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CNI alerta para impacto de conflito no Oriente Médio sobre custos industriais e energia no Brasil

Fonte: agorarn.com.br | Data: 18/03/2026 06:11:50

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O Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI) manifestou preocupação com a escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente após o fechamento do Canal de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás. Em nota técnica enviada à base industrial, a entidade avalia que o cenário pode gerar efeitos relevantes sobre cadeias produtivas e ampliar a volatilidade nos mercados internacionais, com reflexos diretos na economia brasileira.

Segundo a CNI, conflitos no Oriente Médio historicamente provocam instabilidade nos preços de commodities energéticas, com impacto imediato sobre petróleo, gás natural e logística internacional. A entidade destaca que o ambiente de incerteza já pressiona indicadores de referência utilizados em contratos no Brasil, elevando custos para a indústria e ampliando riscos de repasse ao longo das cadeias produtivas.

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Ambiente de incerteza já pressiona indicadores de referência utilizados no Brasil – Foto: CNI

Parte significativa dos contratos de gás natural consumido pela indústria brasileira é indexada ao Brent, principal referência global para o petróleo, enquanto o gás destinado às termoelétricas segue o índice asiático JKM. Ambos os indicadores têm apresentado forte alta — com o Brent atingindo US$ 100 por barril e o JKM acumulando valorização próxima de 50% —, o que tende a impactar os contratos trimestrais, calculados com base na média dos últimos 90 dias.

A entidade aponta que a elevação desses custos pode afetar setores intensivos em energia e insumos derivados do gás natural, como fertilizantes, química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e vidro. Também há risco de pressão sobre a geração de energia elétrica, considerando que o país possui 178 usinas termelétricas a gás em operação, com capacidade instalada de 19.038 MW, equivalente a 60% da geração térmica e cerca de 9% da matriz elétrica total.

O Coinfra/CNI também chama atenção para os efeitos sobre projetos futuros no setor elétrico, diante do aumento da percepção de risco no mercado de gás natural liquefeito (GNL), especialmente para empreendimentos que dependem do combustível e buscam viabilização no leilão de reserva de capacidade. A entidade ressalta que o preço do gás no Brasil já figura entre os mais elevados do mundo e pode sofrer agravamento caso o conflito se prolongue, com possibilidade de reajustes contratuais a partir de maio de 2026. “É hora de discutirmos medidas para minimizar a eventual alta desses insumos, a fim de proteger os consumidores e a economia brasileira, garantindo a manutenção da competitividade da indústria”, afirmou o presidente do Coinfra/CNI, Alex Dias Carvalho.