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Pretos e pardos são 82,8% da população de Feira, indica Censo 2022

Fonte: tribunafeirense.com.br | Data: 17/03/2026 12:52:19

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Cresceu muito o número de pessoas que se autodeclararam pretas na
Feira de Santana no Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), na comparação com 2010. Segundo o
levantamento, exatas 180.190 pessoas disseram que são pretas, um
avanço expressivo em relação ao censo anterior, de 2010, que
registrou 128.440 pessoas declarando esta cor.

A maioria da
população feirense, no entanto, se identifica como parda: 330,4
mil, no último censo, contra 310,8 mil no levantamento anterior. A
população negra feirense – o somatório de pardos e pretos –
totalizou, portanto, 510 mil no Censo 2022, num universo de 616 mil
pessoas no conjunto da população. Isso significa que 82,8% dos
feirenses, aproximadamente, são negros.

Houve declínio na
população que se identificou como branca: eram 110,8 mil em 2010,
decrescendo para 103,9 mil no último levantamento. Também houve
queda na população autodeclarada amarela: eram 5,3 mil no censo
anterior e, em 2022, foram contabilizados apenas 590. Houve uma leve
redução entre os indígenas: de 1.118 tornaram-se 1.086.

O que pode explicar
a variação nos números? Fatores como diferenças nas taxas de
fecundidade, movimentos migratórios ou morte não parecem ter
provocado oscilações tão bruscas. Ao que tudo indica, pardos e
pretos – sobretudo estes – estão se reconhecendo mais como tais,
superando barreiras impostas por séculos de racismo e exclusão.

Em censos anteriores
muito mais gente declarava-se branca na Feira de Santana. Talvez por
conta do forte estigma sobre a população negra, mais vulnerável a
mazelas como a pobreza, a violência, a exclusão social, frutos do
racismo e das sólidas desigualdades. Mas isso é só palpite,
especulação. Apenas estudos robustos podem confirmar ou não
cogitações do gênero.

O que não é
especulação é a constatação de que a Feira de Santana é fruto
de uma intensa miscigenação: 53,5% da população declara-se parda.
Descendem de uniões de pretos, brancos, indígenas daqui e de outros
lugares – muitos deles remotos – que aportaram na Princesa do
Sertão e que, por aqui, construíram e constroem suas vidas.
Expressam o intenso intercâmbio de serviços, mercadorias e de
gentes também.

Enfim, os números
do Censo 2022 trazem resultados que refletem mais a realidade das
ruas da Princesa do Sertão. Trata-se de um passo além na luta
contra as desigualdades.