Gestão de Railson Ferreira entra na mira do MP/AC após Sindmed apontar abandono da saúde e sobrecarga no hospital de
Fonte: 3dejulhonoticias.com.br | Data: 13/03/2026 22:30:31

Colapso na saúde de Feijó: Sindmed denuncia gestão do prefeito Railson Ferreira ao Ministério Público – Foto: Reprodução
A crise na saúde pública de Feijó ganhou novos contornos e agora deve chegar oficialmente ao Ministério Público do Acre (MPAC). O Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) anunciou que vai formalizar uma denúncia contra a gestão do prefeito Railson Ferreira, apontando possível responsabilidade direta da prefeitura pelo que classifica como falhas graves no funcionamento da rede municipal de saúde.
De acordo com a entidade, o cenário atual revela um sistema básico praticamente desmontado. Informações públicas disponíveis no Portal da Transparência e em registros do Programa Mais Médicos indicam que o município possui 17 unidades básicas de saúde, mas sete estariam fechadas ou desativadas há anos, reduzindo drasticamente a capacidade de atendimento da população. Na prática, apenas dez unidades permanecem funcionando, número considerado insuficiente para atender a demanda do município.
O levantamento também mostra uma situação considerada alarmante no quadro de profissionais. A rede municipal conta com apenas um médico efetivo, além de dois clínicos contratados temporariamente, o que demonstra, segundo o sindicato, a falta de planejamento e investimento da gestão municipal. Grande parte da assistência básica depende hoje de 11 médicos do Programa Mais Médicos, iniciativa do governo federal que, na avaliação da entidade, acaba sustentando praticamente sozinho o atendimento primário no município.
Para o Sindmed-AC, a fragilidade da atenção básica tem provocado um efeito direto e perigoso: o colapso do Hospital Geral de Feijó, que é administrado pelo governo do estado e deveria atender apenas casos de urgência, emergência, partos e situações mais graves. Sem estrutura adequada nas unidades básicas, pacientes acabam recorrendo ao hospital até para consultas simples, curativos e problemas de baixa complexidade.
Os números reforçam a gravidade da situação. Nos últimos dois meses, 2.043 pessoas procuraram atendimento no hospital, mas 1.827 casos poderiam ter sido resolvidos na rede municipal de saúde, se as unidades básicas estivessem funcionando plenamente. Apenas 216 pacientes apresentavam situações realmente graves, o que demonstra, segundo o sindicato, um claro desvio de função do hospital causado pela precariedade da gestão municipal.
Além da falta de médicos e da desativação de unidades, o sindicato afirma ter recebido relatos frequentes de escassez de medicamentos básicos e exames laboratoriais nas unidades de saúde do município. Há inclusive registros de ofícios da própria prefeitura solicitando remédios e insumos ao hospital estadual, situação considerada grave, já que esses itens deveriam ser garantidos pela rede municipal.
Outro ponto que deverá ser investigado pelo Ministério Público e pelo Conselho Regional de Medicina diz respeito a declarações públicas do prefeito Railson Ferreira sobre participação em processos de regulação de pacientes. Para o Sindmed, esse tipo de decisão é estritamente técnica e deve ser tomada exclusivamente por médicos reguladores e assistentes, conforme determina a legislação da saúde.
Diante do cenário, o sindicato afirma que a denúncia busca esclarecer responsabilidades e cobrar providências. Para a entidade, a população de Feijó não pode continuar refém de um sistema de saúde fragilizado, onde a ausência de estrutura na rede municipal acaba empurrando pacientes para um hospital que deveria atender apenas situações de maior gravidade.
Enquanto a denúncia segue para análise do Ministério Público, cresce a pressão sobre a gestão do prefeito Railson Ferreira, que agora terá de explicar por que a atenção básica, porta de entrada do Sistema Único de Saúde, está falhando de forma tão evidente no município.