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França dos extremos: ultradireita marca avanços em eleições locais e esquerda domina Paris

Fonte: veja.abril.com.br | Data: 16/03/2026 11:19:43

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Eleições municipais na França em 15 de março de 2026.
Eleições municipais na França em 15 de março de 2026. (Xavier Laine/Getty Images)

Os franceses foram às urnas no domingo 15 para o primeiro turno das eleições municipais, em uma disputa vista como um termômetro do cenário político na França a pouco mais de um ano da próxima eleição presidencial. A votação foi marcada pelo avanço da ultradireita em diversas cidades do país, enquanto a esquerda manteve sua liderança em ParisO crescente fortalecimento dos extremos significa que partidos tradicionais terão uma escolha difícil a fazer: devem a centro-direita e a centro-esquerda formar alianças com seus respectivos colegas radicais de campo ideológico?

Do ponto de vista eleitoral, os acordos podem fazer sentido. Mas a desvantagem é o dano à reputação dos políticos tradicionais caso se aproximem de partidos que normalmente condenam, bem como o aprofundamento da polarização.

Avanço da extrema direita

O partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) e seus aliados ficaram à frente da votação em várias cidades do sul, como Nice, Toulon, Nîmes e Carcassonne. Em outras regiões, prefeitos ligados à legenda já garantiram vitória no primeiro turno, entre eles os dirigentes de Perpignan, Fréjus e Hénin-Beaumont.

Nas redes sociais, a líder do RN, Marine Le Pen, que está inelegível sob acusação de desvios de verba pública, classificou o resultado como “uma grande vitória para o nosso movimento”. 

O principal nome da extrema direita para a sucessão presidencial é o eurodeputado Jordan Bardella, que lidera pesquisas de intenção de voto. Após a divulgação dos resultados, ele afirmou que a votação municipal já sinaliza mudanças no país.

“A mudança não espera até 2027. Ela começa neste domingo”, declarou Bardella, convocando os eleitores a apoiarem “prefeitos profundamente patriotas” no segundo turno.

As tentadoras alianças com radicais

Em Marselha, a segunda maior cidade do país, o prefeito de centro-esquerda do Partido Socialista, Benoît Payan, ficou na liderança por uma margem mínima. Logo atás, está o candidato de extrema direita do Reagrupamento Nacional, Franck Allisio.

Mas outros dois candidatos também se classificaram para o segundo turno, com pontuações mais baixas: Martine Vassal, dos Republicanos (centro-direita), e Sébastien Delogu, da França Insubmissa (extrema esquerda). Não há indícios concretos de que isso vá acontecer, mas é possível que os socialistas decidam fazer um pacto com a sigla esquerdista para salvar Payan – enquanto Vassal estuda se aliar ao Reagrupamento Nacional para impedir que os rivais cheguem ao poder.

Na capital francesa a extrema direita não despontou como favorita. Paris é governada pela esquerda desde 2001 e voltou a registrar vantagem desse campo político no primeiro turno das eleições municipais. No entanto, candidatos radicais ainda podem ter um dedo nos resultados eleitorais da metrópole.

O deputado socialista Emmanuel Grégoire, de centro-esquerda, apareceu na liderança com cerca de 36,5% dos votos. “O povo de Paris nos colocou confortavelmente na liderança neste primeiro turno”, comemorou o aliado da atual prefeita Anne Hidalgo, que decidiu não disputar um terceiro mandato.

Mas entre os classificados para o segundo turno está Sophia Chikirou, do radicalíssimo França Insubmissa. Grégoire prometeu não fazer nenhum pacto com a legenda de extrema esquerda, mas esse sacrifício pode lhe custar a vitória.

Sua adversária é a conservadora Rachida Dati, ex-ministra da Cultura do partido de centro-direita Os Republicanos, que ficou com 25% dos votos, segundo estimativas após o fechamento das urnas. Ela também prometeu não formar um pacto com a ultradireitista Sarah Knafo, da sigla Reconquista, que passou raspando para o segundo turno. Sem os votos de Knafo, Dati também fica em situação delicada.

O segundo turno do pleito deve acontecer no próximo domingo, 22.