Greve parcial de ônibus em São Luís entra no 2º dia sem previsão de retomada das atividades
Fonte: g1.globo.com | Data: 14/03/2026 07:39:47
Quem precisou do serviço nas primeiras horas da manhã teve que recorrer a meios alternativos, como transportes por aplicativo, ou esperar mais tempo pelos ônibus do sistema semiurbano, que seguem circulando normalmente. A frota atende os municípios de Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar.
Esta é a segunda vez, em menos de três meses, que São Luís enfrenta uma greve de ônibus. De acordo com o sindicato, cerca de 4,5 mil a 5 mil trabalhadores atuam atualmente no sistema de transporte público da Grande São Luís.
Greve parcial deixa São Luís sem ônibus

Greve de rodoviários dificulta volta para casa em São Luís
A nova paralisação deflagrada na sexta-feira (13) ocorre em meio a sequência de problemas enfrentados pelo transporte coletivo de São Luís. Desta vez, os rodoviários alegam que há atraso no pagamento do reajuste salarial.
Nos últimos meses, a população tem convivido com ameaça de paralisações e redução da frota. Segundo Marcelo Brito, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Maranhão (Sttrema), nenhum rodoviário recebeu salário com aumento acordado na última paralisação e determinado pelo Tribunal Regional do Trabalho.
Na porta de uma das empresas do transporte público, uma placa informava a contratação de motoristas, mas rodoviários afirmam que o problema central é o não pagamento do reajuste salarial, o que impede a normalização das atividades.
Terminal de Integração da Cohama amanheceu vazio em meio à greve — Foto: Reprodução/TV Mirante
Prefeitura libera vouchers
A Prefeitura de São Luís alega que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público e tem feito os repasses do subsídios às empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso.
Entretanto, para reduzir os impactos da greve, o Município liberou vouchers em um aplicativo de transporte para garantir o deslocamento dos usuários do sistema de transporte público, enquanto o serviço estiver comprometido.
Segundo a Prefeitura, os vouchers já foram disponibilizados para os usuários já cadastrados no sistema feito pela prefeitura anteriormente.
Além disso, o Município de São Luís informou que ingressou na quinta-feira (12), com uma ação na Justiça do Trabalho pedindo a declaração de abusividade da greve e adoção de medidas que assegurem a circulação mínima do transporte coletivo, como determina a legislação aplicada aos serviços essenciais.
O que dizem a Prefeitura de São Luís e o SET
Nota da Prefeitura de São Luís
A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informa que a greve registrada nas primeiras horas desta sexta-feira (13) no sistema de transporte urbano de São Luís decorre do não cumprimento, por parte das empresas de ônibus, da decisão recente da Justiça do Trabalho que determinou a implementação de reajuste salarial e a concessão de benefícios aos trabalhadores rodoviários.
Mesmo após a decisão judicial, as empresas não garantiram aos trabalhadores as vantagens determinadas pela Justiça do Trabalho, o que levou à greve no sistema urbano de transporte público.
A SMTT esclarece que vem cumprindo regularmente todas as suas obrigações financeiras com o sistema de transporte público, com os repasses do subsídios às empresas sendo realizados em dia, sem qualquer dedução ou atraso.
Diante disso, causa estranheza o fato de que, mesmo recebendo regularmente os recursos devidos pelo Município, as empresas não tenham garantido a implementação do reajuste e benefícios assegurados aos trabalhadores rodoviários.
A SMTT segue acompanhando a situação de forma permanente e adotando todas as medidas necessárias para assegurar o restabelecimento do serviço e resguardar os direitos dos usuários do transporte público de São Luís.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET), vem, a público, esclarecer as declarações feitas pelo atual Prefeito de São Luís, Eduardo Braide, na manhã desta sexta-feira, dia 13, em rede social:
- SUBSÍDIO: O subsídio pago atualmente pela Prefeitura de São Luís ainda é o mesmo de Janeiro de 2024, mesmo com dois reajustes salariais concedidos aos trabalhadores rodoviários, e aumento em todos os outros custos do serviço.
- FALTA DE ACORDO: Na Justiça do Trabalho não houve acordo, pois, a SMTT nem sequer compareceu.
- AUMENTO DO DIESEL: O preço do diesel aumentou R$ 1,40 o litro só na última semana. A medida do presidente Lula resultará numa redução de apenas R$0,30.
As diversas greves, que ocorrem desde 2021, são resultado do reiterado descumprimento do contrato por parte do Município de São Luis, fato confessado em vídeo pelo próprio Prefeito, que, ao congelar o subsídio desde janeiro de 2024, colocou o sistema em colapso. O SET está cooperando com os Órgãos de Justiça e Controle na apuração dos verdadeiros motivos e responsáveis pela crise do setor.
Por fim, o SET afirma que tem buscado o diálogo, tendo protocolado diversos pedidos de reunião junto à SMTT desde o início de 2025, e mantém a disposição na busca do diálogo técnico sobre o transporte de nossa cidade.
MP-MA abre inquérito para investigar falhas no transporte coletivo de São Luís
Os focos da investigação incluem o Município de São Luís, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), os consórcios Central, Via SL e Upaon-Açu, além da empresa Viação Primor Ltda.
Como providências iniciais, o MPMA solicitou à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) e ao SET uma série de documentos, incluindo:
- informações sobre todas as linhas do sistema;
- itinerários, consórcios, concessionárias e frotas;
- planilhas de custos do transporte;
- valores de subsídios tarifários pagos entre 2021 e 2026;
- número de novos ônibus incorporados ao sistema no mesmo período;
- e medidas adotadas pela Prefeitura para corrigir falhas na prestação do serviço.
Última paralisação do sistema urbano durou 8 dias
Após oito dias de paralisação, os ônibus que integram a frota do transporte urbano voltaram a circular após reunião com o Ministério Público do Maranhão (MP-MA), empresários e a Prefeitura de São Luís, sob a garantia do pagamento dos salários atrasados.
➡️ O acordo realizado no dia 6 de janeiro determinou que os salários atrasados dos trabalhadores do sistema urbano serão pagos integralmente até até o dia 10 deste mês.
Nos últimos seis anos, a capital enfrentou ao menos dez paralisações no sistema, provocadas principalmente por impasses salariais e disputas entre empresas e rodoviários. Em 2022, a cidade registrou a maior greve do período, que se estendeu por 43 dias.