Sofrendo com crise energética, Cuba receberá mil painéis solares do Brasil | VEJA
Fonte: veja.abril.com.br | Data: 17/03/2026 13:05:18

Cuba sofreu um apagão generalizado em 16 de março de 2026, segundo a companhia elétrica nacional, em meio a uma grave crise na ilha causada pelo bloqueio energético dos EUA. (YAMIL LAGE/AFP)
O núcleo brasileiro da Rede Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade a Cuba irá enviar cerca de 1.000 painéis solares para a nação insular, que sofre com constantes problemas energéticos decorrentes do cerco econômico promovido pelos Estados Unidos. A doação dos equipamentos visa à instalação em hospitais e escolas, e compõe uma miríade de iniciativas que buscam aliviar a crise no país.
Contando com o apoio de quase vinte entidades e a doação de inúmeras pessoas sensibilizadas com o cenário em Cuba, a Rede Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade conseguiu arrecadar, até 10 de março, R$ 187.973,90 para viabilizar a doação. De acordo com os organizadores, esses equipamentos conseguem responder por 20% da geração de energia necessária em algumas áreas da ilha.
A mobilização faz parte de uma série de iniciativas promovidas por organizações da sociedade civil e entes de esquerda para amenizar o cenário calamitoso vivenciado pelo país. Entre as mobilizações que mais se destacam está a Flotilha Nuestra América, um comboio global de ajuda humanitária que deve chegar a Havana no próximo sábado, 21, transportando medicamentos, produtos básicos de higiene e alimentos, além de equipamentos para enfrentar a escassez energética.
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Problemas históricos
O Sistema Elétrico Nacional de Cuba sofre com problemas há anos, com avarias em centrais termoelétricas, períodos prolongados de manutenção e escassez de combustível sendo corriqueiros. Esse cenário faz com que os apagões diários sejam uma realidade comum em grande parte da ilha, chegando a motivar protestos intensos em anos anteriores, com o mais marcante destes ocorrendo em julho de 2021.
Aproximadamente 80% de toda a energia gerada por Havana tem sua origem em termelétricas alimentadas por combustíveis fósseis, notavelmente o petróleo. Por muitos anos, a demanda cubana pelo componente foi sanada pela Venezuela, cujo regime aliado liderado por Nicolás Maduro fornecia grandes remessas do recurso ao Partido Comunista de Cuba.
No entanto, a captura de Maduro durante uma ação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro alterou completamente essa dinâmica, interrompendo o fluxo do combustível. Sob o governo de Donald Trump, Washington classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” a sua segurança, editando uma Ordem Executiva que penaliza países que forneçam petróleo a Havana.
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Cerco americano
O cenário fez com que a crise energética em Cuba se intensificasse a níveis alarmantes, com o governo determinando cortes diários de energia que chegam a mais de 20 horas em grandes regiões e cerca de 15 horas em partes da capital. No início de março, a nação insular sofreu um apagão que deixou dois terços do país às escuras, e a ilha inteira foi desconectada da rede por horas na segunda-feira 16.
“Já se passaram mais de três meses desde que um navio-tanque entrou em nosso país e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de toda a nossa população”, disse o presidente cubano, Miguel-Díaz Canel, em coletiva de imprensa na última sexta.
Com o comportamento de um tubarão que sente o cheiro de sangue nos mares, Trump se manifestou sobre o panorama atual da ilha nesta segunda-feira, 16. “Acredito sinceramente que terei a honra de tomar o controle de Cuba, de alguma forma”, disparou o republicano, apontando que a nação insular está “muito debilitada neste momento”.