministério Público e do juiz responsável para constranger autoridades e mobilizar parte da sociedade em prol de interesses pouco nobres. Ironicamente, quem pouco prezava pelo sigilo se tornou vítima do mesmo tipo de expediente por meio de conversas realizadas no aplicativo Telegram, vazadas e publicadas em investigação jornalística. Mas, no caso do Banco Master, há diferenças.
Boa parte do que abasteceu os veículos de comunicação nos últimos dias é fruto de um material obtido por meio da CPMI do INSS. A justificativa para que o colegiado, que investiga as fraudes cometidas por meio de descontos não autorizados em pensões e aposentadorias entre 2019 e 2024, conseguir a autorização para ter o acesso ao material era de que o Banco Master prestava serviços de empréstimo consignado e haveria suspeitas de fraude nessas operações da instituição. Foi o suficiente para se obter uma autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do caso na Corte, André Mendonça.
No envio do material, seria necessário haver uma triagem a respeito do que seria ou não relevante para a investigação. O que não serve para a instrução do inquérito, aliás, deveria, por lei, ser descartado e incinerado. Ao que parece, a triagem não foi feita. As mensagens reveladas mostram conversas íntimas, por exemplo, entre Daniel Vorcaro e sua namorada, expondo uma pessoa que sequer é investigada. E também apontam para um suposto diálogo entre o ministro do STF, Alexandre de Moraes, e o banqueiro.
Ao contestar a conversa que havia sido noticiada, Moraes afirmou que uma análise técnica teria constatado “que as mensagens de visualização única enviadas por ele [Daniel Vorcaro] no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”. O jornal O Globo respondeu bancando sua informação e revelando, nas entrelinhas, que sua fonte naquele caso específico não seria a mesma dos outros veículos. “Diferentemente do material enviado à CPMI do INSS, o material a que o Globo teve acesso não é fruto de comparação entre os horários dos textos que constam em blocos de nota de Vorcaro e as mensagens enviadas por ele”, dizia a nota do veículo. Ou seja, haveria mais de uma fonte vazando dados sigilosos.
Do sigilo à manchete: quem ganha com isso
Divulgar informações sigilosas na maioria dos contextos previstos em lei pode constituir crime para quem o faz, mas o jornalista divulgar ou tratar esse material, segundo o ordenamento jurídico brasileiro, não é. O que obviamente não dispensa a quem trata e trabalha com os dados vazados a obrigação de checagem sob diversos ângulos, inclusive eventuais implicações éticas. Afinal, é relevante e de interesse público saber se há ou não relações impróprias de um ministro do Supremo com um banqueiro investigado.
O problema é que isso poderia e deveria ser o ponto de partida de uma investigação jornalística e não o fim em si. As mensagens, mesmo que verdadeiras, não demonstrariam nenhuma atividade delituosa, até porque sequer se tem conhecimento das supostas respostas do magistrado e tampouco do assunto sobre o qual se conversava, já que as frases reveladas de Vorcaro são genéricas. E a partir daí começam inúmeras ilações que poluem o noticiário e contaminam o ambiente político. Uma questão central também não é respondida: o que teria feito ou tentado fazer Moraes em favor do banqueiro? Isso sim poderia constituir infração e possíveis faltas graves. Contudo, talvez o importante não seja explicar, mas confundir, como diria um antigo comunicador.
Mais do que revelar, as mensagens e o tipo de cobertura que se dá a elas podem desviar o olhar de alguns pontos fundamentais que um caso desses traria. Primeiro, sobre a atuação de quem realmente agiu em favor de Vorcaro e aparece nos contatos do banqueiro. O senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, é apresentado nas mensagens do ex-dono do Master como um dos “grandes amigos de vida”. O parlamentar apresentou uma emenda, durante o debate sobre Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relativa à autonomia do Banco Central, que pretendia aumentar a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, uma medida que foi celebrada pelo banqueiro, embora não tenha seguido adiante.
Em setembro de 2025, Ciro foi um dos principais articuladores da aprovação de um requerimento de urgência para um projeto de lei (PL) que visava conceder ao Congresso Nacional o poder de demitir diretores e o presidente do Banco Central (BC), prerrogativa hoje exclusiva do presidente da República, e possível apenas diante de circunstâncias muito específicas como condenações criminais ou desempenho insuficiente comprovado. Ali, se determinava que a demissão poderia ocorrer quando a “condução das atividades do Banco Central for incompatível com os interesses nacionais”, algo muito vago e impreciso. A articulação se deu em meio à análise final da operação de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília) por parte do BC, que não autorizou a transação, e foi vista como instrumento de pressão sobre a diretoria do órgão.
Mesmo diante das relações estreitas entre o senador e o banqueiro, isso não significa que o parlamentar tenha praticado algum crime. Mostra, sim, uma atuação mais semelhante à de um lobista e um investimento de energia grande em favor de um bilionário, o que já seria grave dentro da seara do debate político e do próprio julgamento que o eleitor venha a ter sobre a conduta do parlamentar. Em se tratando de um ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro e de um dos comandantes da maior federação partidária do país, dona do maior fundo entre as legendas, merecia uma cobertura e um questionamento muito maior por parte da mídia.
O mesmo vale para o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que se esforçou de maneiras distintas para efetivar a compra do Master por parte do BRB em um acordo estimado em R$ 2 bilhões. Administrações estaduais e municipais, por meio de fundos de previdência, negociaram carteiras de investimento da instituição de Vorcaro. A RioPrevidência, por exemplo, que paga as aposentadorias e pensões de 235 mil servidores fluminenses, investiu R$ 970 milhões em Letras Financeiras (Lfs) da instituição de Vorcaro, sem cobertura do FGC.
E o BC de Campos Neto?
Também é de se estranhar a quase ausência na cobertura, com a elaboração de matérias que nunca ganham destaque, da atuação do BC durante o imbróglio. Segundo investigações da Polícia Federal, o ex-diretor de Fiscalização do órgão, Paulo Sergio Neves de Souza, nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na gestão de Roberto Campos Neto, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, receberam pagamentos de Vorcaro para atuar “de modo informal e reiterado em favor dos interesses da instituição financeira”. Em meio aos serviços supostamente prestados ao banqueiro, teriam oferecido orientações sobre processos administrativos envolvendo o Master e tentado influenciar na análise de processos administrativos. Foi Souza quem assinou e recomendou para a cúpula do BC a autorização da transferência do Banco Máxima, que viria a se tornar Master, para Daniel Vorcaro em 2019.
O ex-diretor da gestão de Campos Neto teria agido ainda em outra direção, segundo a jornalista Daniela Lima, estabelecendo uma ligação com o escândalo do INSS. Em uma carta apreendida pela Polícia Federal, Vorcaro reclama das exigências feitas pelo Banco Central para que sua instituição financeira oferecesse crédito consignado a aposentados, o que o impedia, até ali, de realizar a operação. Souza trabalhou para reverter a inabilitação do banco, à época ainda com o nome de Máxima, determinada em 2018, avalizando a habilitação em outubro de 2019. Em 2020, o Master firmou convênio com o INSS para operar o crédito consignado.
Além do possível envolvimento criminoso de dois funcionários, a própria conduta do Banco Central por parte de Campos Neto tem sido questionada. O jornalista Luis Nassif aponta para o que considera omissão estratégica e conivência regulatória. “Documentos do próprio BC indicam que, desde 2019, a autarquia detectou um ‘descompasso’ nas provisões e práticas de gestão do Master. Na gestão de Campos Neto, o BC teria enviado ao menos 18 ofícios pedindo ajustes que nunca foram realizados, permitindo que o banco continuasse operando”, diz ele, em uma de suas análises.
As condutas de alguns dos personagens acima são públicas e evidentes, e não fruto de suposições. Há fatos que merecem ser investigados e outros que devem ser questionados em meio a um debate sobre a própria eficácia institucional de quem deveria prever e evitar um caso como o do Banco Master. Por exemplo, o Banco Central, autônomo, de fato teve uma melhora em seu desempenho em termos de regulação e fiscalização? É necessário debater outros marcos e medidas diante de um cenário no qual o mundo das finanças parece cada vez mais interconectado e pouco transparente? Tais questões desaparecem quando o vazamento substitui a apuração, e a insinuação substitui a prova. Assim, tudo se fulaniza, reputações viram moeda, instituições viram alvo e o país fica refém de uma agenda que oscila entre o escândalo do dia e o esquecimento programado.
Os impactos no processo eleitoral
Uma espécie de poluição vai tomando conta da cobertura, obscurecendo a visão da grande maioria das pessoas que não acompanha com afinco a produção noticiosa, até porque boa parte delas está sujeita a jornadas de trabalho massacrantes e inserida em bolhas (des)informativas nas redes sociais. Não é a fidelidade da informação ou a análise da notícia o ativo principal, mas sim o que um locutor esportivo chamaria de criação de um “clima terrível”.
Nessa barafunda, surgem novos elementos que reforçam a tese de que estaria em curso uma nova “Lava Jato”. A quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, autorizada por Mendonça no âmbito da CPMI do INSS, ilustra mecanismos similares àqueles utilizados pela República de Curitiba com a cumplicidade de setores da mídia. Os dados que deveriam servir apenas para fins de investigação se tornaram públicos, mostrando uma movimentação de R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026, em 1,5 mil transações bancárias. Os advogados do filho do presidente apontam que as fontes de renda são legais e legítimas, envolvem atividades empresariais há muito conhecidas, além de outras fontes como resgates de investimentos e administração da herança da mãe. Mesmo assim, a movimentação, que sequer significa que esse montante se tornou patrimônio de Fábio Luís, já que as transações não refletem isso, ganharam minutos em reportagem no Jornal Nacional, com direito a infográfico.
Mesmo não havendo transferência ou depósito do chamado “Careca do INSS”, Antônio Carlos Camilo Antunes, lobista apontado pela Polícia Federal como um dos operadores centrais de um esquema de fraudes em aposentadorias, o que motivou a quebra de sigilo, o nome de Lulinha continuou destacado nos veículos de mídia. A notícia de que havia integrantes da Polícia Federal que queriam pedir a prisão dele reflete diversos aspectos da estratégia em curso. Primeiro, sequer se fala a respeito do que poderia fundamentar um pedido de prisão preventiva, simplesmente a informação é aventada. Não é questionado também se quem defende a medida tem poderes efetivos para formulá-la de fato ou se usa a imprensa como forma de pressão interna ou externa. O objetivo é normalizar uma ideia (a prisão), no mesmo sentido da condução coercitiva de Lula em 2016.
Com isso, tudo se mistura e colunistas e analistas da mídia corporativa tentam vender o peixe de que o escândalo financeiro “envolve a direita e a esquerda”, ignorando a proximidade pública, confirmada nas mensagens do banqueiro, entre ele e os articuladores que atuaram ou tentaram agir a seu favor dentro do que ficou conhecido como “bancada do Master” no Parlamento. Confunde-se, de forma deliberada, reuniões institucionais com agenda oficial e encontros múltiplos e informais em residências ou outros locais, por exemplo. Pouco importa nessa versão também que o cunhado de Vorcaro, o pastor da Igreja Lagoinha Fabiano Zettel, preso após ser alvo da última fase da operação Compliance Zero, tenha sido o maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições de 2022, com R$ 5 milhões repassados.
O jogo do bolsonarismo
É nesse ambiente em que tudo parece estar dominado por interesses escusos que se consolida a antipolítica. A Lava Jato teve impacto não apenas nas eleições de 2018, onde predominou o clima da antipolítica, mas foi decisiva para a própria construção anterior de figuras políticas que chegaram ao Planalto e ao Parlamento naquele ano.
Tal clima joga contra justamente quem está no poder e tende a beneficiar quem busca canalizar o sentimento de “contra tudo o que está aí”. Flávio Bolsonaro vai tentar captar esse anseio, se equilibrando naquilo que parte da Faria Lima já vê como uma espécie de “Tarcísio de Freitas adaptado”, onde a retórica e o sobrenome garantem o apoio de uma base radicalizada, com um verniz de moderação e interlocução mais eficiente com o setor econômico-financeiro e com o segmento midiático que chegou até a se alinhar, em parte, à defesa do frágil arranjo democrático brasileiro quando ameaçado pelo golpismo, mas que hoje já reconhece nesse mesmo grupo político um possível aliado para manter e cacifar ainda mais seu poder político e econômico.
Nesse sentido, o acirramento contra o STF teria múltiplas funções. Constrangeria a Corte para que não pudesse vetar a tão sonhada anistia aos golpistas em um eventual retorno do governo de extrema direita e ainda serve como uma bandeira unificadora para impulsionar um dos principais objetivos do bolsonarismo, a eleição da maioria do Senado, o que permitiria o controle do Judiciário por meio de constantes ameaças de impeachment de ministros. Como se vê pelo exemplo de outros países onde extremistas chegaram ao poder, trata-se da concretização de um sonho dourado.
O agendamento do tema da corrupção feito de forma difusa e confusa joga contra o governo Lula naquilo que ele pretende fazer e na disputa eleitoral em si. A discussão em torno da economia e da área social, relacionada ao dia a dia das pessoas, é o que mais importa para o Planalto, já que nesse terreno, embora os avanços tenham sido limitados por conta do arcabouço fiscal, a atual gestão teria resultados mais palpáveis para apresentar quando comparados ao período do governo Bolsonaro.
A contaminação do ambiente político atravanca ainda a promoção e discussão de pautas importantes para o governo e para o trabalhador em geral, como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, que também enfrenta atualmente uma resistência de parte da elite econômico-financeira que encontra em editoriais e matérias enviesadas formas de expressar o seu descontentamento. Assim, um tema que colocava deputados e senadores em dificuldades, opondo de forma direta interesses de financiadores de campanha e apoiadores políticos aos dos eleitores e da maior parte da população, fica momentaneamente em segundo plano.
Uma contraofensiva está sendo esboçada. Nesta quarta-feira (11), foram aprovadas na CPI do Crime Organizado no Senado a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático de Zettel no período entre 2020 e 2026, e as convocações, de presença obrigatória, de Paulo Sérgio Neves de Souza e de Bellini Santana, o que pode trazer a gestão de Campos Neto no Banco Central como alvo devido a investigações e debates. Mas a estratégia da base governista deve ir além da defesa, a proposição de pautas como a do fim da escala 6×1 devem ter andamento assim como a projeção de pautas futuras que possam engajar e modificar a vida das pessoas, trazendo para a política a discussão daquilo que de fato é importante. Não é tarefa trivial lutar contra o ilusionismo e os nichos cada vez mais autocentrados de comunicação, mas, a essa altura, o campo à esquerda/centro-esquerda e o campo progressista não podem jogar parados.
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