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‘O Agente Secreto’: perdemos o Oscar, mas ganhamos com o filme

Fonte: noticias.r7.com | Data: 16/03/2026 11:19:12

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Wagner Moura apresenta prêmio de Melhor Diretor de Elenco

Wagner Moura apresenta prêmio de Melhor Diretor de Elenco no Oscar de 2026 Mike Blake/Reuters – 15.03.2026

O cinema de rua em Santos estava cheio. É um dos poucos resistentes no país e, há alguns anos, recebe multidões interessadas em torcer e vibrar pelo Brasil na maior premiação do cinema mundial.

Sentei-me humildemente na poltrona I30 e me emocionei de orgulho vendo os brasileiros ganharem o mundo. Eu assisti a O Agente Secreto duas vezes. É um filme caro. Muitos figurantes, os anos 70 retratados fielmente, figurinos históricos, efeitos visuais impecáveis, um tubarão enorme com uma pessoa dentro, um gato com duas cabeças. Elenco de peso.

Faça as suas contas: quanto você acha que tudo isso custa? O orçamento é de cerca de R$ 40 milhões. Para a realidade dos cineastas daqui, é luxo do luxo.

Parte do valor é brasileiro, mas há também dinheiro francês — sinal de que o país tem tradição em boas performances na área.

Uma visão que tem base na nossa história, mas que também se fortalece com filmes como Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, com as brilhantes atuações de Fernanda Torres e Selton Mello, também produzido com capital local e estrangeiro.

O filme custou cerca de R$ 45 milhões e arrecadou aproximadamente R$ 200 milhões. Só no Brasil, os espectadores ultrapassaram 5 milhões. É o filme mais caro da última década e rendeu um Oscar histórico para nós.

Este ano também fizemos bonito. Nossas personalidades brasileiras são interessantes. Wagner Moura foi aos programas americanos e encantou com sua inteligência refinada e elegante. É um ator muito versátil.

Lembra dele como Capitão Nascimento? Em O Agente Secreto, ele é singelo: um operador acadêmico, um fugitivo político com consciência de classe. A postura dele, a todo momento, vende o filme.

Ganhamos porque fizemos sucesso revelando ao mundo que somos inteligentes, temos atores extraordinários, diretores impecáveis, histórias de alto quilate e excelência.É fruto de uma vida dedicada aos filmes, a vida de um país.

É uma história que denuncia por meio do silêncio, dos recados — algo que também apareceu muito bem representado nos discursos que vimos nos programas americanos e nas entrevistas.

A gente sempre foca no Oscar, mas existem outros festivais que também assinalam o currículo de sucesso de um filme. E o nosso tem todos os melhores: 70 troféus.

Em Cannes, um dos principais prêmios do cinema mundial, Kleber Mendonça Filho e Wagner Moura foram vencedores. É o primeiro prêmio de melhor ator para o nosso cinema no festival.

No Globo de Ouro — que muitas vezes antecipa os favoritos ao Oscar —, Wagner venceu como melhor ator e o filme levou o prêmio de melhor produção em língua não inglesa.

Ele chegou ao último fim de semana com quatro indicações: filme internacional, melhor filme, melhor ator e melhor elenco.

O Agente Secreto é um dos filmes mais influentes do século e marca, assim como Ainda Estou Aqui, a retomada de um setor que ficou quase parado nos últimos anos.

Muito por causa da pandemia, mas também pela falta de investimento público. Ganhamos porque fizemos sucesso revelando ao mundo que somos inteligentes. Que temos atores extraordinários, diretores impecáveis, histórias de alto quilate e excelência.

É fruto de uma vida dedicada ao cinema. A vida cultural de um país.

Esses prêmios e essa trajetória brilhante carregam a herança de muitos cineastas: Glauber Rocha, Mazzaropi, Nelson Pereira dos Santos, Fernando Meirelles, Anna Muylaert.

Gente que há muito tempo constrói essa escada que eleva sempre a nossa maneira de contar histórias.

Comemore.

Vencemos.

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