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Do “gladiar” ao “casamento para o bem e para o mal”: esquerda questiona projeto do PSD/Chega para Benavente

Fonte: tsf.pt | Data: 16/03/2026 19:45:16

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Imagem de contexto do artigo Do "gladiar" ao "casamento para o bem e para o mal": esquerda questiona projeto do PSD/Chega para Benavente

Créditos: Reprodução/Município de Benavente

O vereador da concelhia da CDU Augusto Marques reagiu na TSF à imposição do Chega para que não exista qualquer entendimento com os comunistas, afirmando que o partido vai ter de se “conformar”, uma vez que “, não pode querer inibir” que exprimam a sua opinião

A integração do Chega no executivo de Benavente não apanhou a oposição de “surpresa”, que, ainda assim, tece algumas considerações. Pelo PS, o vereador Pedro Gameiro acusa a autarca, Sónia Ferreira, de ter chegado a acordo com Frederico Colaço Antunes depois de ter percebido que “não estava à altura dos acontecimentos”. Já a CDU confessa ter “dificuldade” em perceber como é que dois partidos que “gladiaram posições durante a campanha eleitoral” podem agora chegar a consensos e questiona qual dos dois projetos políticos será levado a cabo.

O vereador socialista na câmara de Benavente Pedro Gameiro começa por recordar, em declarações à TSF, que a autarca, Sónia Ferreira, afirmou “durante toda a campanha eleitoral” que iria governar sozinha. Mas, mais uma vez, verificou-se que a “política de hoje é completamente diferente da de amanhã”.

Para Pedro Gameiro, a decisão de integrar o Chega no executivo de Benavente acontece depois de Sónia Ferreira ter percebido que “não estava à altura dos acontecimentos”, tendo, por isso, decidido juntar Frederico Colaço Antunes à equipa.

O socialista reconhece ainda que tanto o Chega como a AD “são livres de trabalhar com quem entenderem”, fazendo votos para que a nova realidade autárquica “corra bem”. Ainda assim, sentencia que, “quer os acordos, quer as parcerias, quer mesmo os casamentos, nestas coisas, é para o bom e é para o mal”.

O vereador do Chega vai, assim, acumular seis pelouros na câmara de Benavente, sendo eles esenvolvimento Económico, Investimento e Empreendedorismo; Transição Digital, Inovação, Ciência e Tecnologia; Habitação Pública; Mobilidade e Transportes; e Bem-Estar Animal. Mas, de todos estes, Pedro Gameiro questiona apenas um.

“Estes são os pelouros que o vereador do Chega mais domina e Frederico Antunes se sente mais à vontade para trabalhar. Aqui, penso que tenha sido bem negociado. O único pelouro que eu não estava a contar que Frederico Antunes ficasse era a habitação pública“, confessa.

Pedro Gameiro esperava que Sónia Ferreira fizesse deste pelouro uma “bandeira própria”, não escondendo, por isso, a “admiração” perante esta atribuição. Pelo contrário, vê com naturalidade o facto de partilhar com Frederico Colaço Antunes as negociações do novo aeroporto, uma vez que o vereador do Chega “sempre mostrou muita disponibilidade para tratar destes assuntos”. A “surpresa maior” prende-se, insiste, com a habitação pública.

Depois das eleições, o PSD propôs um acordo ao Chega, que rejeitou. Os sociais-democratas viraram-se então para a CDU, que também recusou o acordo por entender que o projeto do PSD nega o trabalho feito pelo partido ao longo dos últimos anos no município. Nas últimas semanas, ainda voltaram a falar com os comunistas, mas acabaram por fechar acordo com o Chega, que impôs como condição não haver qualquer entendimento com a CDU. Numa reação a esta imposição, Augusto Marques, da concelhia da CDU em Benavente, vinca à TSF que Portugal vive numa democracia, sendo que existem regras que são preciso cumprir.

“Os nossos eleitos da CDU fazem parte do executivo da câmara – não têm plouros, mas fazem parte. Portanto, continuam a agir em defesa das nossas populações e a tomar as decisões que acham melhor para as nossas populações. O Chega terá de se conformar com as nossas opiniões, não pode querer inibir-nos de emitir a nossa opinião“, sublinha.

Augusto Marques revela ainda que, pela parte da CDU, esta não é uma “situação inesperada”, apontando que este tipo de entendimentos se tem multiplicado em “vários sítios do país”. Ainda assim, admite ter “alguma dificuldade” em perceber como poderão funcionar e qual o “projeto político que vão levar para a frente: o do PSD ou o do Chega“.

“Os dois partidos gladiaram e contrariaram até posições ao longo da campanha eleitoral, com algumas acusações com alguma gravidade entre eles. Como é que conseguem agora chegar a um entendimento”, questiona.

Em outubro do ano passado, a coligação PSD/CDS venceu as eleições autárquicas no município do distrito de Santarém com 32.39% dos votos. A coligação conseguiu eleger três dos oitos vereadores. O Chega ficou em segundo com dois vereadores, os mesmos que a CDU. O oitavo vereador ficou para o Partido Socialista.

Apesar de ter ficado em segundo, o partido de André Ventura venceu em Samora Correia, a maior freguesia do concelho ribatejano.

Este é o terceiro acordo entre o PSD e o Chega em autarquias. Depois de Sintra, logo a seguir às eleições, no final de fevereiro, os partidos celebraram um acordo de governação na Câmara de Cascais, que até então era feita em coligação com o PS.